Guia das quartas da Série D 2021

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Chegou a hora! São dois fins de semana para quatro torcidas chegarem ao êxtase da temporada: o acesso à Série C 2022. As quartas de final da Série D 2021 contam com muitas histórias e uma grande novidade, com a implantação do VAR a partir dessa fase. Nos mata-matas anteriores, a arbitragem foi vilã em algumas partidas e agora contará com o auxílio que, desejamos, ajude quando for necessário.

Pela 11ª vez, um estado conta com dois clubes nos “jogos de acesso”, sendo que apenas na temporada passada, com Novorizontino e Mirassol, que São Paulo conquistou tal feito. Dessa vez, os rivais ABC e América são os postulantes, sendo que o Mecão tem envolta a situação de que se perder o acesso, terá que torcer para o rival subir para ter calendário. O América e Aparecidense lutam para manter uma escrita: conquistar o acesso um ano depois de perderem o jogo das quartas, como ocorreu com Atlético Acreano, São José, Manaus e Floresta nos últimos anos de maneira consecutiva.

O clube goiano e o Atlético Cearense são os únicos que nunca disputaram a terceira divisão. A Ferroviária e o Uberlândia que saíram do mesmo grupo são os que há mais tempo estão fora da Série C entre os que participaram. Para finalizar, Caxias e Campinense aparecem pela terceira vez na disputa do acesso, dupla que é das mais obsessivas por voltar a divisão acima.

Cheia de contextos, as quartas da Série D 2021 reservam muitas emoções. Por isso, preparamos um guia da fase, com uma análise do confronto, o retrospecto, o histórico na Série C, quem assume a vaga deixada para 2022 e trouxemos jornalistas que acompanham os clubes para trazerem os pontos fortes e fracos de cada equipe.

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O poder ofensivo que nivela

As campanhas de Ferroviária e Atlético Cearense são opostas na pontuação geral. São 15 pontos de diferença (41 a 26), a defesa afeana tem 16 gols sofridos a menos (sendo o único que ainda não tomou dez ou mais entre os quadrifinalistas) e a Ferroviária perdeu apenas uma partida contra seis do adversário. Porém, um número chama atenção: o poder ofensivo. A Ferroviária é melhor, com 28, mas o ex-Uniclinic tem 26. No mata-mata, a defesa, historicamente, conta muito, o que pode ser um diferencial para os paulistas. Porém, nos quatro jogos qualificatórios dessa edição, os times fizeram o mesmo número de gols marcados e sofridos: 4 a 3. A diferença é que o Atlético teve a pior (ou “menos melhor”) campanha, com cinco pontos, sendo o único com apenas uma vitória. A avassaladora primeira fase do clube grená não se refletiu por enquanto. Os números, ao mesmo tempo, equilibram e desequilibram o confronto.

Retrospecto: nunca se enfrentaram

Última Série C: o clube cearense nunca disputou. A última aparição do clube de Araraquara foi em 2002, a terceira na história

Série D 2022: São Bento (SP) ou Icasa (CE) disputará a Série D em caso de subida do conterrâneo

Pontos fortes e fracos da Ferroviária, por Rafael Zocco, repórter do RCI Araraquara

Pontos fortes: Os lados do campo são bastantes acionados. No lado direito, Bernardo costuma ser uma referência quando chega ao ataque. Com qualidade no passe, serve os atacantes dentro da área. Pelo lado esquerdo, Júlio Vitor é veloz e mostra muita habilidade no um contra um, podendo causar problemas. Pontos fracos: Com a perda da posse de bola e com o setor desguarnecido, principalmente no lado direito, os adversários tem explorado as costas da marcação, causando muitas dificuldades para a defesa grená. Os volantes ajudam na cobertura e deixam espaços pelo meio, facilitando a construção da jogada.

Pontos fortes e fracos do Atlético Cearense, por Diego Arruda, editor do Portal Futebol Cearense e Façanha Nordeste Clube

Em 24 anos, entre mudanças de gestões, cores e até de nome, o Atlético Cearense chega nos dois jogos mais importantes de sua jovem história. Nunca havia chegado tão longe na Série D. A campanha e os desafios ao longo da caminhada, mostram o merecimento dos comandados de Raimundo Wagner em ter chegado até aqui. O clube alencarino saiu do ”grupo da morte”, a chave A3, que ainda tem todos os classificados, vivos na competição. Destrinchando os números da Águia da Precabura, como é conhecida, o ataque é o principal ponto positivo. Foram 26 gols marcados, contudo o mais importante, à sua eficiência. Dos 18 jogos até aqui, o clube só não marcou em 5 duelos. Ao passo que o ataque é o melhor ponto do time, a defesa é a maior dificuldade. São 23 gols sofridos, onde o time só não foi vazado em 4 jogos. Apesar disso, vem do sistema defensivo, um dos grandes destaques do elenco: o goleiro Carlão. O camisa 1 foi herói da classificação contra a Juazeirense/BA, na 2ª fase, quando pegou pênalti no tempo normal e na decisão por penalidades, defendeu mais um, além de converter a última cobrança. Outros nomes a citar, são o do zagueiro Waldson, xerife Rubro-negro e do atacante Erick Pulga, que assumiu a artilharia do time, após a saída do volante Olávio. Foram 6 gols no torneio, sendo 2 tentos nos 2 jogos diante do Paragominas, na fase anterior, sendo decisivo para a classificação.

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Ataques opostos

O melhor e o pior ataque se encontram nessa fase decisiva. O ABC fez 37 gols, enquanto o Caxias fez 20. Enquanto os potiguares possuem uma dupla determinante, com Wallyson e Gustavo Henrique, autores de 14 tentos do clube, sendo sete para cada um. Do lado grená, o atacante Michel fez oito partidas, mas os gols são bem espaçados. O ABC tem jogadores mais decisivos, o que reflete no número de gols, com a dupla tendo a companhia determinante de Negueba e, recentemente, Allan Dias. Para o Caxias, o conjunto será o fator essencial de uma equipe que não se esperava que chegasse nessa fase e apontada como inferior aos elencos do que clube que conseguiram chegar nas quartas, mas perderam o acesso. Pode ser o diferencial.

Retrospecto: as duas equipes nunca se enfrentaram

Última Série C: os dois clubes disputaram a era moderna da terceira divisão, com o ABC em 2019 e o Caxias em 2015

Série D 2022: os dois têm vaga para a próxima temporada. Se o ABC subir, o América assume a vaga, mas se os dois subirem, o Potiguar ocupa. O Novo Hamburgo assume a vaga do Caxias em caso de acesso

Pontos fortes e fracos do ABC, por Ícaro Carvalho, repórter da Jovem Pan News Natal e Tribuna do Norte

Entre os pontos fortes do ABC, posso destacar o trio ofensivo Wallyson, Gustavo Henrique e Negueba. Juntos, eles representam cerca de 46% dos gols do Alvinegro na Série D (17 de 37 gols). O detalhe é que nem sempre estiveram juntos, uma vez que Negueba e Wallyson passaram períodos lesionados, isso em momentos distintos, provando que quando estão atuando juntos, podem ajudar o ABC. Além disso, o fator casa é muito importante: são nove jogos, oito vitórias e uma derrota no Frasqueirão. Entre os pontos fracos está a irregularidade e as oscilações. O ABC cai de rendimento de forma súbita em algumas partidas e isso quase custou a classificação contra o Retrô e por pouco não piorou a situação contra o 4 de Julho.

Pontos fortes e fracos do Caxias, por William Mota, editor do Esporte Serra

O Caxias de 2021 tem como principal esperança a experiência de alguém que conhece a fase de mata-mata da Série D. São oito disputas de confrontos decisivos desde a queda, em 2015. Os erros que causaram as eliminações anteriores já são quase decorados. Dá para escrever uma cartilha de como não subir da Série D para a Série C, pois se repetiram em todos os fracassos. O que tem de diferente no Caxias de 2021 é que é diferente dos anteriores. Soube contornar crises que historicamente surgem nas horas decisivas. Segundo a supracitada cartilha, se ordenam por: alguém no vestiário que quer aparecer mais que os demais; alguém que provoca os adversários nas redes sociais e motiva a população inteira da cidade do adversário para um duelo de culturas; uma troca de treinador na hora mais importante. Em 2021, o Caxias não fez nada disso. Pelo contrário, parte de um técnico que tem acesso na carreira – Rafael Jaques, pelo São José e adota um discurso humilde, de quem não é favorito. Desse jeito, humilde, o Caxias se classificou com a pior campanha dentre os que avançaram na chave, mas cresceu na hora do que time gaúcho mais sabe fazer na vida. Sabe quantos campeonatos de pontos corridos o futebol gaúcho já ganhou na vida? ZERO. Sabe quantos campeonatos de mata-mata o futebol gaúcho já ganhou? TODOS. É assim que o Caxias “joga” o mata-mata da Série D. Ou melhor, não joga, ele dá um jeito de ganhar o mata-mata até aqui. Reage, linha de cinco, linha de quatro e um camisa 9 que toda vez que tem uma chance faz um gol. Sabe “sofrer” o jogo, mas toda vez que tem a bola, acelera para os lados, com os gatilhos de transição muito bem definidos e o jogo apoiado com quem vem de trás, fazendo o adversário correr para trás, vai até à linha de fundo. Ganha os jogos com menos posse de bola, com menos conclusões a gol, mas com TODAS as grandes chances de gol do jogo. Maduro, experiente, tem um trio de zagueiros que é melhor que o do rival da cidade que joga a Série A e que compete. E como compete!!

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Não se pode errar

De um lado, um clube que chega pela segunda vez seguida nas quartas da Série D. Do outro, o único quadrifinalista que não tem nenhuma chance de disputar a Série D 2022 – apenas se dois mineiros desistirem da edição. A Aparecidense mudou o elenco em relação a 2020, com saídas de jogadores como os zagueiros Renato e Ícaro, o goleiro Tony e a principal perda, o meio-campo Albano, um dos craques da edição. Porém, o elenco ainda conta com o treinador Thiago Carvalho e nove remanescentes do elenco: o goleiro Pedro Henrique; os laterais Rodrigues e Rafael Cruz; os volantes Bruno Henrique, Rodriguinho, Filipe Trindade; o meia Robert e os atacantes Alex Henrique e Negueba. Para o Uberlândia, uma reformulação foi feita, com o clube ganhando confiança no mata-mata. Cinco jogadores conhecem essa fase: o zagueiro Juan Sosa (Operário – 2015 e 2017), o lateral-esquerdo Maicon Souza (São Bento – 2016) e os meias Felipe Pará (Marcílio Dias – 2020), Daniel Costa (São Caetano – 2015) e Rafael Pernão (Volta Redonda – 2016), sendo que Sosa, Maicon e Pernão tiveram um acesso. Clubes e jogadores não querem e não podem errar para conseguir o acesso.

Retrospecto: as duas equipes nunca se enfrentaram

Última Série C: a Aparecidense nunca disputou a terceira divisão. O Uberlândia disputou pela última vez em 2003

Série D 2022: o clube mineiro não tem vaga para a próxima edição. Se os goianos subirem, o Iporá assume a vaga

Pontos fortes e fracos da Aparecidense, por Pedro Hara, repórter do Portal 6 e narrador da CBF TV

Pontos fortes: A defesa da Aparecidense sem dúvidas é o principal ponto forte da equipe. O sistema defensivo é o segundo menos vazado dessas quartas da Série D, com apenas dez gols sofridos. E de vez em quando os integrantes da defesa constroem os gols da equipe, como é o caso do zagueiro Wesley Matos, que fez o gol da classificação da equipe diante do Cianorte com cruzamento do lateral-esquerdo Rodrigues. Estádio Aníbal Batista de Toledo: Em casa a Aparecidense é realmente forte. Em sete jogos na fase de grupos a equipe venceu cinco, perdeu um e empatou um. No mata-mata, a equipe não sabe o que é sair de campo sem vencer. Nos dois confrontos decididos em casa, o Camaleão despachou com autoridade o Uberlândia e, apesar das dificuldades contra o Cianorte, conseguiu avançar com o placar mínimo. Elenco: Apesar de perder peças importantes no início da Série D como o meia Albano e o atacante Alex Henrique, a Aparecidense supriu as saídas com boas peças e sem perder o estilo de jogo. No decorrer da competição, o atacante Alex Henrique voltou a equipe após perder espaço no Confiança (SE) e já vem marcando os seus gols e ajudando o Camaleão. Pontos fracos: Dificuldades para construir jogadas: Por vezes a equipe tem dificuldades para entrar na área do adversário. Muitos passes na intermediária, mas sem conseguir a finalização. Não à toa, dos oito times classificados às quartas, a Aparecidense tem o segundo pior ataque com 23 gols marcados. Primeiros tempos ruins: Em alguns jogos a Aparecidense demora a entrar na partida. Por conta disso, a equipe faz os primeiros tempos ruins, sem conseguir agredir o adversário. Entretanto, após a conversa no vestiário, a equipe volta com outra postura. Em jogos decisivos isso pode ser fatal.

Pontos fortes e fracos do Uberlândia, por Christiano Jilvan, editor do De Veneta

O Uberlândia entrou na Série D sob desconfiança após um Estadual fraco, fugindo da queda nas duas rodadas finais. A volta por cima foi logo na estreia, com 3-0 na Ferroviária. Daí em diante, o Verdão se mostrou regular, principalmente em casa (só uma derrota), com ajustes na defesa após a chegada do uruguaio Sosa e com a fase excepcional do atacante Ingro, vice-artilheiro da D (11 gols). Efetivado em julho depois da saída de Waguinho Dias, Chiquinho Lima é adepto ao 3-5-2 e agradou de tal forma que já teve o contrato renovado para 2022. O histórico diante da Ferroviária, a quebra da invencibilidade do Joinville e a eliminação dos catarinenses, faz o UEC acreditar que pode derrubar mais um adversário de melhor campanha e conseguir o acesso.

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Mudanças drásticas

Um clube de Série D perder para um de Série A na primeira fase da Copa do Brasil é extremamente normal. Ser goleado, também! Mas o 7 a 1 que o Campinense levou do Bahia marcou muito o caminho da Raposa na temporada. O time campeão estadual já era diferente daquele. Dos 11 titulares daquele jogo, apenas dois continuam jogando frequentemente: o volante Rafinha e o atacante Marcelinho. O lateral Állefe, o volante Gabriel Pereira e o atacante Ruan, também, estiveram na partida e apareceram esporadicamente durante a Série D. No lado do América, a mudança é mais recente. Nem tanto de elenco, mas de time titular em relação ao segundo encontro que os clubes tiveram na primeira fase. Do time que entrou em campo em 28 de agosto, o Mecão teve o zagueiro Jean Pierre, o lateral Leozinho, o volante Erick Varão, o meia Esquerdinha e o atacante Wesley Smith como titulares na partida da volta das oitavas. O confronto mais equilibrado e pesado das quartas da Série D é resultado de viradas durante a temporada.

Retrospecto: os dois clubes se encontraram 20 vezes e em todas as divisões nacionais. O retrospecto é favorável para o clube potiguar com oito vitórias e quatro derrotas. Na primeira fase, o Campinense venceu uma (3 a 0) e o segundo jogo ficou no empate sem gols

Última Série C: os dois clubes participaram da era moderna da Série C. O América esteve pela última vez na divisão em 2016 e o Campinense em 2011

Série D 2022: se o Campinense subir, a vaga é do São Paulo Crystal. Para o América (e futebol potiguar) são três cenários: 1) se perder o confronto, não tem calendário nacional; 2) se não subir, terá vaga se o ABC conquistar o acesso e 3) se subir junto com o ABC, o Potiguar assume a vaga

Pontos fortes e fracos do Campinense, por Ana Flávia Nóbrega, repórter do Jornal A União e Copa do Nordeste e comentarista na Rádio Tabajara

Com presença confirmada na Série D do Campeonato Brasileiro de forma ininterrupta desde 2014, o Campinense chega, mais uma vez, no mata-mata do acesso almejando o acesso para a terceira divisão nacional. Pelo sonho, a Raposa terá a força do meio de campo, a solidez na defesa, principalmente no goleiro Mauro Iguatu, e o ímpeto coletivo como pontos positivos para tentar surpreender o América-RN. Oriundos do mesmo grupo na primeira fase, Raposa e Mecão já se encontram em duas oportunidades, com uma vitória para o Rubro-Negro, por 3 a 0, e um empate sem gols. A equipe comandada por Ranielle Ribeiro foi mantida e não terá desfalques para o confronto decisivo. No contexto da marginalização do futebol, manter salários em dia e um bom ambiente de trabalho para os jogadores é uma raridade que o Campinense vem mantendo. Pesam contra a equipe paraibana, no entanto, a má fase na pontaria dos atacantes. A esperança para preencher essa lacuna é o banco de reservas. Nas duas últimas partidas, diante do Guarany de Sobral, o resultado foi construído pelos pés dos jogadores convocados já no segundo tempo das partidas, como foi o caso de Matheus Régis, que deu a vitória para a Raposa nos minutos finais do primeiro jogo, e Anselmo que carimbou a classificação, com dois gols, para as quartas de final. O time possui 27 gols marcados e 14 gols sofridos na campanha, saldo construído em nove vitórias, sete empates e duas derrotas. A decisão, com o segundo jogo, será em Campina Grande. Dentro dos domínios do Estádio Amigão, o Campinense tem superioridade, foram seis vitórias, dois empates e apenas uma derrota, essa para o ABC-RN, no dia 7 de julho. Como tempero a mais, a segunda partida das quartas representará ainda o reencontro da equipe com a torcida.

Pontos fortes e fracos do América, por Ícaro Carvalho, repórter da Jovem Pan News Natal e Tribuna do Norte

O América-RN tem uma série de pontos fortes, mas destaco a consistência da equipe fora de casa e o bom meio de campo do Alvirrubro. Desde a chegada, Erick Varão e Esquerdinha têm mostrado futebol acima da média e têm ajudado o Alvirrubro com passes e gols. Mazinho, reserva, é outro que cresceu no mata-mata e está ajudando bastante. O ataque experiente também casou bem, com a dupla Alvinho/Wesley Smith. Entre os pontos fracos, o América convive com muitas lesões em todos os setores e o técnico Renatinho Potiguar não tem conseguido repetir as escalações com frequência.


No Quarta Categoria, tem a análise das quartas em áudio. Confira o podcast que participamos


Datas das partidas

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