“Por que o Mundial Feminino será o mais importante da história?”, por Bianca Machado

Bianca Machado é jornalista e assessora de imprensa do Operário Ferroviário

No dia 7 de junho, o Brasil inicia uma nova história na Copa do Mundo de Futebol Feminino 2019. E, a convite do editor deste site, comecei a refletir sobre o que envolve esta competição para mim.

Não queria trazer para este texto com um suposto clichê, mas, depois de 20 e poucos anos, isso me ajudou a entender muita coisa. Quando eu, a irmã mais velha de três filhos [duas meninas e um menino], nasci, era melhor que tivesse vindo um menino. ‘Mais fácil para cuidar, né? Vai poder jogar futebol, assistir futebol. Menina normalmente não gosta”.

Realmente, nunca levei muito jeito para a prática do esporte. Mas acho que meus pais não imaginavam que a filha escolheria trabalhar com futebol, em um ambiente predominantemente masculino, e buscaria, todos os dias, quebrar barreiras e desconstruir conceitos.

Comecei a acompanhar futebol desde muito nova. Mas, assim como tudo que inicialmente pertenceu somente ao ambiente dos homens, eu sempre acompanhei o futebol masculino e o que meu pai acompanhava. Afinal, para gostar de uma “coisa de homem”, era necessário ter um homem como referência.

E percebo isso até hoje em tudo que faço. Para se ter credibilidade, é necessária a aprovação de um homem. Mesmo se tratando de um esporte praticado também por mulheres, homens para comandar, reportar, transmitir e aprovar.

Este Mundial Feminino será o mais importante da história para mim, porque, mesmo que a pequenos passos e que ainda tenhamos muitos homens como referência em algo que também se tornou nosso, sinto que o espaço das mulheres tem aumentado. E em uma Copa Feminina, isso não pode ser diferente.

Nesta edição, teremos transmissão em TV aberta e mulheres envolvidas nestas transmissões. Porque, para além do interesse do público (que sempre costumou ter o homem como referência), é fundamental abrir espaço e igualdade de oportunidades para que as mulheres participem do espetáculo também fora das quatro linhas.

As grandes marcas, que costumavam dar mais visibilidade e investir no futebol dos homens, também notaram e decidiram contar as incríveis histórias das mulheres da seleção brasileira.

Nas capitais e em outras cidades, como o caso de Ponta Grossa-PR, mulheres se organizam para que bares coloquem telões para que um público cada vez maior, em especial de mulheres, possa acompanhar, torcer e entender que também pode fazer parte disso. Para que este público também se sinta representado.

As mulheres torcedoras do Operário prometem muita festa em meio ao Mundial (Foto: Fernanda Wof/Periódico UEPG)

Esta será a Copa Feminina mais importante para mim, porque eu finalmente entendo que a minha participação, mesmo somente como espectadora, importa. E eu espero que você também entenda.

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