Quatro vezes campeão da Copa do Mundo, célebre nome do futebol brasileiro, responsável por reunir vários craques no time de 1970 e o mais apaixonado torcedor da seleção brasileira, Zagallo, o Velho Lobo, nos deixou após muitas lutas que travou com a saúde nos últimos anos. A carreira dele é composta por grandes clubes e histórias. Como jogador, foi formado no America e marcou época no Flamengo e Botafogo. Após se aposentar, teve carreira consistente como treinador em grandes clubes, como os quatro grandes do Rio de Janeiro, e na seleção, onde fez 135 jogos, com 99 vitórias.
Nas idas e vindas, Mário Jorge Lobo Zagallo viveu alternatividades na carreira como treinador. Foi pioneiro ao desbravar o futebol do Oriente Médio, treinou um quinto clube carioca e foi uma aposta surpreendente na única experiência fora do Rio de Janeiro no futebol nacional.
Após dez anos de carreira, Zagallo rumou para o Mundo Árabe, contratado como treinador da seleção do Kuwait. Ele foi o primeiro treinador brasileiro contratado entre as seleções do Oriente Médio. Em 1976, ele chegou ao país para dar início a grande era da seleção. O primeiro compromisso foi pela Copa do Golfo. Com o melhor ataque da primeira fase (22 gols), a equipe teria o Iraque na final da competição. De virada, a equipe conquistou o tetracampeonato. Ainda na temporada, o time chegou na final da Copa da Ásia, mas perdeu a final para o Irã.
A confiança era grande que a inédita participação na Copa em 1978 viria. Os Azuis venceram as quatro partidas da primeira fase, que foi facilitada pela desistência dos Emirados. No pentagonal final, finalizado em 1977, a briga foi intensa pela vaga, mas as duas derrotas para o Irã tiraram as chances do time. Em 1978, sem compromissos no primeiro semestre, ele volta ao Brasil para treinar o Botafogo.
Enquanto o ‘fiel escudeiro’ ficou no Kuwait, Zagallo foi contratado pelo Al-Hilal, da Arábia Saudita, na sequência. Ele havia recusado uma primeira proposta no início do ano, mas Abdullah Saas Al-Saud, príncipe saudita e mandatário do clube, aproveitou uma excursão do Glorioso pelo país para aumentar a proposta. Em outubro, ele aceitou e viajou ao país. Em 1978/79, estrangeiros foram liberados para atuar na liga nacional. Zagallo pediu a contratação de Rivellino, que foi atendido. Ele conquistou o título nacional. Apesar do pouco tempo no comando, Zagallo se tornou um ídolo histórico do clube. Três anos depois, ele retornou ao país para assumir a seleção saudita.

Em março de 1982, ele assumiu a seleção no lugar de Rubens Minelli. O primeiro compromisso foi a Copa do Golfo, onde ficou na primeira fase. Disputou alguns amistosos e teve mais duas competições, onde terminou na terceira colocação: o torneio de futebol dos Jogos Asiáticos de 1982 e a Copa do Golfo de 1984. Há registro de 17 partidas de Zagallo no comando, com sete vitórias, cinco empates e cinco derrotas.

Ao retornar ao Brasil, ele treina o Flamengo em duas temporadas e o Botafogo em 1986 e 1987. Em 1988, o Bangu se tornou o quinto clube treinado por ele no Brasil. O contrato era curto, apenas cinco meses. Uma boa história dessa passagem foi um telefonema que esperou para saber onde ficava o estádio Moça Bonita. Com a localização informada, ele seguiu ao local e foi recebido com festa. Teve carta branca para fazer o que fosse possível para tentar o título. “Não conquistamos títulos, mas foi muito importante para mim, glorioso mesmo, trabalhar no Bangu. Houve um problema com o Castor (mais uma prisão) e acabou que eu e o Admildo Chirol (preparador físico) tomamos conta do clube”, disse em entrevista ao site do Bangu. O time terminou na sexta colocação, com oito vitórias, dez empates e oito derrotas. O sonho da taça ficou longe e a equipe não conseguiu vencer nenhum dos quatro gigantes na competição.
Como citamos acima, a passagem dele pelo Bangu seria curta, pois ele já tinha acerto verbal para voltar ao Oriente Médio: treinar a seleção dos Emirados Árabes Unidos. A equipe tinha garantido vaga na Copa da Ásia, que foi disputada em dezembro de 1988, com campanha de apenas uma vitória. Por ser o início do trabalho, Zagallo se manteve para o grande foco, que era se classificar para a Copa do Mundo de 1990. Resultado: ele conseguiu. Classificado para a fase final, o time tinha cinco jogos para garantir a vaga e teve campanha peculiar: uma vitória e quatro empates. Em 28 de outubro de 1989 confirmou a participação inédita. Porém, ele não esteve na Itália. Depois da vaga garantida, o treinador teve desavenças com as autoridades da federação por falta de pagamento de premiação. Carlos Alberto Parreira acabou comandando o time no Mundial.

Zagallo então chegou ao Vasco em 1990, mas no ano seguinte recomeçou a trajetória na seleção brasileira, primeiro como coordenador técnico e depois como treinador. Após o vice-campeonato na Copa de 1998, Zagallo não acertou com nenhuma equipe. Até que em dezembro, ele foi anunciado pela Portuguesa para comandar o time em 1999. O contexto da Lusa na época era o completo oposto de atualmente: foi vice do Brasileirão 1996 e semifinalista em 1998. Foram 44 partidas e 21 vitórias no comando do clube paulista, o primeiro e único time fora do Rio que treinou. O ano contou com uma campanha razoável no Paulista, eliminação na terceira fase da Copa do Brasil e a demissão em outubro após ficar um mês sem vitórias na Série A. Depois disso, Zagallo teve mais sete anos de carreira até se aposentar.

