por Christiano Jilvan, jornalista mineiro e redator dos guias da Revista Série Z
A transição de agosto para setembro marca a abertura do calendário do Campeonato Mineiro da 2ª Divisão, a última fronteira do futebol no Estado. Há o charme do futebol alternativo, que resgata clubes até então estavam esquecidos do grande público como o Uberaba e o Social, que já foram campeões da Segundona.
Mas a realidade é dura, já que o cenário é quase comum para a maioria dos clubes: estádios acanhados e com gramados bem ruins, baixo orçamento, jogadores cedidos por empréstimo e até mesmo o resgate de quem já havia encerrado a carreira precocemente, mas resolveu dar mais uma chance ao futebol.
Sem esquecer, ainda, peculiaridades como jogadores que abandonam o nome composto, e apostam em novos apelidos criados da noite para o dia, ou cenas inusitadas como na 1ª rodada em que o zagueiro/volante Igor Lemos teve que assumir a camisa 1 do Poços de Caldas FC. Mesmo com uma pré-temporada bem organizada, e elenco completo, o Vulcão só conseguiu registrar 13 atletas a tempo no BID/CBF, e nenhum deles era goleiro. O time acabou derrotado em casa para o Tupynambás. Já o Araguari teve que utilizar até juvenis por causa do grupo bem reduzido. Perdeu por 5×0 em casa.
Por outro lado, percebe-se a opção natural dos clubes em captar os bons valores que não tiveram chance nos clubes mais tradicionais, ou mesmo em dar a sequência à carreira de que vai muito bem nas competições oficiais de base. Teve time que estreou utilizando o Sub-20 reserva, já que vai priorizar a fase final do Estadual de Juniores.
Em dias de canais virtuais e redes sociais foi-se o tempo em que a Segundona ficava escondida ou restrita só às emissoras de Rádio AM. Os jogos têm transmissão no canal oficial da Federação Mineira de Futebol (FMF) e nos canais dos próprios clubes no YouTube. Mais uma vez, há também o apoio oficial do Governo do Estado com a transmissão de uma partida por rodada na TV aberta (Rede Minas).
Com o limite de idade em 23 anos, o regulamento é engessado para se reduzir custos: três chaves regionalizadas com dois turnos na 1ª fase. O líder e vice-líder de cada grupo se classificam para as quartas de final junto aos dois melhores terceiros colocados pelo percentual de aproveitamento. A partir daí começa o “mata mata” com quartas de final, semifinais e final. Campeão e vice sobem para o Módulo II do ano que vem.

América de Teófilo Otoni
A 10ª passagem de Gilmar Estevam no comando técnico resume bem os planos do Dragão: brigar pelo acesso. Entre idas e vindas, ele detém o histórico de ter levado o clube de Teófilo Otoni à elite mineira e terminar como campeão do Interior.
De São Paulo a Rondônia, passando pelo Piauí, Acre, Goiás e o futebol potiguar, o Mecão rodou bem para montar o elenco que terá uma 1ª fase bem equilibrada. Na estreia diante do Coimbra, o fator casa não funcionou tanto, e os visitantes venceram por 2×0.
Mas o discurso é de se superar, e encarar a missão de por fim ao trauma de ficar pelo caminho no “mata mata” como aconteceu nos últimos três anos.
No gol, Gabriel Pezão (Humaitá/AC) larga na frente na disputa com Andreotti, emprestado pelo Laguna/RN, e Ésio, um dos poucos nomes que se salvaram pelo rebaixado Tupi no Módulo II.
A linha de marcação tem Guilherme Paixão/Z (Ríver/PI), João Duarte/Z (Rio Branco), Raynan/LD (Rio Branco/SP), Ruan Ozório/Z (Botafogo/SP) e Marcão/Z, Luann/V e Tonhão/LE, trio que veio do Varginha.
Já Deyvid, que faz meio e zaga, atuava no União São João. Matheus Lima/M estava no Águia de Marabá/PA. Meia e atacante, Boby (Ji-Paraná/RO) foi outro que veio do Norte do País.
Com média de 1G/2J, Ferreirinha é a aposta de artilharia. Ele estava no São-Carlense, e quem sabe possa inspirar o fim do jejum de Goldeson, que foi goleador na base do Coelho, mas vive uma seca nos últimos 5 clubes por onde passou.
Boston City
O fato de a Segundona Mineira ser Sub-23 é, como se diz na gíria, “uma mão na roda” para quem gosta de dar oportunidade aos jovens. E esta vai ser a receita do Boston City, que concilia o início do Campeonato com a reta final do Mineiro Sub-20. Empatou com o Cruzeiro (1×1) na ida nas quartas de final.
O técnico Lucas Cordeiro conciliará o mesmo grupo. Trata-se de algo planejado porque o clube de Manhuaçu já havia adotado este modelo em 2023. Só dois atletas estão acima dos 20 anos.
Ligado à franquia dos EUA, o Boston City é um dos poucos brasileiros com certificado de “clube formador”. Além de dar “minutagem” e vitrine aos atletas, o controle de orçamento ajuda a dar sequência ao projeto de concluir a obra da Arena própria.
Destaque na campanha do Sub-20 com 11J/8G, o atacante Gui é a esperança de gols, embora esteja se recuperando de uma lesão.
Se o calendário apertado exigir rodízios, os goleiros Vítor, Marcos Daniel e Arthur chegam em ritmo pleno, já que se revezaram durante o Mineiro Júnior. Já Matheus Queiroz/G é um dos nomes que veio do São Carlense.
Na zaga, o elenco tem o estilo artilheiro de Wesley Alvim, revelado pelo próprio clube e que passou pelo Red Bull Bragantino, o também prata da casa Eduardo, Luiz Simião (ex-São Carlense/SP) e João Victor (ex-Comercial Tietê/SP).
Ambos do elenco júnior, Ivo e Ney disputam a camisa 10, Nathan e Gabriel Borges são as opções para o comando de ataque. A baixa é o meia Heitor, que vinha se destacando na campanha do Júnior, mas sofreu uma contusão de joelho e precisará ser operado.
Contratados recentemente, o atacante Nicollas (São-Carlense/SP) e meia Thiago Góes, que passou pela matriz do Boston nos EUA com boa média de gols (13J/8G). Esteve ainda no Democrata/SL e Betim.
Coimbra
Consolidado na base, ao ponto de ter decidido o título do Mineiro Júnior em 2023, o Coimbra tenta retomar o sucesso também no profissional, onde acumulou dois rebaixamentos recentes. A estrutura de CT e estádio, além do suporte financeiro do Banco BMG, estão entre os diferenciais da equipe laranja.
Ricardo Rezende, com currículo nas bases de Atlético, Cruzeiro, Botafogo e Fluminense, sabe trabalhar com jovens e foi contratado a peso de ouro no exterior para comandar o elenco Sub-23 que o regulamento exige na Segundona.
Para repetir o feito de 2018, quando levantou a taça desta mesma Segundona, o clube empresa de Contagem pegou de volta atletas que emprestou ao Valério, Betim e Democrata/SL no Módulo II (Gabriel Parra/G, João Vitor/Z e Alex Paulino/Z), além de Renan/Z, que estava no ABC de Natal, e Wesley/A, cedido ao paulista Santo André.
Mas também contratou: Breno/G (Novo Hamburgo/RS), Miguel Silva/V, revelado pelo Palmeiras e que estava no Mirassol/SP, David José/A, ex-Mamoré e que teve no Barretos/SP com uma boa média de gols, Juan Beré, que fez a base no Atlético e estava no Boavista carioca, e Gabriel Souza/V, que chega do Valério Doce.
Uma dupla emprestada pelo Itabirito e que subiu com o Aymorés jogará a Segundona pelo Gavião Real: Bruno Menezes/M e Victor Ferreira/V.
Contagem
Mais um time da grande BH, o Contagem vai para a Segundona Mineira baseado também na boa campanha do time Sub-20 no estadual da categoria. Por outro lado, aposta também no bom relacionamento no mercado para buscar reforços pontuais que estiveram no Módulo II e até mesmo na Série D do Brasileiro.
O técnico Marcos Valadares, várias vezes campeão no futebol de base por Cruzeiro, Vasco e Atlético, é o comandante do CEC. Vem de uma experiência no profissional do Valério Doce. Chegou até a reta final do Módulo II, mas não beliscou o acesso.
Aos 19 anos, o meia atacante Allef é o destaque do Contagem. Teve poucas chances na Cidade do Galo e foi emprestado pelo Atlético, e já justificou a confiança do Contagem. É o vice-artilheiro do Mineiro Sub-20 com 12J/10G.
O meia Gabrielzinho, que disputou o Módulo II pelo Varginha, chegou bem ao CEC: são 4J/2G. Outro bom achado foi o disciplinado Moabe, volante revelado pelo Uberlândia. Olho também em Dudu, meia que faz mais de uma função pelo lado direito caso precise.
Entre os recém-contratados estão o atacante Thomasel e o meia Ruan Pablo (Democrata/SL), meia Pedro Millas (Valério), zagueiros Felipe Moreira (Pouso Alegre), Jean (Valério) e Menezes (Botafogo/base e Botafogo/PB), lateral Nathan (ex-Sousa/PB), volante Gustavo Belusci (ex-North, Itabirito e Nacional/Muriaé), e os goleiros Vinícius (Criciúma e Atlético/base), Eduardo (Ponte Preta/base), e Ryan, de 1,91m, ex-Pinda/SP.
Social
A volta do Saci é um dos destaques da Segundona. Com um histórico de três taças nas divisões de acesso em Minas, o clube de Coronel Fabriciano estava inativo desde 2018, quando foi rebaixado do Módulo II.
Buscou o experiente Gerson Evaristo para conduzir o projeto. Traz a bagagem de ser um dos técnicos com mais acessos em Minas, só que há alguns anos ele atua como diretor de futebol.
O olho clínico já funcionou na escolha do comandante. O Social terá o gaúcho Luciano Quadros como técnico, que foi o responsável pelo inédito acesso do Aymorés à elite mineira. O limite de idade de 23 anos exige habilidade, e a montagem do elenco passa pelo conhecimento de Evaristo no mercado mineiro.
Buscou uma base no Sub-20 do Nacional/Muriaé (Jardel/A, Gyovane/M, Murilo/M e Yuri/G), e outros seis reforços em 5 clubes do interior como Thiago/A e Índio/M, ex-América/TO.
A diretoria do Saci foi ao interior de SP, SC, RS e PR atrás de valores que passaram por times mineiros como Molins/M, Valdson/Z e Fernando/Z. Já Daniel Bahia/Z, Guilherme Souza/Z e o Kayky/A chegam dos paulistas São Bento, Desportivo Brasil e Primavera, respectivamente, além do goleiro Jorge Pazetti/G, ex-Independente/AP.
O pensamento é de classificar sem sustos, mas a derrota na estreia para os meninos do Boston vai exigir mais no restante dos jogos fora de casa. E, em Fabriciano, espera casa cheia no tradicional Estádio Louis Ensch.

Atlético de Três Corações
O único técnico estrangeiro da competição, o português Thiago Miguel reaparece no futebol mineiro depois de passagens pela AE Paracatu e no Varginha, onde ficou mais conhecido.
A escolha não foi por acaso, já que é acostumado a trabalhar com orçamentos mais modestos, e com jogadores mais jovens que buscam uma oportunidade de mercado.
O time da terra do Rei Pelé começa a Segundona recorrendo à base que disputou o Campeonato Mineiro Júnior (Sub-20), mas com uma campanha irregular, na 11ª posição com apenas 4 vitórias e 8 empates em 14 jogos.
De fora, chegaram o atacante Gabriel Vilela, da base da Ponte Preta/SP, e o meia Japa, que estava no Duque de Caxias/RJ. O lateral-direito Daniel chama a atenção pelo desempenho no Sub-20, com 8J/3G, assim como o lateral canhoto Croti, vindo do Maringá/PR.
O atacante Jaime Júnior deve ser aproveitado na competição, já que foi um dos artilheiros da equipe no Estadual Júnior. O paulista Ramon deve ser o goleiro titular nas primeiras rodadas do Atlético/TC.
Guarani
Assim como o Uberaba e o Nacional, o Guarani de Divinópolis é um dos mais tradicionais clubes na disputa da Segundona Mineira. E o pensamento da diretoria da SAF Bugrina é de brigar pelo acesso até o fim.
Buscou o técnico João Paulo de Oliveira, com experiência no futebol do Nordeste e que disputou a Série D do Brasileiro pelo Santa Cruz de Natal/RN. E de lá vieram alguns dos principais reforços como os atacantes Alisson Farias e Matheus Bambu, os volantes Jonathan e Zé Vítor, o zagueiro Lucas Rodrigues e o goleiro Zé Rafael.
O clube olhou também para o mercado mineiro e buscou David Miller/Z e Diogo/M no Valério Doce, onde trabalharam com o diretor de Futebol Renato Montak no Módulo II. O lateral direito Carlos Junio, ex-base do América, foi campeão do mesmo Módulo II pelo Betim, e Tháileon/A jogou pelo rebaixado Boa Esporte.
Já o quinteto Einsten/LD (Rio Branco), Lucas Bento/G (Água Santa), Alex/A (Flamengo/Guarulhos), Nikollas Sena/V (Flamengo/Guarulhos) e Zanette/V (Velo Clube) veio de São Paulo.
Vitinho/A (União/RO), Tiago Mafra/A (São Francisco/PA) e Arthur/LE (Rio Branco/AC) chegam do Norte do País.
Inter de Minas
Vice-líder geral da 1ª fase do Mineiro Sub-20, e invicto contra os grandes de BH, o Inter de Minas vai apostar na base para mais uma disputa da Segundona Mineira.
O time do técnico Arthur Silva conciliará as duas competições, e para isso foi ao mercado para reforçar o elenco. E sabe que vai ser preciso mesclar o time nas primeiras rodadas por causa do intervalo curto entre os jogos do Júnior e da Segundona.
São nove contratações: destaques de times que o Inter de Minas enfrentou no Estadual Júnior, e outros monitorados pelo mercado ou indicados por parceiros.
O alinhamento da diretoria com a comissão técnica é outra arma do Inter. O presidente é o ex-zagueiro Thiago Gosling (ex-América, Genoa/Itália e Cruzeiro) que, ao lado do vice-presidente Elmo Molica, acompanha bem de perto o trabalho no campo. A estreia com vitória sobre o Villa Real (3×2), mesmo com time misto, motivou ainda mais o clube.
Os goleiros são Clóvis, que chega do Coruripe/AL Sub-20, e Breno, titular do Sub-20 do Inter e que foi nome decisivo na vitória sobre o Atlético e nos empates com América e Cruzeiro.
Lucas Murta/LD e Enzo Henrique/LE chegam do XV Uber, assim como Maicon Douglas, que fez 3 gols no Estadual Júnior. O Inter de Minas buscou Diego Soares/M no Aparecida/GO, e Dudu/V, que jogou a 4ª Divisão pela Francana/SP.
O Inter aposta em dois nomes para o ataque: Cristian, artilheiro do time júnior no Mineiro (6 gols), e César Braga, que veio do Avaí/SC, onde conquistou títulos da base catarinense, e fez dois gols na estreia.
Poços de Caldas
O Poços de Caldas FC sonha reencontrar a rival Caldense em 2025, caso consiga subir para o Módulo II. Só que precisará superar as expectativas depois de um pesadelo na estreia: teve apenas 13 registrados no BID e o zagueiro/volante Igor Lemos improvisado como goleiro na derrota para o Tupynambás (1×2).
No comando um ex-jogador internacional que durou uma rodada só. O demissionário Alex “Pirulito” Silva vinha de experiências na base do Brasília e do Jorge Wilstermann. O ex-zagueiro do São Paulo, Cruzeiro e Seleção foi substituído por Robinson Santos, que fazia uma campanha bem irregular pelo América de Morrinhos na 3ª Divisão de Goiás.
O elenco foi montado em parceria com a gestora “Alliance”, e uma pré-temporada sem contratempos, mas o curto prazo para colocar todos em condições de jogo no BID comprometeu a estreia. Há atletas que buscam espaço na carreira depois de um primeiro semestre sem contratos.
E outros que voltam ao clube depois de jogar na própria Caldense, casos de Kaíque/A e Gamarra/M, além dos laterais Luiz Guilherme e João Victor, que estavam no União Barbarense/SP e Villa Real, respectivamente.
Os goleiros enfim caíram no BID: Luís Gustavo (ex-Pouso Alegre) e Felipe Andrade, que era reserva no Barretos/SP. O zagueiro Brayan retorna a uma disputa após atuar ano passado pelo Bonsucesso/RJ, assim como o meia Mábio (Portuguesa da Ilha).
Da mesma forma, o atacante Luanzinho, ex-base do Boston City que estava sem clube, e o volante Kekel (17 anos), que saiu do futsal e está em sua 1ª experiência profissional. Também para a linha de frente o Poços terá João Victor “Pezão”, que já passou pelo clube, Gui Barros (ex-Velo Clube/SP) e que foi o artilheiro na pré-temporada.
Tupynambás
O investimento do clube é considerado alto dentro da “tradição” das folhas salariais da Segundona Mineira, mas o Baeta faz o discurso de que vai brigar para subir, até porque o futebol de Juiz de Fora ficou sem representantes no Módulo II com a queda do Tupi. A previsão é de R$130 mil/mês com o elenco e comissão técnica.
Entre parcerias e contratações diretas, a diretoria foi bem ao mercado, e começa o elenco com 34 jogadores registrados. Vários vieram do Real Brasília/DF, região que o técnico Palinha Olivério conhece bem. Embora seja gaúcho, o treinador fez a carreira mais em clubes do Rio de Janeiro e do Centro-Oeste.
Do futebol candango chegaram o goleiro Léo Teles, zagueiros Felipe Mendes e Bruno, volante Bruninho e o meia Matheus Obina – todos do Real Brasília. Para a zaga, o Baeta buscou o gigante Vitão (1,93m) no União Barbarense, além de Vinição (ex-Americano de Campos) e Lucão (São Joseense/PR).
Palinha tem ainda Fernandinho/M (ex-Cametá/PA), Allan/M (Ecus), Pedrinho/M (ex-Tupi), Arthur/G (ex-Villa Real) e Guiotti/G (ex-Manthiqueira/SP).
Para o ataque Júnior “Guerron” e Matheus Mosquito, ambos ex-Mauá/SP, Thomas Valentin (ex-União Mogi), e Vinícius Paulista, revelado na base do Palmeiras, chega do Málaga “B”, da Espanha.
Villa Real
A Águia está em nova sede. Depois de cinco anos em Juiz de Fora desde a fundação, o Villa Real mudou-se de mala e cuia para Machado, no Sul de Minas.
Mas mesmo com o novo comando, a diretoria manteve a política do baixo investimento e aposta em jogadores de competições de base em Minas ou de outros estados, além de resgatar a base e quem ficou sem clube nos últimos meses. Este será o cenário de trabalho para o técnico Wellington Simião.
Os goleiros são Léo Teixeira (XV Uber/Sub-20) e Marco Antônio (Rondoniense/Sub-20). Sawan (ex-Sertãozinho) joga como volante e zagueiro e Ryan (ex-Jacuipense) faz a lateral-direita.
Há também jovens que passaram por times profissionais, mas com pouca “minutagem”: Pedrinho/LE (Varginha), Isac/Z (Caldense), Felipe Kenzo/M (Paraná) e Filipe Borges/M (América/TO). Os atacantes Igor (prata da casa) e Gabriel “Machão”, com experiência nas divisões distritais de Portugal, marcaram na estreia contra o Inter de Minas (2×3).

Araguari AC
O Triângulo mantém a tradição de conseguir fazer uma chave exclusivamente regionalizada, mesmo com a desistência do Araxá em cima da hora. Quem puxa a fila é o Araguari Atlético Clube, que vai recorrer ao time júnior para disputar a Segundona Mineira.
O Galo da Comarca chega como incógnita, já que fez uma campanha sofrível na 2ª Divisão do Sub-20 sem somar um ponto sequer. Além disso, teve uma estreia para se esquecer: foi goleado pelo Paracatu por 0x5 em casa.
A média de idade do grupo anunciado até aqui é abaixo dos 20 anos, bem abaixo do limite de 23 anos permitido pelo regulamento. Esta inexperiência é um obstáculo a mais para o técnico Ruben Sanches, que já está familiarizado com o clube como coordenador técnico, avaliador de atletas e treinador do Sub-20.
Há novidades no elenco para a Segundona como a dupla de colombianos Santiago Paz, atacante que passou por times pequenos de Bogotá, e o zagueiro Sebá Jimenéz, que vem de uma curta passagem pelo boliviano Alianza Sur. Ambos ainda não caíram no BID.
Mantidos do Sub-20, Ryan Tibola e Guilherme são as opções para o gol. Com dois gols em 5 jogos pelo Mineiro de base, Jean Júnior é a aposta como meia atacante, embora Keven (ex-Lajense) tenha sido o titular na estreia.
O Araguari vai dar chance a alguns atletas que estão retomando a carreira profissional, como Rodrigo César/Z (ex-Operário/PR) e Ryan Pires/V (ex-Propriá/SE). Os meias Marcelinho e Cristian são outras apostas da base do time. Lyan/Z e Jhanmarcos/V passaram pela base do Iraty/PR.
Essube
Até então envolvido com as competições de base da FMF e projetos comunitários no Triângulo Mineiro, o Esporte Social Uberlândia é o calouro da Segunda Divisão. Vai para a primeira experiência no profissionalismo ciente de que as chances são mais para dar oportunidade aos jovens valores do que brigar pelo acesso, embora tenha assustado o Uberaba na estreia (derrota de virada por 2×3).
Filho da terra, o volante Fernando Mariano, que fez a carreira principalmente no Palmeiras e Botafogo, é o técnico do Essube, trabalho que já fazia na base.
O ex-atacante Ferreira, que passou por Cruzeiro, Náutico e futebol português, é o presidente do clube azul e preto. O projeto surgiu como ação social em escolinhas de bairro de Uberlândia, e ganhou corpo com a formação de times de competição no Mineiro Sub-15, Sub-17 e Sub-20.
Outro nome conhecido nos bastidores do clube é do exala/fixo Neto, campeão mundial de futsal pela Seleção Brasileira. Ele aparece como principal investidor.
Mesmo com esta proposta, o Essube foi ao mercado. Buscou o goleiro Hugo Leonardo e o centroavante Luís Pinto no Laranja Mecânica/PR), o zagueiro Davi (ex-Nogueirense/Portugal), meia Denílson (ex-Osasco), o lateral-esquerdo Gustavo Silveira (ex-Juventus/SP e Penapolense), meias Wisner (Comercial/SP) e Marcos Henrique (Inter de Limeira), e zagueiro Gabriel Piter (ex-Coimbra).
Dois jovens que pertencem ao Tombense chegaram ao Essube: atacante Vitinho (Santa Cruz/RN) e meia Gabriel Lira (Ipatinga). E outros atletas que já vestiram a camisa dos outros dois clubes da cidade (Uberlândia e XV Uber) foram contratados: João Miguel/A, Brendo/M, Aranha/G e Sérgio Silva/M.
Nacional de Uberaba
O Nacional Futebol Clube vive um 2024 especial ao completar 80 anos de fundação. A torcida “Mão Preta” aposta numa temporada mais bem sucedida em relação ao ano passado depois que a diretoria azeitou as contas, e deixou o Naça organizado em termos de estrutura de trabalho e em receita financeira. Outra motivação está na volta do clássico local contra o Uberaba Sport, que não disputou a Segundona Mineira do ano passado.
O técnico Ney Silva foi um dos primeiros a iniciar a pré-temporada na Segundona, e acostumado ao interior paulista soube garimpar um elenco homogêneo mesmo com a limitação de idade que o regulamento exige. Vale lembrar que o Naça conhece o caminho das pedras. A última taça oficial foi conquistada em 2013, na mesma Segundona.
Chegaram o goleiro Nogara, o lateral Andrez Heilmann e o zagueiro argentino Sebastiani, do Olímpia/SP, Vitão/V, do Batatais/SP, Léo Hanna/V, e ex-Botafogo/SP.
Matheus Carvalho/LD (ex-Lusa), Matheus Fogaça/M, Franklin/A e Iago/LE jogaram a divisão de acesso pelo Fernandópolis.
O goleiro Alemão esteve na campanha do ano passado e volta ao Naça depois de passar pelo Bagé/RS, assim como o zagueiro Arthur Marcacine, revelado na base do Athletico/PR, e que jogou pelo Elefante em 2023.
Para o ataque, a aposta é Júlio César, que é da própria cidade e foi o artilheiro na pré-temporada do Naça, além de Leandro Hulk, sósia do ídolo do Atlético que já passou pelo Valério e chega do América/SP.
Paracatu
Da terra do café e do ouro, o time da Associação Esportiva Paracatu chega para a terceira temporada na Segundona Mineira. É um dos projetos mais novos no interior mineiro. Não confundir com o Paracatu FC, outro time da cidade e que se aventurou no profissionalismo, mas em competições do Distrito Federal.
A grande novidade está nos bastidores, com a chegada de Roberto Túlio de Miranda à presidência da Associação. Ele esteve à frente em temporadas de sucesso da URT, em Patos de Minas, e o conhecimento de gestão já se percebe na contratação do técnico Bruno Barros, que conhece bem o futebol do interior com dois acessos no currículo pelo Betim e Aymorés. O comando do clube trata o lado financeiro com reserva, mas garante que a receita será suficiente para todo o Campeonato.
Em meio à montagem do elenco, o Lobo fez uma pré-temporada de 30 dias, e fez um amistoso contra Sub-20 do Brasiliense/DF. O primeiro destaque começa no gol, com Felipe Viotti, exímio defensor de pênaltis e que foi campeão da mesma Segundona pelo Mamoré, ano passado. Briga pela posição com Luís Felype, ex-Iporá/GO.
O gaúcho Raul Sudati (ex-Metropolitano/SC) e Felipe Araújo (ex-Linense e Grêmio Anápolis/GO), ambos com gols na estreia, são as opções para a zaga, ao lado do catarinense Pedro Kunde (ex-Brasil de Farroupilha), que também tem histórico de balançar as redes.
Para as laterais/alas, a AE Paracatu buscou Luan Vítor (União Suzano/SP), Jackson (Goiânia), Guilherme Bastos (Grêmio Anápolis e Iporá) e Daniel (Guarani/MG).
O volante Pedro Matielo é outro ex-Mamoré contratado, que brigará por posição com Milton Lucas (ex-Moto Club/MA) e Luiz Fernando, que jogou pelo Manaus na Série D do Brasileiro. O meia Pedro Acácio é outro que chega do Iporá/GO.
Para o ataque, há pelo menos seis opções como Rian Moraes (ex-URT), Léo Pedro (ex-Botafogo base) e Grêmio São Carlense), Ruan Eloy e Aires (ex-Brasil de Farroupilha) e Samuel Barbosa (revelado na base do Flamengo).
Uberaba
Um dos maiores nomes do interior de Minas e com histórico de respeito no ranking geral da CBF, o Uberaba Sport reaparece em 2024 depois de um período sabático. O clube precisou parar com as atividades profissionais por causa de dívidas, leilões de bens e uma venda frustrada da SAF, que acabou revertida. O novo comando conseguiu por as coisas no lugar de tal forma que o Zebu aparece com um dos maiores investimentos do Campeonato: patrocínios importantes e clubes parceiros que ajudam a custear a folha mensal.
Já acostumado com o futebol mineiro pelos trabalhos no Patrocinense e Caldense, o técnico Thiago Oliveira chega do União Bandeirante/SP. Teve um bom tempo de trabalho na pré-temporada e na montagem do elenco, ao lado do diretor de futebol Rodrigo Alcino e do gerente Alex Joaquim.
O Aymorés, por exemplo, que acabou de subir para a 1ª Divisão Mineira, é um dos parceiros do USC. Cedeu por empréstimo o goleador Gabriel Neto, autor de dois gols na estreia e que vem de outro acesso com o Mamoré em 2023, o bom lateral-direito Mastherson, o zagueiro João Miquelim e o atacante Hiago. O meia Kepper, que também fez parte do elenco do Índio, foi outro contratado.
Revelado na base do Figueirense e que fez parte do elenco da Série C, o goleiro Antônio Júnior chega para ser titular. Ex-Guarani de Campinas e que estava emprestado ao Pouso Alegre, Caio Dias é a opção para a zaga. Luís Felipe, lateral canhoto que fez um bom Módulo II, chega do Valério ao lado dos volantes Júlio César e Fornazier – que também faz a lateral direita.
E o Uberaba também terá o seu gringo: o volante Clauvis Etienne foi cedido por empréstimo pelo São Paulo FC. O senegalês jogou a Série D pelo Pouso Alegre, assim como o lateral direito David. Jean Carlos, ex-Grêmio Anápolis/GO e que fez a base no Flamengo, e Matheus Arcanjo, com bom histórico de gols no interior de São Paulo, são outras opções para o ataque.


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