Volante prefeito, goleiro de boné eleito e tetracampeão do mundo fora: o desempenho dos boleiros nas Eleições Municipais de 2024

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*Atualizado em 8 de outubro de 2024, às 22h

Um puxador de votos! É com essa característica que muitos partidos políticos procuram jogadores aposentados (ou em atividade) para disputarem as eleições. Porém, sem um trabalho de base, com aposta apenas no nome, o insucesso é a regra nas apurações pelo Brasil que envolvem boleiros.

Em 2024, a Revista Série Z, com a ajuda dos redatores-colaboradores, encontrou mais de 30 nomes de boleiros, entre jogadores, treinadores e árbitros, que disputaram as Eleições Municipais de 2024. O número seria bem maior se considerássemos dirigentes, que também tiveram mais insucessos do que vitórias.

Cinco ex-jogadores foram reeleitos. Em 2020, nós trouxemos as histórias de Paulista, Fabião e Renato Santiago e eles voltarão às Câmaras Municipais para o próximo quadriênio.

Paulista, conhecido no futebol como Wellington, foi zagueiro do América Mineiro e Caldense em 2002 e 2003, respectivamente. Fincou estadia em Poços de Caldas, em Minas Gerais, e foi reeleito vereador, pelo PSDB, com a maior votação do pleito: 3.049 votos.

Em São José dos Campos, dois ex-jogadores do São José, novamente foram eleitos: Fabião Zagueiro (PSD), segundo mais votado, e Renato Santiago, pelo União Brasil. Fabião, que vai para o segundo mandato, foi zagueiro do São José em 1996, 1997 e 1999 e esteve no elenco que conquistou o acesso à Série A1 em 1996. Já Renato é um dos principais atacantes deste século no clube, com quatro passagens.

Em Rio Brilhante (MS), com 83,66%, Lucas Foroni, do MDB, foi reeleito prefeito da cidade. Ele jogou por três anos na seleção estadual de basquete e atuou no futebol profissional pelo Sete de Dourados, em 2014, e Maracaju, em 2019. Um ano depois de se aposentar, ele se elegeu prefeito aos 25 anos. Agora, com 29, terá mais um mandato.

Em Sarzedo, em Minas Gerais, o ex-defensor Estevam, campeão da Série B 1997 pelo América-MG, com mais de 300 jogos pelo clube, foi reeleito vereador na cidade.

Outros dois eleitos saíram de uma chapa ruim em 2020 para entrarem em um melhor cenário. Há quatro anos, Paulo Almeida (Santos – Itarantim-BA) e Bugrão (Grêmio Maringá – Sarandi-PR) ficaram entre os mais votados para o cargo de vereador, mas não atingiram o quociente eleitoral e ficaram sem vaga. Para 2024, Paulo Almeida se filiou ao Avante e Bugrão ao PSDB, a situação mudou e foram eleitos.

Para completar o cenário de 2020, três jogadores não se reelegeram. Ainda ativo no futebol, Vinícius, goleiro do Remo, perdeu em Belém. Agnaldo, o Guina, ex-Vitória, Corinthians, Grêmio e Brasiliense, não venceu em Paranacity-PR, enquanto Ney Santos, que se candidatou como Ney Maruim, não voltou à Câmara de Maruim. Ele tem passagens pelo Confiança, Sport e sete anos de futebol português, sendo seis temporadas no Vitória de Setúbal.

Os novos eleitos

Léo Medeiros ficou conhecido no futebol quando defendeu o Ipatinga na década de ouro do clube no início do século. Foi campeão mineiro de 2005 e no ano seguinte acertou com o Flamengo. Aposentado há dez anos, o ex-volante aceitou o desafio de ser candidato a prefeito de Recreio (MG), cidade onde nasceu, pelo PT. Ele teve 3.430 votos, 156 a mais que o oponente e se elegeu para o primeiro mandato. 

Dois goleiros se elegeram vereadores. Wallef Mendes, o goleiro de boné, que ficou conhecido quando defendia o Afogados, que eliminou o Atlético Mineiro na Copa do Brasil 2020, venceu a eleição em São José do Calçado, no Espírito Santo. Neste ano, ele defendeu o Potyguar Seridoense no Campeonato Potiguar. Com carreira que varia entre o futebol capixaba e clubes nordestinos, ele deve se assentar na região para manter as duas atividades.

O interminável Marcelo Pitol foi formado no Grêmio. Aos 42 anos, jogou a primeira e segunda divisão do Campeonato Gaúcho deste ano. De São Leopoldo, ele atuou no Aimoré, clube da cidade, por cinco temporadas, incluindo a atual. Com toda essa história resolveu entrar na política e deu certo. Pelo PSD, foi o sexto vereador mais votado.

Em Curitiba, Renan Ceschin também foi eleito vereador. Nascido na cidade, o ex-meia teve uma carreira de pouco menos de dez anos sem grande destaque. Foi formado no Coritiba e a melhor temporada dele foi pelo Paraná, em 2007, quando fez 12 partidas. O mais curioso é que ele era vereador em Pinhais, município vizinho da capital paranaense.

Renan Ceschin com a camisa do Paraná

Os insucessos dos candidatos da bola

Ser ídolo não é o bastante para conseguir ser eleito. Nomes conhecidos no futebol ficaram pelo caminho na disputa. O nome mais pesado é de Bebeto, tetracampeão do mundo, que já foi deputado estadual no Rio, mas que perdeu a disputa de vereador na capital. Outros ídolos (ou bem reconhecidos) também foram mal na urnas: Pimentinha (Sampaio Corrêa – São Luís), Leandro Souza (CSA – Maceió), Jacozinho (CSA – Maceió), Netinho (AA Altos – Altos), Max (América – Natal), Têti (Cabofriense – Cabo Frio) e Domingos (Santos – Santos) não tiveram sorte na disputa.

Em Olho d’Água das Flores, em Alagoas, o treinador Alysson Dantas tentou a eleição para prefeito, mas perdeu. Ele que comandou o Petrolina na Série D 2024. Em Pouso Alegre, Paulo da Pinta, ídolo do clube local, não se elegeu, mas ficou como segundo suplente do PSD.

A situação de outros candidatos “esportistas”

– Em Porto Alegre, o ex-árbitro Márcio Chagas, do PT, não se elegeu, mas ficou como primeiro suplente para vereador

– O ex-árbitro Oscar Roberto Godói, pelo Republicanos, não foi eleito vereador em São José do Rio Preto

– O jornalista esportivo Jasson Goulart, com anos de RPC (afiliada da Globo), onde apresentou o Globo Esporte e foi narrador, foi o vereador mais votado em Curitiba

– O ex-jogador de futebol de areia, Bruno Malias, foi eleito vereador em Vitória, pelo PSB

– Kelly do Basquete, pelo Podemos, recebeu apenas 310 votos no pleito de vereador de São Paulo

– Tandara Caixeta também não se elegeu como vereadora em São Paulo

– Ex-lutador do UFC, Felipe Sertanejo, foi mais um não eleito na capital paulista

– Rodrigão, campeão olímpico de vôlei em 2004, foi eleito vice-prefeito em Praia Grande

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