DUAS VAGAS NA UCL: A MAIOR CONQUISTA DO FUTEBOL CIPRIOTA

Se alguém, há seis anos atrás, afirmasse que o Chipre teria direito a duas vagas na Liga dos Campeões da Europa seria taxado de falastrão por muitos e visionário por poucos. Pois bem, o fato é que na temporada 2014/15, o futebol da ilha situada entre Europa e Ásia terá o direito a duas vagas na maior competição de clubes do mundo.

Sem dúvida era inimaginável, mas com o passar das temporadas o bom trabalho feito no futebol cipriota foi se consolidando na Europa.

Em 2008, o futebol local colocou pela primeira vez um clube na fase de grupos da competição: o Anorthosis Famagusta foi o responsável pela façanha. O clube que tinha em seu elenco o meia Sávio, ex-Flamengo, chegou à última rodada com chances de classificação para as oitavas. Ela não veio devido à derrota para o Panathinaikos. A Copa UEFA parecia plausível, mas a Internazionale foi derrotada pelo Werder Bremen, deixando a equipe na última colocação do grupo B.

Sávio disputando a bola com Muntari em pleno Giuseppe Meazza na partida entre Internazionale e Anorthosis.
Sávio disputando a bola com Muntari em pleno Giuseppe Meazza na partida entre Internazionale e Anorthosis.  (Foto: Zimbio)

Após a eliminação ficou a incógnita! Seria um raio, a participação de um clube de um país sem tradição no futebol na Champions League? O Anorthosis focado na UCL deixou o campeonato de lado (terminou em terceiro) e nas mãos do APOEL Nicosia, que teve a missão de demonstrar se o futebol cipriota foi um “raio” ou a liga local estava em estado emergente.

O APOEL correspondeu bem e pela segunda vez consecutiva colocou o Chipre entre os grandes da Europa, mas a campanha desde o começo demonstrou que não haveria chance de classificação. Terminou na lanterna do grupo D, – que contava com Chelsea, Porto e Atlético Madrid – com três pontos, porém a mesma pontuação dos espanhóis.

Em Stamford Bridge, o português Hélio Pinto, então APOEL, disputou bola com o francês Malouda, então Chelsea. (Foto: Zimbio)
Em Stamford Bridge, o português Hélio Pinto, então APOEL, disputou bola com o francês Malouda, então Chelsea. (Foto: Zimbio)

Assim foi provado que algo de interessante acontecia no Chipre, mas em 2010/11, o país não levou ninguém a Champions. Mesmo assim, seu coeficiente foi crescendo.

O estopim aconteceu em 2011/12, com aquela que foi a campanha mais surreal da Liga dos Campeões. O APOEL Nicosia disputou pela segunda vez o certame e deixou para trás na fase de grupos: Zenit St. Petersburg, Porto e Shakhtar Donetsk. Com a primeira colocação garantida despachou o Lyon nos pênaltis e chegou a inesperada quartas-de-final contra o Real Madrid e o “surrealismo”acabou com um placar agregado de 8 a 2.

Festa no Chipre após a classificação do APOEL Nicosia para as quartas-de-final da UCL. (Foto: UEFA)
Festa no Chipre após a classificação do APOEL Nicosia para as quartas-de-final da UCL. (Foto: UEFA)

Todas essas campanhas fizeram com que o Chipre saísse da 23ª posição para a 14ª do ranking de coeficiente da UEFA de 2012/13, que define o número de vagas que cada país terá nas competições organizadas pela entidade.

Ao todo, 15 confederações têm o direito a mais de uma vaga na Liga dos Campeões (fase de grupos e preliminares), com isso a edição atual da liga cipriota dará pela primeira vez duas vagas para a UCL, sem dúvida, a maior conquista do futebol cipriota.

As três participações na Champions vieram acompanhadas de três participações consecutivas na Liga Europa. em 2011/12, o AEK Larnaca foi o debutante; na temporada seguinte, o AEL Limassol quase se classificou para a fase de grupos da Champions, contudo perdeu nos play-offs e “restou” a inédita Liga Europa e na atual temporada, outro feito inédito, dois clubes locais disputaram a fase de grupos da Liga Europa: Apollon Limassol e APOEL Nicosia.

Tudo isso, faz com que a First Division 2013/14 seja a mais importante do futebol local, pelo menos, desportivamente.

O AEL Limassol de Luciano Bebê (centro) é o atual líder da liga cipriota com 33 pontos. (Foto: Facebook AEL)
O AEL Limassol de Luciano Bebê (centro) é o atual líder da liga cipriota com 33 pontos. (Foto: Facebook AEL)

Ao contrário das grandes ligas europeias, o formato do campeonato prevê duas fases. Na primeira, os 14 clubes se enfrentam em turno e returno. Os dois últimos caem diretamente. Os seis primeiros disputam um hexagonal pelo título. Os seis subsequentes continuam com o temor do rebaixamento no hexagonal que define mais dois rebaixados. A partir da próxima temporada serão 12 clubes na primeira divisão, dois clubes sobem para a elite da próxima temporada.

A classificação atual é a seguinte:

CLASSIFICAÇAÕ

Até o final, a disputa será acirrada e tudo isso que foi escrito tem um propósito: estrear o novo espaço do blog destinado a falar do futebol cipriota. Sou fã da liga desde o Anorthosis na UCL, sou fã dos clubes cipriotas. A ideia é que toda segunda-feira (não gosto de cravar um dia exato), o Chipre seja a pauta do blog. Convido a todos a conferir a coluna Futebol Cipriota.

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