Irmãos Tehau, Copa da França e vários ineditismos: conheça o Pirae, o alternativo do Mundial de Clubes 2021

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Pirae é a sexta maior comuna do Taiti, com pouco mais de 14 mil habitantes nas Ilhas de Barlavento no arquipélago da Sociedade, a maior do território ultramarino pertencente a França. De lá, vem o primeiro representante do Taiti no Mundial de Clubes. Sem poder contar com o Auckland City devido as restrições sanitárias, a Confederação de Futebol da Oceania indiciou o AS Pirae para a disputa seguindo vários critérios, como “impacto potencial sobre jogadores, dirigentes e comunidade em geral, o adiamento ou cancelamento de ligas domésticas e a capacidade de garantir viagens de maneira segura foram considerados, juntamente com os critérios de preparação da equipe”. O Pirae é o atual bicampeão taitiano.

A “feia” paisagem de Pirae

Fundado em 1929, o Pirae é o terceiro maior campeão taitiano, com dez taças, e o segundo maior vencedor da copa, com nove conquistas. Historicamente, o clube luta com o AS Vénus pelo posto de segundo maior das ilhas, atrás do Central Sport, maior campeão do país. Os títulos da liga local foram conquistados em 1989, 1991, 1993, 1994, 2001, 2003, 2006, 2014, 2020 e 2021, enquanto venceu a copa em 1970, 1980, 1984, 1994, 1996, 1999, 2000, 2002 e 2005.

Entretanto, o que pode desempatar essa briga histórica é o feito alcançado em 2006, quando foi vice-campeão continental, sendo derrotado pelo Auckland City, por 3 a 1. Foi a primeira vez que um taitiano chegou na final da Oceania – algo que voltou a ocorrer em 2012 com o Tefana, que tinha a base do elenco que disputou a Copa das Confederações 2013. Sem essa taça, o time esperou 16 anos para alcançar o Mundial de Clubes.

Além da participação em 2006, os Ajkules, apelido do clube (não encontramos o significado no idioma local. Segundo o Google Tradutor, a palavra aparece no idioma bósnio e significa “tubarões”, mas não sabemos se tem relação), disputaram a Liga dos Campeões da Oceania (ou o Campeonato de Clubes da Oceania) em 2005, 2013/14 e 2014/15, sendo que nas duas primeiras, alcançou a semifinal. São 17 jogos, com nove vitórias, um empate e sete derrotas no continental.

Registro da final do Campeonato de Clubes da Oceania, atual Liga dos Campeões (Foto: Jeff Brass/Getty Images)

Outro ponto interessante do clube é a participação na Copa da França, algo que é possível na competição, pois agrega, também, os territórios ultramarinos que pertencem a nação. O Pirae teve onze aparições na competição, sem nenhuma vitória, conforme pode ver abaixo.

1989/90 | Nîmes (2ªD) 3×0
1990/91 | Avignonnais (2ªD) 4×0
1992/93 | Nancy (2ªD) 1×0
1993/94 | Épinal (3ªD) 2×0
1994/95 | Stade Poitevin (3ªD) 6×2
1996/97 | Saint-Priest (4ªD) 3×2 – prorrogação
1998/99 | Gazélec Ajaccio (3ªD) 3×0
1999/00 | Vannes (4ªD) 2×0
2000/01 | Sète 34 (4ªD) 5×3
2002/03 | RCO Agde (4ªD) 3×1 – prorrogação
2015/16 | GSI Pontivy (5ªD) 6×5 – prorrogação

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Como chega o Pirae no Mundial?

Era 31 de dezembro, a OFC divulgou que o Auckland City não poderia participar do Mundial pelo segundo ano seguido. Ao contrário da edição passada, a entidade teve tempo para indicar um novo clube, que se torna o terceiro fora da Austrália e Nova Zelândia a representar o continente, casos do Hekari United (Papua Nova-Guiné) em 2010 e o Hiènghene Sport (Nova Caledônia) em 2019.

Desde então, o clube se preparava para evitar qualquer problema para a viagem, que é toda bancada pela FIFA e OFC. Porém, a COVID-19 que tirou o Auckland por restrições sanitárias, também, afetou o clube, com sete jogadores positivados, que não puderam viajar no dia 29 de janeiro. São 28 horas de voo, então três jogadores ainda podem se juntar ao elenco caso deem negativo para novos testes, pois quatro fizeram teste e conseguiram viajar, segundo imprensa local. Não foram revelados os nomes dos atletas que ficaram no Taiti.

Na temporada, o Pirae é o atual terceiro colocado da liga local, com seis vitórias e duas derrotas. Um dado interessante do Campeonato Taitiano é que a pontuação é diferente, com vitória valendo quatro pontos, empate, dois, e derrota, um ponto.

No elenco, seis jogadores participaram de um período de treinamento em 15 de janeiro como parte da preparação para as Eliminatórias da Oceania, que ocorre em março. São eles: os defensores Matatia Paama, Heirauarii Salem e Alvin Tehau, os meias Heimano Bourebare e Yohann Tihoni e o atacante Roonui Tinirauarii. Desses, Alvin, Bourebare e Alvin estiveram no elenco da Copa das Confederações de 2013, sendo que o autor do histórico gol contra a Nigéria, Jonathan Tehau, também, está no elenco do Pirae e participará de outro momento histórico.

Jonathan e mais dois jogadores participaram dos dois maiores momentos do futebol taitiano (Foto: AP Photo/Bruno Magalhaes)

Vale frisar que alguns atletas do time, que é amador, também fazem parte da forte seleção de futebol de areia. O goleiro Jonathan Torohia é um dos melhores no esporte de praia e esteve nas últimas cinco edições da Copa do Mundo, incluindo as campanhas históricas de 2015 e 2017, quando o Taiti foi vice-campeão. O treinador do clube, Naea Bennett, inclusive, tem uma história inusitada, como bem trouxe o Última Divisão. Ele é mórmon, religião que preserva os domingos, o que fez com que ele se recusasse a participar da final do Mundial de Futebol de Areia de 2015, que caiu nesse dia da semana.

Um nome para o futuro da seleção local é Sandro Tau, um dos artilheiros da equipe na temporada, que causou surpresa por não estar na lista de treinos de janeiro. Ele tem 24 anos, idade boa para pelo menos dois ciclos. Outro taitiano destaque é Axel Williams, 38 anos, o mais experiente do elenco. Para completar, o time tem apenas dois “estrangeiros”: os meias Sylvain Graglia e Benoit Mathon, ambos nascidos na França, sendo que o primeiro se naturalizou taitiano e o segundo está há quatro temporadas no futebol local.

Taticamente, o que se pode esperar do clube é a postura histórica dos clubes da Oceania, com um esquema defensivo tentando algo nos contra-ataques. Se não vier uma grande zebra ou um gol apenas, o fato de estarem nos Emirados é o básico para vermos a história sendo escrita.

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Curtinhas do clube

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– O Pirae nunca teve um brasileiro no elenco. Em compensação, os argentinos Javier Paez e Agustin Dallera jogaram lá na temporada 2013/14

– Como não é surpresa, o confronto contra o Al-Jazira será o primeiro contra um clube de fora da Oceania

– É a primeira vez que o Mundial de Clubes terá jogadores do Taiti. Nenhum representante da Oceania teve jogador do país anteriormente

– Em 2013, o Pirae não tinha nenhum jogador na lista de convocados da Copa das Confederações. Em compensação, daquele elenco, oito atletas jogaram (ou jogam) no clube depois da campanha

– O Pirae joga em um dos melhores estádios da Oceania fora da Nova Zelândia/Austrália, o Pater Te Hono Nui, com capacidade para 11.700 pessoas

—– Relembre os textos do especial que fizemos sobre o Taiti na Copa das Confederações 2013 —–

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