Sete anos de ineditismo: o período alternativo do Gaúcho Feminino

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Em 1983, o futebol gaúcho começou a história de organizar um campeonato para as mulheres. Foi o início de cinco títulos consecutivos do Internacional. Depois disso, o campeonato voltou apenas em 1997, com mais três taças do Colorado. Na sequência, o Grêmio conquistou os dois primeiros títulos. O rival voltou a vencer em 2002 e 2003. Foi então que o Juventude entrou na cena para vencer entre 2004 e 2006. Após um ano de hiato, as coisas mudaram no futebol local, o mesmo ano em que foi criada a Copa do Brasil Feminina.

Com a necessidade de indicar um clube para a competição, o campeonato voltou em 2008, que marcou o início de uma era de campeões inéditos e com apenas um título no estado. Entre 2008 e 2014, foram sete campeões diferentes. Foi um período que a dupla GreNal abandonou a disputa por não ter nenhum interesse pela modalidade. O Juventude até permaneceu por um tempo, mas a alternatividade reinou.

Em 2008, 14 clubes participaram de uma competição que demonstrava o quão a parte ficava a modalidade no cenário até então. Para diminuir custos, os clubes chegavam a disputar dois jogos no mesmo dia e as chaves eram regionalizadas na primeira fase. O campeão foi o Pelotas, que entrou com a parceria do Projeto Phoenix de Futebol Feminino. Depois de passar pela primeira fase, o Pelotas/Phoenix disputou um triangular semifinal com o Flamengo (Alegrete) e o Demoliner (Erechim). Na final, o forte Juventude foi o adversário. No tempo regulamentar, empate por dois gols e vitória nos pênaltis.

Na temporada seguinte, o campeonato começou com uma divisão em conferências, mas nem todos os resultados são registrados. O Torrense eliminou o Genoma Colorado (Porto Alegre) e Black Show (Guaíba) na segunda fase e, aparentemente, passou diretamente para a semifinal, quando não deu chances para o Porto Alegre/Duda. A final foi um reencontro com o Black Show, onde fez 3 a 0 para ficar com a única taça estadual da cidade.

Em 28 de abril de 2010, a Associação Gaúcha de Futebol Feminino (AGFF) foi fundada para organizar a competição, mas 17 dias antes, a edição deste ano começou. A novidade foi a presença do Gaúcho Futebol Feminino, de Porto Alegre, que em alguns sites aparece com o Canoas sendo parceiro. Dos resultados encontrados, o clube não perdeu nenhuma partida. Na semifinal, venceu o detentor do título, Torrense, por 3 a 1 e na final, com gol de Gabriela, garantiu a taça em cima do Flamengo de Alegrete.

Para 2011, a AGFF organizou o primeiro campeonato, com 13 clubes – três desistiram após a divulgação da tabela. Três anos antes, a cidade de Flores da Cunha teve o Nova Era como representante. Para 2011, o time teve apoio da prefeitura local e fez uma campanha de reviravolta. Na primeira fase, ficou atrás do FEC Internacional/Duda, quando perdeu as duas partidas para a equipe e venceu o Morungava de Gravataí. Na etapa seguinte, foi terceiro lugar, abaixo do FEC Internacional/Duda e Atlântico (Erechim). E adivinhem? Na terceira fase, voltou a ficar atrás do FEC Internacional/Duda. Na semifinal, eliminou o então campeão Gaúcho FF. A vingança de três fases atrás veio na decisão, quando derrotou o FEC Internacional/Duda nas penalidades, após os dois jogos serem vencidos por 1 a 0 por cada equipe.

Sem a presença de nenhum campeão, a edição 2012 deu a certeza de um campeão inédito. Foram apenas oito clubes, com o título ficando com o Tapejarense, que usou um nome complexo durante a disputa: Atlético Tapejarense/Adergs/Rovani/Mecânica SC. O Clube Atlético Tapejarense foi fundado em 1946, participou de competições amadoras e entrou na disputa, com parceria da Adergs, especializada em futebol feminino da cidade, a Rovani Mecânica, patrocinadora do clube, que tem um time amador, o Mecânica SC. Na final, o Tapejarense fez 7 a 2 no agregado para cima do Esporte Clube Ijuí.

Tentando o bicampeonato, o Tapejarense ficou no mesmo grupo do (futuro) campeão da edição 2013: o Atlântico Futebol Clube, de Erechim, que é um time diferente do homônimo do futsal. Com dez pontos, o Atlântico passou para a semifinal com seis pontos a menos. Na semifinal, o Pelotas foi o adversário: empate por 2 a 2 e vitória por 5 a 1. A decisão foi contra o Duda/PM Canoas. Depois de fazer 4 a 2 na ida, o Atlântico correu risco na partida de volta, mas manteve a vantagem ao perder por 3 a 2.

De Cachoeirinha, o Onze Unidos fechou o ciclo dos sete campeões unitários em 2014. Na primeira fase, caiu em um grupo com os últimos dois campeões: o Tapejarense foi líder, com 100% de aproveitamento, o Onze Unidos venceu o Atlântico por duas vezes, este que terminou na lanterna. Na etapa seguinte, o Onze se vingou do Tapejarense, vencendo por 5 a 3 e terminou na liderança da chave. Na semifinal, vitória por 6 a 0 no Ijuí. A decisão foi contra o Canoas/Duda, que foi derrotado duas vezes para coroar o grande ano do Onze Unidos, que tinha no elenco, jogadoras como Karina Balestra, que foi medalha de ouro no Pan 2003, e Luana Spindler, que disputa o Brasileiro Feminino de 2022 pelo Atlético Mineiro.

Para 2015 e 2016, finalmente, um bicampeão, com Canoas/Duda/Unilasalle. A partir de 2017, a AGFF e FGF se juntaram para organizar o campeonato, pois a CBF implementou a obrigatoriedade dos clubes da Série A ter um time feminino. Assim, Grêmio e Internacional voltaram a dominar o cenário, que faz com que seja difícil ver um campeão inédito nos próximos anos.

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