Conhecida por ser imprevisível, a edição 2024 teve poucas surpresas pensando nas posições dos clubes na primeira fase. Os oito quadrifinalistas vieram de apenas quatro grupos (A3, A4, A5 e A7) e todos terminaram na primeira e segunda colocação das chaves. Para se ter ideia desse domínio, as oitavas tiveram apenas um clube que terminou fora das duas primeiras posições da fase de grupos.
Porém, antes da disputa, os clubes apareciam em prateleiras diferentes no nosso Guia da Série D 2024. Maringá, Retrô e Treze eram favoritos dentro da Sul e Nordeste. O Itabaiana vinha logo abaixo na relação regional, enquanto o Iguatu vivia “um limbo entre a boa campanha e cumprir tabela”, sendo que a primeira opção venceu. Anápolis conseguiu o “algo a mais” que faltava e a Inter de Limeira era bem cotada a estar aqui entre os paulistas da disputa. O Brasiliense vinha abaixo, mas a mudança na política de contratações vislumbrava coisas melhores, apesar da grande pressão que tinha (e tem).
Dessa vez, não há nenhum confronto que definiria um debutante na Série C 2025 e também não haverá nenhum clube que perdeu a disputa do acesso em 2024 (Maranhão, Sousa, Portuguesa e Bahia de Feira) tentando manter a lógica de perder o acesso em um ano e subir no outro. As quartas terão um jogo que marca um reencontro, dois confrontos de peso (pelo contexto ou tradição) e um bem alternativo.
Neste especial, você confere todas as informações necessárias sobre os confrontos, incluindo os pontos fortes e fracos de cada participante, o retrospecto, a última Série C, o histórico no jogo do acesso (novidade desta edição), a relação das vagas para a Série D 2025 e os jogadores de cada elenco que contam com acessos na divisão.

O reencontro
Escrever sobre esse confronto é voltar à sétima e oitava rodada da primeira fase. O Maringá venceu a Inter, em casa, por 1 a 0, e a segunda partida terminou empatada (2×2). Naquele momento, as duas equipes estavam com 17 pontos. Depois disso, os clubes seguiram caminhos distintos. O Maringá fez 27 pontos desde então com a garantia da liderança e no mata-mata são quatro vitórias contundentes. Já a Inter teve uma queda de desempenho e somou 13 pontos daquele jogo para o reencontro. O mata-mata teve percalços ao se classificar nos pênaltis contra o Avenida e garantir a presença no jogo do acesso com uma vitória fora de casa. Por um lado, o Maringá tem a consistência e o desempenho como trunfos para o reencontro, mas por outro, a Inter tem a motivação da revanche, que significaria o acesso.
Retrospecto: Nas duas últimas edições da Série D, as equipes se enfrentaram na primeira fase. São duas vitórias do Maringá, um empate e um triunfo da Inter. Todos os jogos com vencedor terminaram em 1 a 0
Histórico no jogo do acesso: é a primeira aparição das duas equipes nas quartas
Última Série C: o Maringá nunca disputou a divisão, enquanto a última aparição do Leão foi em 2003
Série D 2025: os dois têm vaga para a disputa. Em caso de acesso do Maringá, o Cianorte assume a vaga. Se for a Inter, o rebaixado Santo André disputa a edição futura
Jogadores com acesso:
- Maringá: nenhum
- Inter de Limeira: Cesinha (São Bernardo – 2022), Alysson Dutra (Ferroviária – 2023), Marlon (Caxias – 2023) e Vinícius Almeida (Novorizontino – 2020)
Pontos fortes e fracos | Ivaldo Maciel (CBN Maringá)
Os pontos fortes são o poder de recuperação rápida na posse de bola, time solidário, bom preparo físico, transições rápidas e peças de reposição no mesmo nível dos titulares. Todos os jogadores vivem uma grande fase. Ponto fraco seria controlar a força mental por se tratar de uma equipe jovem.
Pontos fortes e fracos | Ruben Fontes (1902 Futebol)
A campanha da Inter de Limeira se mostrou sólida defensivamente durante a competição. Mesmo com a mudança de técnico no meio do campeonato (Júnior Rocha por Felipe Conceição), o time conseguiu manter o padrão que vem desde o Paulistão e sofreu apenas oito gols em 18 jogos (o menor número entre os oito times que sobraram). Por outro lado, o ataque vem deixando a desejar desde o returno da primeira fase (apenas cinco gols nas últimas nove partidas). Contra um adversário que já enfrentou na competição e tem a melhor campanha, é de se esperar que a Inter aposte em “placares magros” e não descarte uma decisão por pênaltis.

O peso do contexto
Mesmo que o discurso das duas equipes fosse de “não escolhemos adversários” quando confirmaram a classificação, nem Brasiliense e Retrô queriam esse confronto para definir o acesso. As duas equipes carregam um peso que torna o confronto o mais esperado dessas quartas. O Brasiliense demorou 11 anos para voltar ao jogo do acesso e quando chega é com muita pressão. Se não subir, ficará sem divisão em 2025. Para o Retrô, a pressão é pelos investimentos massivos que faz na disputa, mas sem sucesso. Vindo do Grupo A5, há um pé atrás sobre a real força do Brasiliense, mas por outro lado, o 9 a 1 no agregado contra o Brasil de Pelotas dá um moral enorme ao Jacaré. Pelo lado do Retrô, o time passou por problemas na primeira fase até se firmar, porém teve “duas finais antecipadas” no mata-mata com classificação nos pênaltis. Sendo assim, será um confronto pesado pelos investimentos recentes das equipes.
Retrospecto: nunca se enfrentaram
Histórico no jogo do acesso: Brasiliense disputou em 2014, ao perder para o Brasil de Pelotas, enquanto o Retrô estreia na disputa decisiva
Última Série C: o Brasiliense disputou pela última vez em 2013. O Retrô nunca disputou
Série D 2025: apenas o Retrô tem vaga na próxima. Se subir, o Central assume a vaga
Jogadores com acesso:
- Brasiliense: Netinho (ABC – 2021), Gui Mendes (Ituano/2019 e Athletic/2023) e PH (Athletic – 2023)
- Retrô: Darley (Tombense – 2014), Lucas Silva (Tombense/2014 e Mirassol/2020), Alex Reinado (São Bernardo – 2022) e Michel Bennech (Campinense – 2021)
Pontos fortes e fracos | Rener Lopes (Esportes Brasília)
O Brasiliense tem como pontos positivos o ataque, que é um dos maiores da quarta divisão, e a linha de meio-campo, que foi fundamental nos avanços de fase até aqui. No entanto, a linha de defesa é um fator de atenção, uma vez que, em um dos jogos classificatórios, a defesa do Jacaré acabou falhando em dois gols dos adversários.
Pontos fortes e fracos | Victor Cavalcanti (Futebol de Raízes)
O Retrô entra em seu primeiro mata-mata de acesso à Série C com credenciais sólidas e grandes expectativas. A equipe, que demonstrou uma evolução significativa em termos de força mental ao longo do último ano, destaca-se pela consistência de um elenco bem estruturado e pontualmente reforçado. Essa base sólida, combinada com a capacidade de se manter competitiva em momentos decisivos, posiciona o Retrô como um sério candidato ao acesso na Série D, competição na qual, em muitas edições, o acaso apareceu como fator determinante para impedir ou garantir o acesso de vários clubes. Apesar disso, a trajetória rumo à Série C promete ser desafiadora. Embora o Retrô apresente um desempenho dominante na Arena de Pernambuco, onde controla a maior parte das partidas, a equipe ainda encontra dificuldades em reproduzir este desempenho fora de casa, especialmente em jogos que exigem longos deslocamentos. A inconsistência como visitante, aliada à oscilação defensiva — sendo a pior defesa entre os classificados, ao lado do Itabaiana, com 15 gols sofridos —, representa uma ameaça ao objetivo de acesso dos pernambucanos. Ciente desses desafios, o Retrô encara o mata-mata determinado a garantir a vaga na Série C, consciente de seu potencial, mas igualmente atento à necessidade de corrigir suas falhas para alcançar a tão sonhada vaga na terceira divisão.

O peso da tradição
Se o jogo anterior tem um peso pelo contexto, Treze e Itabaiana fazem o jogo mais pesado em tradição desta fase. Até chegarem nas quartas, os dois passaram por caminhos parecidos, mas com desempenhos diferentes. O Treze teve apenas um momento de risco de perder a liderança do Grupo A2, enquanto o Itabaiana viu o vice-líder no retrovisor por muitas vezes. Isso é demonstrado no desempenho ofensivo. Os paraibanos fizeram 34 gols e o Itabaiana fez 27. No mata-mata, dentre os quadrifinalistas, os sergipanos foram quem mais sofreram para chegar até esse momento: perdeu a primeira partida contra o Atlético Cearense e saiu atrás nas duas partidas contra o Porto Velho. O Treze parecia com campanha tranquila, mas o susto dos dois gols do Altos, dentro de casa, acenderam o alerta. Uma boa semelhança é que as defesas se equivalem bem (Treze 12×15 Itabaiana).
Retrospecto: apesar de tradicionais, os clubes se enfrentaram apenas seis vezes: Série C 1998, Série C 2005 e Série D 2018. São três vitórias do Treze, dois empates e uma vitória do Itabaiana
Histórico no jogo do acesso: o Treze disputou em 2011 e 2018. Subiu nas duas oportunidades, mas em 2011 foi pelo meio jurídico. Já o Itabaiana chega para o terceiro mata-mata (2016 e 2019), mas sempre bateu na trave
Última Série C: os dois clubes participaram da terceira divisão, mas em momentos diferentes. O Treze esteve na era moderna da competição por cinco vezes, sendo a última em 2020. Já o Itabaiana apareceu pela última vez em 2005, quando a competição era o último nível da pirâmide
Série D 2025: se o Treze subir, a vaga ficará com o Serra Branca – que debutaria na disputa. O Itabaiana não tem vaga para a edição
Jogadores com acesso:
- Treze: Wallace Pernambucano (América-RN/2022 e Confiança/2014), Igor Rayan (Ferroviário – 2023), Thiago Alagoano (Brusque – 2019), Carlos Copetti (Treze/2018 e Tombense/2014), Airton (Brusque – 2019), Juninho (América-RN – 2022) e Pilar (Feroviária – 2023)
- Itabaiana: Leílson (Brusque/2019 e Treze/2018), Tarcísio (Ferroviário – 2023) e Kadu Barone (Ferroviário – 2023)
Pontos fortes e fracos | Élison Silva (Nosso Futebol, Quarta Categoria e Voz da Torcida)
Confirmando o que se esperava desde os primeiros jogos da fase de grupos, o Treze chega ao mata-mata do acesso buscando o êxito que já conseguiu em 2018, quando foi vice-campeão do torneio. Capitaneado por Waguinho Dias, que venceu a Série D pelo Brusque em 2019, o Galo da Borborema tem como ponto forte o poderoso ataque formado pelo veterano Wallace Pernambucano, além de Thiago Alagoano, que já marcou sete gols, e Thiaguinho, que divide a artilharia da atual edição com Ari, do Atlético-CE, cada um com 9 gols anotados. Porém, a defesa pode ser o problema. Com Naylhor sem previsão de retorno na competição, antes do jogo da volta contra o Altos o alvinegro ainda perdeu o lateral-esquerdo Airton e o zagueiro Milani, que podem causar preocupação caso não se recuperem, pois fará o time atuar com mais da metade da linha defensiva que não vinha atuando regularmente. A torcida, que vem lotando o Amigão, é outro grande trunfo trezeano.
Pontos fortes e fracos | Eduardo Costa (Canal Eduardo Costa)
Um ponto muito forte do Itabaiana é a resiliência – palavra que por vezes é banalizada, mas cabe para o Tricolor. A equipe teve que virar diversas situações no mata-mata. Na fase 16-avos, perdeu a ida para o Atlético Cearense e buscou em casa; nas oitavas, esteve perdendo nos dois jogos contra o Porto Velho e reverteu. Além disso é um time que usa muito a velocidade pelos lados com Leílson, Cleiton e Kadu Barone. Em compensação, o que pesa negativamente é a transição defensiva: a maioria dos gols sofridos neste mata-mata foram em contra ataques rápidos dos rivais. O Itabaiana é um time que precisa da intensidade a todo momento, e quando desliga em alguns momentos, acaba sendo punido.

O confronto mais alternativo
Não é nenhum desrespeito aos outros confrontos, mas Iguatu e Anápolis é o jogo mais legal das quartas, a cara da proposta da Revista Série Z. Com apenas três pontos de diferença, esse é o único confronto das quartas que reúne dois vice-líderes da primeira fase. O Iguatu teve mais concorrência no Grupo A3, mas garantiu a posição com muito mérito e tem uma campanha de nove vitórias em nove jogos como mandante, a melhor entre os quadrifinalistas. Para o futebol cearense, a chegada nesta fase já demonstrou que não se resume a capital ter projetos ascendentes. Pelo lado do Anápolis, a força deve vir da volta ao estádio Jonas Duarte, já que teve que disputar algumas partidas em Aparecida de Goiânia, terra da Aparecidense, que pode cair, mas ter o acesso do Galo para manter o futebol goiano com quatro times na ‘elite dos 60 clubes divisionados’.
Retrospecto: nunca se enfrentaram
Histórico no jogo do acesso: primeira aparição nas quartas
Última Série C: o Anápolis teve a última aparição em 2008, enquanto o Iguatu nunca participou
Série D 2025: Barbalha ou Goianésia assume a vaga em caso de acesso do conterrâneo
Jogadores com acesso:
- Iguatu: Júlio Ferrari (Altos – 2021), Mauro Iguatu (Campinense/2021 e Treze/2018), Thiaguinho (Ferroviário – 2013), Dudu (Floresta – 2020), Luis Soares (Ferroviário/2018 e Floresta/2020) e Geferson (Atlético Cearense – 2021)
- Anápolis: Marcão (Caxias – 2023), Zotti (Brasil de Pelotas – 2014) e Neto (Londrina – 2014)
Pontos fortes e fracos | Thiago Oliveira (IguaTV)
O time do Iguatu, o Azulão do Centro Sul, tem alguns pontos fortes que precisam ser destacados: Há duas temporadas que essa equipe é muito aguerrida e vem brigando por grandes coisas que ficarão por muito tempo em sua história. Uma diretoria correta e que paga rigorosamente em dia, condiz com um time sempre motivado. Mas falando das quatro linhas, o Iguatu vem sendo um time muito intenso e se destaca por sua disposição física. Mas o maior ponto positivo é o fator casa. O time tem 100% de aproveitamento quando é mandante e sofreu apenas 2 gols em toda a competição no estádio Morenão. Em contrapartida, o ponto fraco do Azulão tem sido a falta de pontaria e os poucos gols marcados. A maioria das vitórias da equipe tem sido por apenas um gol de diferença. Mas esse ponto fraco tem uma esperança de fim, já que na última partida contra a equipe do Manaus, Otacílio Marcos, um dos maiores artilheiros da história do Iguatu, desencantou e marcou dois gols.
Pontos fortes e fracos | Marcos Barcelos (Quarta Categoria)
O Anápolis foi se tornando um time “cascudo” no mata-mata da competição, ano após ano. Em 2022, caiu no primeiro mata-mata após decisão por pênaltis. Em 2023, caiu nas oitavas diante da vice-campeã Ferroviária. Neste ano, após demonstrar força diante do Itabuna e explorar as deficiências do Cianorte no jogo de ida, o Galo da Comarca chega ao mata-mata do acesso. O principal desafio do Galo da Comarca será vencer o jogo de ida em seus domínios. Embora o Iguatu tenha a pior campanha como visitante, o Anápolis é o pior mandante dos oito quadrifinalistas, com quatro vitórias, quatro empates e uma derrota. Um resultado ruim em casa significará jogar a partida mais importante de sua história recente contra o melhor mandante da Série D, ao lado do Maringá: nove vitórias em nove jogos.
Confira os horários das partidas
Ouça o episódio especial do Quarta Categoria sobre os confrontos das quartas da Série D
