Quênia, Jamaica e Etiópia são potências olímpicas específicas. O quadro de medalhas geral de cada uma das nações tem dominância do Atletismo. O caso da Etiópia é marcante, pois todas as 62 medalhas foram conquistadas na modalidade. Para Quênia e Jamaica, o Boxe e o Ciclismo, respectivamente, são as únicas exceções a regra na história das Olimpíadas.
A Jamaica tem 94 medalhas olímpicas, sendo apenas uma que não foi conquistada no Atletismo. Em Moscou 1980, David Weller se tornou o único atleta a furar a bolha. Ele vinha de bons resultados em Jogos Pan-Americanos com duas pratas. Chegou nas Olimpíadas como possível azarão e conquistou a medalha de bronze na prova de 1 km contrarrelógio do Ciclismo de Pista.

Em comparação com os jamaicanos, o esporte que “furou a hegemonia” do Atletismo no Quênia teve mais sucesso. O boxe queniano conquistou sete das 124 medalhas olímpicas do país africano que tem uma proliferação de talentos em provas de meio-fundo e fundo.
Dessas medalhas, apenas uma é de ouro. Robert Wangila se tornou um símbolo esportivo pela conquista e pelo fim trágico que teve. Em 1987, ele foi campeão africano em Nairóbi, capital queniana. Wangila não tinha um histórico de conquistas em mundiais. A disputa das Olimpíadas de Seul 1988 do peso meio-médio teve muitas renovações em relação à 1984 e ao Mundial de 1986. Para muitos, o confronto, nas quartas, entre o campeão mundial Kenneth Gould, dos Estados Unidos, e o medalhista de bronze em 1984, Joni Nyman, da Finlândia, definiria a medalha de ouro. Gould venceu, mas foi eliminado na semifinal. Wangila ganhou a outra disputa e se garantiu na final contra o francês Laurent Boudouani, quando venceu por nocaute.

Nascido em 1966, ele teve um fim trágico. Em 1994, aos 27 anos, durante uma luta, recebeu diversos golpes do oponente, criticou a decisão da arbitragem em parar a luta, mas entrou em coma logo depois e teve morte confirmada 36 horas após o final da disputa.
O país conquistou outras seis medalhas na modalidade, sendo uma de prata e cinco de bronze. O maior medalhista queniano no Boxe é Philip Waruinge, que ganhou a prata em Munique 1972 e bronze em Cidade do México 1968. A lista de medalhistas de bronze é completada por Samuel Mbugua (Munique 1972), Dick Murunga (Munique 1972), Ibrahim Bilali (Los Angeles 1984) e Chris Sande (Seul 1988). Foram 16 anos de glória em dois esportes, mas acabou por aí. Quênia apenas com o atletismo se tornou a principal força olímpica da África.

