Getulio Fredo: “Fiz uma revolução no futebol da Estônia”

Há oito anos, um brasileiro é treinador de um clube da Estônia. Prazer, Getulio Fredo
Há oito anos, um brasileiro é treinador de um clube da Estônia. Prazer, Getulio Fredo

Muito se discute no Brasil, a razão pela qual nossos treinadores não treinam clubes da Europa, principalmente nos grandes centros, mas isso não combina com a história de Getulio Fredo, 61 anos, que há oito anos é treinador do Nõmme Kalju, clube da Estônia, que tem no gaúcho um ídolo, pela revolução que fez no futebol local. “O Kalju significa muito para mim”, afirma Fredo. O treinador começou a carreira no Internacional, em 1981, mas foi fora do Brasil que é idolatrado, incluindo a Tailândia, onde foi pioneiro. A Série Z conversou com o brasileiro que contou um pouco sobre a sua história.

Conversando com o Antonio Bordallo (contamos a história dele na primeira edição da Revista Série Z), ele disse que você é idolatrado na Tailândia. Por quê?

Eu fui o primeiro brasileiro a jogar e treinar um time lá. Eles fizeram um jardim com o meu nome. Em homenagem pelos dois anos que estive lá.

Como você “parou” na Estônia?

Bem como eu moro na Finlândia e é um pais vizinho. Eu vinha no verão nos fins de semana para jogar os torneios de beachsoccer e futsal com os amigos brasileiros que jogavam na Finlândia. Foi então, quando o Kuno o presidente do Nõmme Kalju me fez o convite para ser o treinador do clube. Ficamos dois anos só na conversa e em 2007 ele fez a proposta oficial para eu ser o treinador do Kalju. Eles estavam na segunda divisão e queriam subir para a primeira, o que aconteceu.

Você foi o responsável pelo “estrangeirismo” da equipe? Foi algo novo para o futebol local?

Sim, fiz uma revolução no futebol da Estônia, porque os jogadores estrangeiros eram somente russos. Foi então quando eu trouxe três brasileiros e um sueco. Depois mais tarde veio peruano, italiano, português e japonês. Os torcedores adoraram! É que deu outro colorido no futebol da Estônia. Com isto o futebol na parte técnica evoluiu muito. Hoje todas as equipes têm estrangeiros. São jogadores da Bósnia, Nigéria, Colômbia, Sérvia, Holanda, Geórgia, Espanha e de outros países. O limite aqui é de cinco estrangeiros por equipe.

Como é o futebol na Estônia?  Os estádios, a estrutura, a torcida, dentro de campo.

Bem, o futebol aqui na Estônia está se organizando agora, porque antes era controlado pelo comunismo. Depois que o comunismo terminou, começou a aparecer novos clubes. Estão se estruturando, se organizando muito bem aos poucos. Na Estônia temos três clubes que disputam o titulo. Antigamente, o Levadia e o Flora eram os clubes que sempre decidiam os títulos. Agora o Kalju, o nosso clube entrou nesta briga pelos títulos, mas têm uns clubes de origem russa que estão querendo uma parte deste “bolo” que é o Infonet e o Sillamäe. Quanto a torcida eles vão muito quando tem os clássicos. Vão muitas mulheres, já que o futebol feminino aqui é muito popular.

De quase rebaixado para a terceira divisão para uma nova potência do futebol local. Esse é o Nõmme Kalju
De quase rebaixado para a terceira divisão para uma nova potência do futebol local. Esse é o Nõmme Kalju

Existe alguma característica de jogo na Estônia parecida com a que se joga no Brasil?

Na Escandinávia o futebol é mais físico e muito tático.  Nos países bálticos no qual a Estônia faz parte é mais técnico e também, muito tático.

Que histórias foram marcantes nessa sua trajetória?

Quando cheguei aqui no meio do campeonato o clube estava descendo para a terceira divisão e consegui levá-los para a elite em cinco meses de trabalho. Em 90 anos de Historia do clube foi a primeira vez que eles subiram para a Serie A. Em dois anos de clube, consegui chegar a fase classificatória da UEFA Europa League, a final da Copa Nacional, Baltic League e ao quarto lugar no campeonato. E ninguém acreditava em nós. Nestes oito anos de clube, conquistamos o título uma vez e duas vezes o vice-campeonato. Participamos cinco vezes da UEFA Europa League e de uma Champions League.  Hoje na Estônia, o Kalju é considerado um dos maiores clubes nacionais e dos países bálticos.

Você pensa em trabalhar em outro local?

Sim, penso em outros desafios, porque já estou ficando um pouco acomodado aqui, apesar de gostar muito daqui. Mas penso em ir e depois voltar, para ficar o resto da minha vida.

E voltar ao Brasil é algo em pauta?

Bem, tive propostas do Brasil que mexeu um pouco comigo, mas pensei mais friamente e recusei. Porque no Brasil você tem um projeto e nunca consegue terminar. É você perder duas ou três partidas e deu! Já está na rua! Aí não dá! Para morar, eu acho que nunca voltarei, mas a gente nunca sabe o amanhã.  Eu amo morar aqui na Finlândia, a minha vida esta aqui agora, apesar de amar muito o meu Brasil!

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