Como os novatos estrearam na Série B neste século?

*Atualizado em 6 de abril de 2025

O sábado, dia 9 de maio de 2015 é um marco na história do Macaé, que pela primeira vez disputou uma partida da Série B. E a estreia não poderia ser melhor. Em casa, a equipe venceu o Santa Cruz, por 2 a 0 e fez história. Mas como foi a estreia de outros clubes pela Série B, incluindo os clubes estreantes que vieram na sequência? Aquele primeiro jogo, o primeiro gol, a primeira vitória…

Para delimitar, a Revista Série Z pegou os estreantes a partir de 2001, já que em 2000, a Copa João Havelange bagunçou as competições nacionais e no fim dos anos 1990, há relatos de viradas de mesas. Também desconsiderou a estreia dos clubes do G-12 que disputaram a Série B, quando foram rebaixados.

2001 – Malutrom

O Malutrom (que se tornou J. Malucelli adiante e atualmente está licenciado) ficou marcado na Copa João Havelange 2000 como o clube que saiu do “último módulo” para chegar à disputa do título brasileiro. Os paranaenses enfrentaram o Cruzeiro nas oitavas de final e foram eliminados.

Na Série B 2001, a equipe estreou em casa, no estádio Pinhão, em São José dos Pinhais, contra o XV de Piracicaba e foi derrotado por 1 a 0, em um domingo, no dia 12 de agosto.

Na segunda rodada marcou seu primeiro gol, contra o Bragantino, mas foi derrotado por 2 a 1. Na terceira rodada, a vitória também não veio, um empate sem gols com o Joinville, em casa. A vitória só chegou na quarta rodada e fora de casa, contra o União São João, por 2 a 1.

O Malutrom permaneceu na divisão, após vencer a Tuna Luso, na repescagem contra o rebaixamento. Porém no ano seguinte desistiu da disputa.

Tcheco ajudou o Malutrom a chegar a Série B e participou do jogo contra o Cruzeiro. (Foto: Valterci Santos)
Tcheco ajudou o Malutrom a chegar a Série B e participou do jogo contra o Cruzeiro. (Foto: Valterci Santos)

2002 – Etti Jundiaí

Atual Paulista, o Etti Jundiaí se beneficiava da parceria com a Parmalat e foi assim que se sagrou campeão da Série C em 2001.

O primeiro gol e a primeira vitória só vieram na terceira rodada, com o 1 a 0 contra o Ceará, em Fortaleza. Nas duas primeiras rodadas, duas derrotas para o Criciúma (2 x 0) e Avaí (1 x 0).

Na época, a competição tinha duas fases. Na primeira fase, terminou na sétima colocação e se classificou para o mata-mata. Nas quartas, eliminou o Sport Recife, mas parou no Fortaleza nas semifinais.

O clube ficou até 2007 na segunda divisão. Um ano antes do rebaixamento, brigou até a última rodada pela vaga na elite nacional, mas não conseguiu. Em 2006, aliás, a equipe disputou a Libertadores, devido ao título da Copa do Brasil de 2005.

A camisa do Etti Jundiaí na campanha de 2002.
A camisa do Etti Jundiaí na campanha de 2002.

2003 – Brasiliense e Marília

Campeão e vice da Série C 2002, Brasiliense e Marília estrearam juntos na Série B 2003, ano marcado pela presença de Palmeiras e Botafogo.

O Marília não esperou muito para conseguir a primeira vitória. Logo na estreia, a equipe derrotou a Anapolina, por 2 a 0, no Bento de Abreu. O Brasiliense viu a sua frente, o Palmeiras na primeira rodada e conseguiu um empate por 1 a 1. A primeira vitória veio na terceira rodada contra o Joinville, 2 a 0 no Serejão. Antes, a equipe perdeu para o Mogi Mirim, por 2 a 0.

As duas equipes conseguiram vaga na segunda fase, o Brasiliense em quinto e o Marília em sétimo. O Marília foi mais longe. No grupo que tinha o Botafogo, a equipe ficou em primeiro, enquanto o Brasiliense terminou com um ponto a menos que o classificado Sport Recife. No quadrangular final, a equipe paulista conquistou três empates, terminando na última colocação.

O Brasiliense foi campeão em 2004 e participou da Série A 2005, quando foi rebaixado. O Jacaré permaneceu na divisão até 2010. O Marília fez boas campanhas até 2007. Em 2008, acabou rebaixado.

2004 – Ituano

Em 2004, o único estreante foi o Ituano. A estreia no segundo escalão foi em casa, contra o Brasiliense, e o primeiro gol saiu na primeira partida, mas em um empate: 1 a 1. Na segunda rodada, empate sem gols com o CRB. Na terceira rodada, a primeira vitória: 1 a 0 no Caxias.

Na primeira fase, a equipe ficou em quarto lugar e se classificou para a etapa seguinte. No grupo A, ao lado de Brasiliense, Santa Cruz e Fortaleza, chegou na última rodada, na liderança, com oito pontos (Brasiliense, sete; Santa Cruz, seis e Fortaleza, cinco) e precisando de apenas um empate em casa, contra o Fortaleza. Resultado: vitória do tricolor cearense por 2 a 0 e empate no outro jogo. O Ituano, assim, foi eliminado pelo saldo de gols. O Ituano ficou na Série B até 2007, quando foi lanterna e rebaixado. Em 2022, retornou à divisão.

2005 – União Barbarense

Subiu e caiu. Foi assim com o União Barbarense. Do frescor do título da Série C 2004 para o rebaixamento de 2005. O União estreou com vitória: 2 a 0 sobre o Náutico, que na última partida protagonizaria a Batalha dos Aflitos.

Foi a única participação da equipe na segunda divisão, que terminou em 20º lugar dos 22 clubes, com seis vitórias, seis empates e nove derrotas.

2007 – Ipatinga e Grêmio Barueri

Na época, dois emergentes do futebol brasileiro. O Ipatinga dois anos antes se sagrava campeão mineiro, enquanto o Barueri disputou o Campeonato Paulista Série A1 pela primeira vez.

Na estreia, as duas equipes garantiram a primeira vitória na história dos clubes na Série B e ambas por 2 a 1. O Grêmio Barueri entrou em campo em uma sexta-feira no Parque Antártica e venceu o Remo, enquanto que no sábado, os mineiros venceram o Santa Cruz.

O Barueri permaneceu na divisão sem problemas, com 51 pontos e na 13ª colocação. O Ipatinga foi além: garantiu o acesso a Série A e por pouco não ficou com o título. A equipe venceu a última partida fora de casa contra o Paulista, por 5 a 2. Até os 47 minutos do segundo tempo do jogo entre Coritiba e Santa Cruz, que estava empatado, o título era mineiro, mas Henrique Dias desempatou a partida: 3 a 2.

A equipe mineira disputou mais três edições da segunda divisão: 2009, 2010 e 2012. O Barueri subiu no ano seguinte, mas diferente do Ipatinga, ficou por duas temporadas na Série A. Em 2011, voltou a Série B e um ano depois foi rebaixado.

2009 – Duque de Caxias

Em um dos jogos mais alternativos da “Série B moderna”, o Duque de Caxias, fora de casa, garantiu a primeira vitória contra o Campinense, por 2 a 1, logo na primeira rodada.

Marcado pelos baixos públicos como mandante, o Duque começou irregular, mas com a chegada de Gilson Kleina ao comando da equipe, a equipe deu uma arrancada e conseguiu permanecer na divisão sem sufocos – e chegou a sonhar com um impensável acesso. Em 2010, se manteve na divisão, mas foi rebaixado em 2011.

2010 – Guaratinguetá e Icasa

Do meio para o final da primeira década do século, Icasa e Guaratinguetá acumularam boas participações nos Estaduais. O Verdão do Cariri foi vice-campeão cearense em 2005, 2007 e 2008, enquanto o Guaratinguetá foi finalista do Paulista em 2008. Sendo assim, foram acessos naturais para a Série B.

O Icasa está na nossa lista, pois se trata de um clube diferente do Icasa EC, fundado em 1963 e que foi campeão dividido do Cearense 1992. O ADRC Icasa foi fundado em 2002 para refazer a história de um nome vencedor. Na Série B 2010, o time demorou para vencer a primeira partida. Estreou com derrota, em casa, para o Santo André, por 2 a 1. A vitória chegou na quarta rodada, contra o Sport, por 2 a 1, na Ilha do Retiro.

Já o clube do Vale do Paraíba estreou, em casa, com vitória por 3 a 0, contra o Duque de Caxias. A campanha foi difícil. Até a última rodada, a equipe lutou para não ser rebaixada. Com uma vitória heroica por 3 a 2, contra o campeão daquela edição, o Coritiba, fora de casa, se salvou do rebaixamento.

Em 2011, mudou de cidade e nome, se tornou Americana e lutou até o final pelo acesso, com Dodô no elenco. Em 2012, volta à Guaratinguetá e luta contra o rebaixamento, que veio em 2013.

2011 – Salgueiro e Boa Esporte

Um subiu e caiu. O outro, subiu e mudou de nome. O Salgueiro em 2011 teve a oportunidade de ser a terceira força de Pernambuco, já que o Santa Cruz estava na Série D. O Boa Esporte garantiu o acesso como Ituiutaba, mas devido a capacidade do estádio se mudou para Varginha e também de nome.

Na primeira rodada, o Salgueiro empatou “em casa” (jogou em Paulista) com o São Caetano por 1 a 1, enquanto o Boa perdeu na nova casa por 2 a 0, para o Paraná. A primeira vitória do Boa Esporte veio na segunda rodada, contra o São Caetano, por 2 a 0. Já o Salgueiro, conseguiu outro empate, dessa vez contra o ABC (1 a 1). A primeira vitória veio na terceira rodada, contra o Duque de Caxias, 2 a 0.

O Salgueiro foi rebaixado, com o penúltimo lugar, enquanto que o Boa, chegou a estar na elite em certo momento da última rodada, mas não garantiu a vaga. Após idas e vindas na Série B, o clube deixou a divisão em 2018 para começar a derrocada.

2013 – Oeste

O acesso à Série B já foi uma surpresa, que só melhorou com o título da divisão. A equipe permaneceu na divisão até 2020, com apenas uma campanha onde não lutou contra o reabixamento.

A primeira vitória na Série B veio na terceira rodada da edição de 2013, contra o Paraná, por 1 a 0. Antes da “conquista”, dois empates por 1 a 1, contra Avaí e Chapecoense.

2014 – Luverdense

O Luverdense recolocou o Mato Grosso na segunda divisão nacional. A equipe bateu na trave em algumas edições da Série C até que conseguiu a vaga.

A subida de divisão foi comemorada. Tanto que no dia do acesso, o então presidente do clube, Helmute Lawisch, disse que Lucas do Rio Verde iria receber o Vasco, que na época não havia confirmado o rebaixamento.

Bom, o jogo com o Vasco não foi em Lucas do Rio Verde, e sim na Arena Pantanal, local do primeiro gol e vitória do clube alviverde, na segunda rodada: 2 a 1. Na primeira rodada, a equipe havia empatada sem gols com o Vila Nova.

O clube chegou a ficar no G-4 por algumas rodadas, mas caiu de produção e lutou contra o rebaixamento nas últimas rodadas, mas se livrou. Em 2017, foi rebaixado.

2015 – Macaé

O Macaé começou a escrever a história do clube na Série B com vitória por 2 a 0 contra o Santa Cruz. O começo foi animador, chegando a ocupar o G-4, mas não teve fôlego.

Chegou na última rodada dependendo de si, mas perdeu para o Ceará na última rodada. Teve boas chances de escapar com antecedência, mas vacilou. Ficou apenas uma temporada na Série B e agora se encontra sem divisão.

2019 – Cuiabá

Após uma temporada sem clubes na divisão, Mato Grosso voltou a ter representante com o Cuiabá. Desde 1989 que a capital não tinha uma equipe na divisão (desconsiderando o Operário de Várzea Grande, que joga em Cuiabá, mas tem sede no município da região metropolitana), quando Mixto e Dom Bosco participaram do campeonato.

Não demorou para o Dourado comemorar a primeira vitória na Série B. Logo na estreia, a equipe, fora de casa, enfrentou o Criciúma e venceu por 1 a 0, com gol no último minuto marcado por Junior Todinho. No ano seguinte, o Cuiabá conquistou o acesso. Só voltou à Série B em 2025.

2022 – Tombense e Novorizontino

Um dos grupos da segunda fase da Série C 2021 teve quatro clubes que nunca disputaram a Série B: Tombense, Novorizontino, Manaus e Ypiranga. Então, era certo que teríamos dois debutantes na segunda divisão de 2022. O Tombense deixou de ser conhecido meramente com um clube para registrar jogadores para equipes maiores e se fortaleceu. Já o Novorizontino recolocava a cidade de Novo Horizonte no escalão, pois se trata de um clube diferente do Grêmio Esportivo Novorizontino, que disputou a Série B em 1989, 1991 e 1995.

As duas equipes lutaram até a reta final da competição contra o rebaixamento. Apenas o Tombense estreou na primeira rodada, de fato, pois o jogo entre Novorizontino e CRB foi adiado devido a final do Campeonato Alagoano. Os mineiros empataram em 1 a 1, em Muriaé, contra o Operário. A primeira vitória veio apenas na 9ª rodada: 1 a 0 no Bahia.

Na segunda rodada, dia 12 de abril, foi a vez do Novorizontino estrear. Empatou sem gols com o Vila Nova. Por coincidência, a primeira partida veio contra o CRB, no jogo remarcado. Os paulistas fizeram 3 a 1 nos alagoanos.

2023 – Mirassol

Estreante da Série A em 2025, o Mirassol ficou apenas dois anos na Série B até a maior conquista da história do clube. O Leão lutou pelo acesso até a última rodada. A primeira vitória veio logo na estreia: 1 a 0 na Chapecoense, em casa, com gol de Gabriel.

2024 – Amazonas

Após 18 anos, o estado do Amazonas voltou a ter um representante na Série B. O acesso meteórico do Amazonas FC veio com título da Série C. A ascensão foi tão grande, que a equipe tem mais participações na Série B (2024 e 2025) do que na C (2023) ou D (2022).

Nas três primeiras partidas, a Onça perdeu, empatou e perdeu novamente. A primeira vitória foi histórica. Na primeira vez que enfrentou o Santos na história, Ênio fez o gol da vitória pelo placar mínimo. O clube fez campanha tranquila e permaneceu na divisão sem sustos.

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