Zimbabwe: a saga e a vaga histórica no futebol feminino das Olimpíadas Rio 2016

Quem são as jogadoras? O que esperar do Zimbabwe? Essas foram as dúvidas que rondaram a cabeça das canadenses, australianas e alemãs no torneio de Futebol Feminino das Olimpíadas Rio 2016. A classificação para a disputa foi, sem dúvidas alguma, a maior conquista do futebol local. Uma chance histórica de mostrar e fazer com que as jogadoras zimbabuenses fossem reconhecidas. A vaga nas Olimpíadas foi um ponto fora da curva, pois a seleção não tinha um histórico de participações em competições mundiais, nem mesmo disputou a Copa do Mundo – o que parece longe de acontecer. As participações se resumiam às disputas continentais, onde não tem campanhas tão relevantes. A melhor posição foi alcançada em 2000, quando ficou na quarta colocação da Copa das Nações Africanas (CAN). Entre as classificadas, era a pior seleção no Ranking FIFA, na 93ª posição.

O caminho para chegar às Olimpíadas foi cheio de peculiaridades. O classificatório, disputado no sistema de mata-mata, entre maio e outubro de 2015, contou com 18 seleções registradas, mas logo na primeira fase houve desistências. O Zimbabwe entrou diretamente na segunda fase e enfrentou a Zâmbia. A classificação foi garantida graças ao gol fora de casa, com uma derrota por 2 a 1 e uma vitória por 1 a 0. A Zâmbia começava a formar a geração de ouro que chegou na primeira Copa do Mundo e na segunda disputa de Jogos Olímpicos.

Na fase seguinte, uma confusão. A seleção do Zimbabwe perdeu a primeira partida por WO, contra a Costa do Marfim, por não ter dinheiro para a viagem. A Confederação Africana de Futebol excluiu a seleção, mas a federação local entrou com recurso e a decisão foi revogada, mas daí foi a vez da Costa do Marfim não aceitar e acabou se retirando da disputa. Resultado: Zimbabwe classificado para a quarta e última fase. A adversária foi Camarões, uma das mais tradicionais seleções femininas do continente. E novamente, as meninas de Zimbabwe tiveram o mesmo desempenho que apresentaram contra a Zâmbia. Derrota fora de casa por 2 a 1, mas revertida com o 1 a 0 na volta. Zimbabwe terminou a disputa com quatro gols pró e contra.

As Poderosas Guerreiras, como são chamadas, não contavam com nenhum grande destaque individual. O elenco de 18 jogadoras contava apenas com atletas que atuavam na liga local. A média de idade da equipe era de 25 anos, com jogadoras entre 20 e 33 anos. A mais nova da equipe era a defensora Eunice Chibanda, enquanto que a mais experiente era a atacante Felistas Muzongondi. 

Maior clube zimbabuense, o Black Rhinos foi base do elenco com sete jogadoras: as defensoras Lynett Mutokoto e Eunice Chibanda; as meias Msipa Emmalulati, Talent Mandaza e Daisy Kaltano e as atacantes Rutendo Makore e Kudakwashe Bhasopo. O Flame Lily Queens vem em seguida com a goleira Chido Dingirai; a meia Marjory Nyaunwe e as atacantes Samkelisiwe Zulu e Erina Jade. A artilheira do Pré-Olímpico, com três gols, Rudo Neshamba e a meia Mavis Chirandu jogavam no Weerams, enquanto que o Inline Academy também tinha duas atletas: Nebuhle Majika e Rejoice Kapfumvuti. A defensora Shiela Motoko (Blue Swallows Queens), a goleira Lindlwe Magwide (Cyclone Stars) e a atacante Muzongondi (Mwenezana) completavam a lista de selecionadas.

Obviamente, foi a maior experiência da seleção feminina e, também, do futebol local na história. Como era esperado, a equipe sofreu em campo contra adversários tradicionais. Porém, fez gol em todas os jogos. Foi goleado por 6 a 1 na estreia e na despedida contra a Alemanha e Austrália, respectivamente, além de ser derrotado pelo Canadá, na segunda rodada, por 2 a 1. Basopo, Chirandu e Msipa fizeram os gols da campanha. 

Como a saga para chegar nas Olimpíadas foi cheia de peculiaridades, para a evolução da seleção, a participação não rendeu tantos frutos. Não conseguiu vaga na Copa Africana de Nações de 2018 e 2022, que davam vaga para a Copa do Mundo. Em 2022, a federação nacional foi suspensa pela FIFA devido a interferências do governo na entidade, o que impossibilitou a disputa da vaga para as Olimpíadas de Paris 2024. Porém, valeu muito! É a mais alternativa das seleções a ter disputado o futebol olímpico feminino e os brasileiros puderam conferir jogos em São Paulo e Salvador.

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