Nove jornalistas apostam: quais seleções têm mais chance de estrear na Copa do Mundo 2022?

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O Catar será a 80ª seleção diferente a participar de uma Copa do Mundo. Por ser sede, a seleção garantiu a vaga sem precisar das Eliminatórias. É uma tradição dos Mundiais: sempre houve seleções estreantes. Em 2018, por exemplo, Islândia e Panamá foram os debutantes da edição disputada na Rússia. Restam muitas seleções para estrearem em um Mundial, sendo que a edição do ano que vem será a última com 32 equipes, uma competitividade maior do que as 48 vagas que darão novas chances para estreantes a partir de 2022.

Por isso, a Revista Série Z convidou oito jornalistas para apostar: quais seleções com mais chances de estrear na Copa do Mundo de 2022. Além de Felipe Augusto, editor da Revista Série Z, o time de “apostadores” é composto por Bruno Formiga (TNT Sports), Bruno Venâncio (jornalista português), Gabriel Sawaf (Bichos do Paraná), Leandro Stein (Trivela), Leonardo Bertozzi (ESPN Brasil), Luís Francisco Prates (2Lances), Taynã Melo (VAVEL Brasil) e Tiago Bontempo (Futebol do Japão).

Cada jornalista indicou de cinco a dez seleções que aposta para o debute. Nós reunimos em um ranking por citações, sendo que apareceram 29 equipes nacionais diferentes. Cada jornalista fez um texto sobre cada indicação para explicar os motivos da escolha. Para ver cada texto, clique em cima da caixa suspensa. Agora, você confere o trabalho feito a nove mentes e fica ligado para ver se teremos acertos ao final das Eliminatórias.

Oito citações

🇫🇮 Finlândia

Bruno Formiga | Tem uma geração de valor e os melhores resultados de todas as seleções que nunca jogaram uma Copa do Mundo.

Bruno Venâncio | A tarefa será muito difícil: afinal de contas, terá de medir forças com França (campeã do mundo em título e clara favorita no grupo D), Ucrânia e Bósnia. Ainda assim, o emblema nórdico está em franco crescimento e ainda embalado pela motivação de participar daqui a poucos meses no primeiro Europeu da sua história, pelo que está longe de ser descabida a possibilidade de conseguir terminar no segundo lugar do grupo; a partir daí, no play-off final tudo pode acontecer – e se o matador Teemu Pukki estiver em “dia sim” nesses jogos…

Felipe Augusto | Finalmente, a Finlândia disputará um campeonato sazonal, com a vaga garantida na Euro 2020 (que será esse ano). Era a maior seleção sem uma disputa do tipo. Nas Eliminatórias para a competição europeia, o time ficou atrás da Itália e a frente de Grécia e Bósnia, essa que será adversária na disputa pelo Mundial de 2022. A busca será pela repescagem, pois a França é muito favorita. Os experientes Teemu Pukki e Tim Sparv são os únicos em atividade entre os dez jogadores com mais jogos.

Gabriel Sawaf | Um dos países nórdicos mais esquecidos no futebol, a Finlândia vem cavando o seu espaço no cenário europeu nos últimos. A seleção da terra do Papai Noel irá disputar a Euro neste ano e com uma chave contra Ucrânia e Bósnia, os finlandeses podem sonhar em repetir o feito da Islândia em 2018.

Leandro Stein | A Islândia deu seu salto da Euro 2016 para a Copa de 2018, o que permite à Finlândia sonhar, diante de sua estreia na próxima Eurocopa. A evolução dos resultados é evidente, não só pelo feito no qualificatório continental, como também por triunfos na Liga das Nações e em amistosos – como a recente vitória sobre a França. E o Grupo D das Eliminatórias permite brigar, com a França favoritíssima, mas Ucrânia e Bósnia sem necessariamente meterem medo. Teemu Pukki é o dono do time e Lukas Hradecky também faz a diferença sob as traves, embora esteja lesionado neste início de campanha.

Leonardo Bertozzi | Depois da classificação histórica para a Euro, uma vaga no Mundial seria a cereja do bolo. Com a França favorita, cabe fazer o melhor nos confrontos diretos com Ucrânia e Bósnia para beliscar uma repescagem.

Taynã Melo | Embora esteja em um grupo dificílimo nas Eliminatórias, a equipe pode surpreender com Pukki, atacante referência na inédita classificação finlandesa à Eurocopa.

Tiago Bontempo | Depois da Islândia em 2018, está chegando a vez do único país nórdico que não disputou a Copa do Mundo estrear em 2022? A Finlândia é uma das seleções europeias que mais tem evoluído recentemente. Vai disputar uma Euro pela primeira vez este ano e, nas Eliminatórias rumo ao Catar, tem chances razoáveis em um grupo com França, Ucrânia, Bósnia e Cazaquistão.

🇻🇪 Venezuela

Bruno Formiga | É outra seleção com talentos individuais interessantes e vê algumas concorrentes passarem por troca de safra.

Bruno Venâncio | A Vinotinto é a única selecção da confederação a nunca ter conseguido participar numa Copa do Mundo e mais uma vez não terá a tarefa nada facilitada nesse sentido – até porque soma apenas três pontos nos quatro jogos já realizados na fase de apuramento. Ainda assim, e apesar da fortíssima concorrência (como é apanágio desta zona), o conjunto agora orientado pelo técnico português José Peseiro mantém legítimas aspirações a terminar num dos quatro primeiros lugares, que garantem a qualificação directa para a Copa, ou no quinto, que ditará um play-off final com países de outras confederações.

Felipe Augusto | Se fosse para apostar, diria que a Venezuela fica mais uma Copa do Mundo sem estrear, mas a seleção ainda precisa entrar nessa lista, pelo elenco que tem, apesar da forte concorrência na Eliminatória mais forte que tem. Os “brasileiros” Jan Hurtado (RB Bragantino), Jefferson Savarino (Atlético Mineiro), Rómulo Otero (Corinthians) e Yeferson Soteldo (Santos) serão peça-chave na obtenção, ao menos, da vaga na repescagem. Vale frisar ainda o goleiro Fariñez (Lens), Tomás Rincón (Torino) e o atacante Salomón Rondón (CSKA Moskow).

Gabriel Sawaf | Essa já é tradição quando se pensa em seleções que ainda não foram para a Copa. Há uma expectativa no continente para o dia em que Venezuela alcançar essa marca tão esperada, já que é a única seleção sul-americana que não disputou um mundial. O time venezuelano não largou bem nas Eliminatórias, com uma vitória em quatro jogos, mas fica a inspiração do Peru na última competição para buscar a vaga inédita.

Leandro Stein | A Venezuela é a única seleção da Conmebol que nunca disputou a Copa e atravessa uma franca evolução neste século. O time não foi muito bem nas Eliminatórias de 2018, mas cresceu na reta final e também fez papel digno na Copa América. O problema foi o trabalho interrompido de Rafael Dudamel. O começo da nova campanha com o português José Peseiro não é auspicioso, mas há tempo para se recuperar. O público brasileiro conhece bem nomes como Yeferson Soteldo e Jefferson Savarino, mas quem também pode fazer a diferença é a dupla do Granada, Yangel Herrera e Darwin Machís.

Leonardo Bertozzi | Depois de começar com três derrotas, a vitória sobre o Chile deu novo alento. Com a combinação de nomes mais experientes e a geração vice-campeã mundial sub-20 em 2017, quem sabe?

Luís Francisco Prates | Uma seleção que gera grande expectativa em relação a uma eventual estreia na Copa do Mundo é a da Venezuela. Única filiada à Conmebol que ainda não sentiu o gostinho do Mundial, a Vinotinto subiu de patamar no âmbito continental depois de sediar a Copa América em 2007. Na ocasião, classificou-se ao mata-mata da competição pela primeira vez. Ainda foi quarta colocada em 2011 e quadrifinalista em 2016 e 2019. No futebol de base, sagrou-se vice-campeã mundial sub-20 em 2017, quando foi superada pela Inglaterra, por 1 a 0, na final. Grande parte do plantel venezuelano conta com jogadores que estão fazendo carreira na Europa. Dentre eles estão o goleiro Wuilker Faríñez (Lens/FRA), os zagueiros Roberto Rosales (Leganés/ESP) e Alexander González (Málaga/ESP), o volante e capitão Tomás Rincón (Torino/ITA), o meia Jhon Murillo (Tondela/POR) e o atacante Salomón Rondón (CSKA Moscou/RUS), sendo este o maior artilheiro da história da seleção com 31 gols. Também há jogadores que atuam no futebol brasileiro, casos dos meias Yeferson Soteldo (Santos), Jefferson Savarino (Atlético-MG) e Rómulo Otero (Corinthians) e do atacante Jan Carlos Hurtado (Red Bull Bragantino). A equipe treinada pelo português José Peseiro começou mal as Eliminatórias Sul-Americanas, com três derrotas nas três primeiras rodadas, mas vem de grande vitória contra o Chile (2 a 1) e já está a apenas três pontos do Paraguai (4°, último da zona de classificação) e do Uruguai (5°, zona da repescagem). Tem pela frente Equador (casa), Peru (fora), Bolívia (fora), Uruguai (casa) e Argentina (casa). A depender da sequência de resultados, pode se firmar na briga por vaga na Copa no Qatar e realizar o sonho de dividir palco com as maiores seleções do mundo.Tiago Bontempo | A Venezuela é a melhor colocada no ranking da Fifa entre os países que nunca disputaram um Mundial e, apesar de ter sido a lanterninha na última edição das Eliminatórias Sul-Americanas, não chegou aos playoffs por cinco pontos em 2014 e por dois pontos em 2010. A competição é dura e seria preciso um pequeno milagre, mas o futebol venezuelano já não é mais saco de pancadas no continente. A Vinotinto tem bons jogadores jovens e talentos nas grandes ligas da Europa para montar uma seleção competitiva em busca da inédita vaga.

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Sete citações

🇲🇱 Mali

Bruno Venâncio | Claramente favorito a vencer o grupo E da segunda ronda da fase de apuramento, onde defrontará Uganda, Quénia e Ruanda, o conjunto maliano mostra-se por esta altura capaz de se bater de igual para igual com qualquer outra selecção do continente africano, tendo em vista já o embate na terceira ronda que decidirá a qualificação para a Copa do Mundo. No seu elenco podem encontrar-se nomes como Moussa Djénépo, uma das figuras do Southampton, ou Amadou Haidara, craque do RB Leipzig, bem como Moussa Marega, titular indiscutível no Porto que atirou a Juventus para fora da Liga dos Campeões logo nos oitavos-de-final.

Felipe Augusto | Se não foi com Seudou Keita, Momo Sissoko e Frederic Kanouté, a seleção maliense volta a ter boas chances para se garantir no primeiro Mundial. O grupo para chegar no mata-mata é acessível, com Uganda, Quênia e Ruanda, e a geração é promissora, com destaque para Amadou Haidara (RB Leipzig), Moussa Marega (Porto), Moussa Djenepo (Southampton), Yves Bissouma (Brighton), Diadié Samassékou (Hoffenheim) e um trio promissor no Red Bull Salzburg formado por Ousmane Diakité, Mohamed Camara e Sekou Keita.

Leandro Stein | Faz tempo que a África não emplaca estreantes em Copas. Não há um novato do continente desde 2006, quando quatro seleções da CAF inauguraram suas histórias no Mundial. Mali é candidato forte a ser o próximo. São sete participações seguidas na Copa Africana de Nações, incluindo duas semifinais. O caminho está aberto em seu grupo nas Eliminatórias, com a ascendente Uganda representando a principal ameaça. E há boas opções no elenco das Águias, com destaque a jovens como Sékou Koïta, Amadou Haidara e Moussa Djénépo.

Leonardo Bertozzi | Doucouré, Marega, Bissouma, toda a “família” Traoré… Mali tem bons nomes e provavelmente vencerá seu grupo. Depois é contar com um sorteio favorável e jogar tudo no mata-mata final.

Luís Francisco Prates | A seleção do Mali costuma fazer boas campanhas na Copa Africana de Nações. Já esteve entre os quatro primeiros colocados seis vezes, com um vice, dois terceiros lugares e três quartos lugares. Contudo, as boas campanhas na maior competição do continente ainda não se converteram em uma participação mundialista. Comandadas por um treinador da casa, Mohamed Magassouba, as Águias contam com vários jogadores que atuam no futebol europeu. Dentre eles, destacam-se o zagueiro Molla Wagué (Angers/FRA), o volante Diadie Samassékou (Hoffenheim/ALE), os meias Yves Bissouma (Brighton/ING), Adama Malouda Traoré (Sheriff Tiraspol/MDA) e Abdoulay Diaby (Anderlecht/BEL) e o atacante Moussa Marega (Porto/POR). O Mali foi sorteado para o Grupo E, que também tem Uganda, Quênia e Ruanda. Essas seleções jamais jogaram a Copa do Mundo. O resultado do sorteio poderia ter rendido um grupo mais difícil, visto que em outros potes estavam times mais tradicionais como África do Sul, Costa do Marfim, Etiópia, Togo e Angola.

Taynã Melo | A ótima geração de atletas que atua maioritariamente em clubes da primeira divisão da França pode ser o diferencial para dar o salto histórico ao país africano. Em um grupo teoricamente acessível, com Uganda, Quênia e Ruanda, a qualidade técnica dos jogadores coloca a seleção malinesa acima dos concorrentes imediatosTiago Bontempo | Na África, o formato das Eliminatórias transforma a disputa em uma verdadeira roleta-russa, o que dá uma boa possibilidade de termos um estreante do continente em 2022. Mali, atual vice-campeã do Campeonato das Nações Africanas e que tem como principal adversário na primeira fase de grupos da campanha rumo ao Mundial o Quênia, seria minha principal aposta. Outras seleções competitivas como Gabão e Burkina Faso também teriam chance.

🇸🇾 Síria

Bruno Venâncio | A grande surpresa da fase de qualificação asiática até ao momento – ou talvez nem tanto, visto que já havia chegado à última ronda no apuramento para a Copa de 2018. Sem nomes conhecidos fora do contexto asiático e impedida de jogar em casa desde que a guerra civil eclodiu no país, o conjunto sírio conseguiu ainda assim dominar por completo o grupo A da segunda ronda de apuramento na Ásia, contando por vitórias todos os cinco jogos disputados, e tem já praticamente assegurada a passagem para a terceira ronda, na qual virá a ser realmente posta à prova.

Felipe Augusto | A campanha para o Mundial de 2018 foi um feito heroico pelas circunstâncias que o país enfrentava. A vaga na repescagem intercontinental foi perdida para a Austrália apenas na prorrogação. Honduras seria um adversário acessível para chegar ao primeiro Mundial. Para 2022, o time tem campanha tranquila para chegar a fase final, sendo que a China está no mesmo grupo. Outro ponto de melhora foi a internacionalização da seleção, com jogadores como Mahmoud Al-Mawas e Aias Aosman, atuando no Botosani e Hermannstadt, respectivamente, ambos romenos.

Gabriel Sawaf | Este aqui é um enredo que gerou muita torcida nas últimas Eliminatória e quase deu certo. Agora a história está sendo escrita em meio a tragédia e pode terminar em Copa. Já são cinco jogos e cinco vitórias e uma classificação quase certa para a próxima fase. Em meio a tanta dor e tanta violência, o futebol pode dar um sopro de alegria para a terra dos meus antepassados.

Leandro Stein | A Síria é uma escolha óbvia da lista, por beirar a estreia nas Eliminatórias de 2018. Mesmo com o país em guerra civil, os sírios avançaram à repescagem local e faltou um pouco mais de sorte na dramática derrota para a Austrália na prorrogação. O time ficou devendo na Copa da Ásia de 2019, mas começou sobrando nas Eliminatórias para 2022. Omar al-Somah segue como protagonista da geração, mas Omar Kharbin entrou em rota de colisão com o técnico Nabil Maâloul e sua ausência é um problema para as pretensões do possível estreante.

Leonardo Bertozzi | A seleção dirigida pelo tunisiano Nabil Maaloul conta com o goleador Omar Al Somah para chegar ao primeiro Mundial. Mesmo afetada pela guerra civil que tirou os jogos do país, vendeu caro para a Austrália a disputa por um lugar na repescagem intercontinental para 2018, caindo apenas na prorrogação.

Luís Francisco Prates | Por ironia do destino, a seleção da Síria vive o melhor momento de sua história em meio à guerra civil que assola o país há 10 anos. Atualmente treinada pelo tunisiano Nabil Maâloul, a geração capitaneada pelo atacante Omar Al Somah (Al-Ahli Saudi/ARA), que é o artilheiro da atual edição das Eliminatórias com sete gols, chegou à repescagem asiática das Eliminatórias para a Copa do Mundo 2018 e participou da Copa da Ásia 2019. O goleiro Ibrahim Alma (Al-Horjelah/SIR), o zagueiro Moayad Ajan (Al-Wahda/SIR) e o meia Mahmoud Al-Mawas (Botoșani/ROM) são outros destaques da delegação. Na corrida pelas vagas para o Mundial 2022, as Águias lideram o Grupo A com 100% de aproveitamento. Até o momento, acumulam cinco vitórias e 15 pontos em cinco jogos e estão bem à frente da China, que tem sete pontos em quatro jornadas. Portanto, encontram-se virtualmente classificadas para a terceira fase, onde tentarão carimbar o passaporte sem precisar passar pela repescagem.

Taynã Melo | Forte nas últimas Eliminatórias Asiáticas, mas sempre falta algo. Sem poder jogar em seu país devido à guerra civil que dura uma década, faltou muito pouco para os sírios estrearem em um mundial. Em 2017, buscou um empate nos minutos finais contra o Irã e disputou a repescagem. Empatou o primeiro jogo e vendeu muito caro a classificação australiana ao ser derrotado por 2 a 1. Com uma boa campanha na reta inicial das eliminatórias atuais, a equipe pode sonhar que estará em uma Copa do Mundo.

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Seis citações

🇨🇼 Curaçao

Bruno Venâncio | A tarefa é hercúlea e torna-se quase uma utopia pensar que as antigas Antilhas Holandesas podem conseguir superá-la. Afinal de contas, terão de vencer o seu grupo na primeira ronda da fase de apuramento da CONCACAF, depois derrotar na segunda ronda o vencedor do grupo D (que deverá ser o Panamá, estreante em 2018) e por último terminar num dos três primeiros lugares da fase final, para garantir a qualificação directa, ou em quarto, posto que dá acesso ao play-off intercontinental final – e isto tendo já certos como adversários os Estados Unidos, o México, a Costa Rica, a Jamaica e as Honduras, todos eles já muito mais habituados a estas andanças. Uma missão quase impossível… mas o pequeno país do Caribe tem o seu Tom Cruise sentado no banco: Guus Hiddink, que levou a Holanda e a Coreia do Sul a quartos lugares em Copas sucessivas (1998 e 2002, respectivamente) e ainda a Austrália aos oitavos-de-final em 2006, e que agora tenta protagonizar mais um feito histórico tendo uma Copa do Mundo como pano de fundo.

Felipe Augusto | Enquanto Cuba e Suriname iniciam um processo de internacionalização da seleção, Curaçao está bem antecipada, procurando nomes que são holandeses, mas com ascendência da nação. A seleção tem nomes como o goleiro Eloy Room, o zagueiro Cuco Martina, os irmãos Leandro e Juninho Bacuna, meias que atuam na Inglaterra, e o promissor atacante Jeremy Antonisse, do PSV Eindhoven, que tem 18 anos, nasceu na Holanda, mas já decidiu por atuar em Curaçao. Soma-se a isso, o fato de Guus Hiddink, um dos misters Copa, ser o treinador da seleção.

Gabriel Sawaf | Se Suriname é uma sensação na Copa Ouro de 2021, aqui temos um caso que já é destaque desde 2017. Com menos de dez anos de existência, o time de Curaçao já participou três vezes da competição continental, chegando as quartas de final em 2019. Na primeira fase das Eliminatórias, é favorita para avançar. Resta saber se o fenômeno vai se manter e bater de frente com as potências do continente.

Leandro Stein | As Eliminatórias na Concacaf deixaram apenas três vagas em disputa para o octogonal final, com cinco seleções garantidas previamente na fase decisiva. Assim, a margem às surpresas são pequenas. Entre aqueles que não se garantiram nesta última etapa e nunca estiveram num Mundial, Curaçao é quem mais cresce. É o cabeça de chave em seu grupo da primeira fase e tem a bagunçada Guatemala como principal ameaça. Quadrifinalistas da última Copa Ouro, os antilhanos são treinados por ninguém menos que Guus Hiddink. Os destaques são os descendentes nascidos nos Países Baixos, como Cuco Martina, Vurnon Anita e Juninho Bacuna, todos com rodagem na Premier League.

Leonardo Bertozzi | Um nome experiente como Guus Hiddink e a prospecção de bons talentos da diáspora na Europa podem dar frutos. Pensar em um primeiro lugar no grupo e a vitória num possível confronto com o Panamá para estar no octogonal é possível.

Taynã Melo | Quando comandada pelo lendário jogador Patrick Kluivert, teve muita expectativa, mas poucos resultados. Porém, com atletas mais experientes e sob a batuta do experiente e multicampeão treinador Guus Hiddink, a seleção caribenha pode despontar como uma das grandes surpresas da Concacaf, tal como Trinidad e Tobago em 2006.

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Cinco citações

🇲🇰 Macedônia do Norte

Bruno Venâncio | Situação em tudo semelhante à da Finlândia: o grupo H tem um vencedor “encontrado” à partida (Alemanha) e depois três candidatos claros ao segundo posto – Roménia, Islândia e os macedónios, que se encontram igualmente motivados após o histórico e inédito apuramento para o Europeu 2020 (que se irá realizar este verão, após o adiamento devido à eclosão da pandemia do coronavírus no último ano). Conseguido o segundo lugar no grupo, o apuramento no play-off para Pandev e companhia passa a ser uma questão de mais ou menos competência… e muita sorte, que é sempre necessária nestas situações.

Felipe Augusto | No Grupo J das Eliminatórias, a busca da Macedônia será pela vaga na repescagem, pois a Alemanha é ampla favorita. Nessa luta, dá para apostar na seleção de Goran Pandev, pois Romênia e Islândia não passam uma confiança grande. Além disso, a seleção se garantiu na Euro 2020, também, com uma geração que deve ter a última chance de Mundial, apesar de bons valores jovens.

Leandro Stein | A Liga das Nações serviu de atalho à Macedônia do Norte, que estreará na Euro 2020, mas a Copa do Mundo também pode oferecer um caminho possível pelo menos até a repescagem. Romênia e Islândia são as principais candidatas à segunda vaga no Grupo J, encabeçado pela Alemanha, mas Macedônia e Armênia podem se meter na briga. Os macedônios já vêm de um bom qualificatório à Eurocopa, vale lembrar, quando alcançaram a terceira colocação de sua chave. Possuem Goran Pandev como estrela maior, mas também contam com diversas opções de destaque em clubes da Europa – como Enis Bardhi, Elif Elmas, Ezgjan Alioski e Arijan Ademi.

Leonardo Bertozzi | A ex-república iugoslava jogará sua primeira Euro graças à chave da Nations League. O caminho agora é difícil, mas superar Romênia e Islândia para estar na repescagem não chega a ser impossível. Missão para o interminável Goran Pandev e seus bons coadjuvantes Elmas e Alioski.

Tiago Bontempo | A Macedônia do Norte também vem de um ano com bons resultados, vai disputar a Euro em junho e não está em um grupo impossível nas Eliminatórias, com Romênia e Islândia como principais rivais.

🇺🇿 Uzbequistão

Bruno Venâncio | Actual líder do grupo D do apuramento asiático, o conjunto uzbeque acabará mesmo por vencer o grupo ou na pior das hipóteses terminar como um dos melhores segundos classificados, garantindo assim a presença na terceira ronda. Nessa fase a dificuldade aumentará consideravelmente, mas o Uzbequistão já demonstrou no embate contra a Arábia Saudita que pode bater o pé às maiores potências do continente.

Felipe Augusto | Se tem uma seleção que se frustra quando o assunto são Eliminatórias, essa é a uzbeque, que por duas vezes teve a chance de disputar a repescagem intercontinental, mas perdeu o confronto asiático. Sem contar as chances diretas que teve. Então, esqueça a Geração de Ouro formada por Kapadze, Djeparov, Denisov, Nesterov, Geyrikh e Shatskikh para um time mais jovem, que deve ter Eldor Shomurodov, do Genoa, como principal expoente. Desde 2019 fora da seleção, Odil Ahmedov, que vem da geração anterior pode voltar e ajudar o selecionado.

Leonardo Bertozzi | Os uzbeques têm batido na trave nas últimas eliminatórias. Para enfim dar o passo que falta, contam com os gols de Eldor Shomurodov, que atua na Serie A italiana pelo Genoa. Seria o herdeiro do lendário Maksim Shatskikh?

Luís Francisco Prates | Vocês certamente já ouviram falar em época de Eliminatórias que o Uzbequistão é um potencial estreante em Copas do Mundo. Não é por acaso: desde o desmembramento da União Soviética, o país costuma chegar às fases decisivas. Bateu na trave nas corridas para 2010 e 2014, quando foi superado por Bahrein e Jordânia, nessa ordem, na Repescagem Asiática. Na última qualificatória, parou na terceira fase. Em fase de transição entre gerações, o time treinado pelo azeri Vadim Abramov tem como nomes mais conhecidos os experientes Islom Tuhtakhojaev (zagueiro do Liaoning Shenyang/CHN) e Odil Ahmedov (zagueiro do Tianjin Teda/CHN) e os jovens Abduvohid Nematov (goleiro do Tambov/RUS), Rustam Ashurmatov (zagueiro do Gangwon/COR), Temurkhuja Abdukholiqov (atacante do Jeju United/COR) e Eldor Shomurodov (atacante do Genoa/ITA). O Uzbequistão soma nove pontos e está em primeiro no Grupo D, tendo um ponto a mais e um jogo a mais que a Arábia Saudita. Numa hipótese menos otimista, tem chances de se classificar entre os quatro melhores segundos e seguir vivo no sonho do Mundial.

Tiago Bontempo | Na Ásia, a chance de um estreante não é alta, mas o Uzbequistão, que tem sempre batido na trave, cedo ou tarde vai chegar lá.

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Quatro citações

🇻🇳 Vietnã

Bruno Venâncio | O país do sudeste asiático tem surpreendido no apuramento do seu continente, liderando o grupo G depois de já ter vencido em casa a Malásia e os Emirados Árabes Unidos, teoricamente os adversários mais complicados. Ainda terá de se deslocar ao terreno de ambos, mas tudo indica que conseguirá manter a posição ou pelo menos ser um dos melhores segundos classificados, o que lhe dará o bilhete para a terceira ronda. A partir daí será bem mais complicado, mas o conjunto vietnamita já mostrou que pode surpreender.

Leandro Stein | O Vietnã passou longe da classificação a 2018, mas merece atenção depois do que aprontou na Copa da Ásia. Com uma equipe bastante jovem, os vietnamitas chegaram às quartas de final e deram trabalho ao Japão. A ascensão é notável, também nas seleções de base, e a equipe lidera um grupo equilibrado na segunda fase das Eliminatórias. Não é a situação mais garantida, mas dá para sonhar. O elenco se baseia na liga local, com destaque ao camisa 10 Nguyen Công Phuong.

Luís Francisco Prates | Embalado pela excelente campanha na Copa da Ásia 2019, quando chegou às quartas de final, o Vietnã lidera o Grupo G com 11 pontos, à frente das rivais Malásia (9) e Tailândia (8) e dos Emirados Árabes Unidos (6), e depende das próprias forças para chegar à fase decisiva. Comandados pelo sul-coreano Park Hang-seo, os Guerreiros da Estrela Dourada têm como astros o goleiro Đặng Văn Lâm (Cerezo Osaka/JAP), o zagueiro e capitão Quế Ngọc Hải (Viettel/VIE), os meias Đỗ Hùng Dũng (Hanoi FC/VIE) e Nguyễn Quang Hải (Hanoi FC/VIE) e os atacantes Nguyễn Tiến Linh (Becamex Bình Dương/VIE), Nguyễn Văn Quyết (Hanoi FC/VIE) e Nguyễn Văn Toàn (Hoàng Anh Gia Lai/VIE).

Tiago Bontempo | O Vietnã, que aprendeu a jogar um futebol defensivo e eficiente, lidera seu grupo nas Eliminatórias e promete dar trabalho aos pesos-pesados do continente.

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Três citações

🇧🇫 Burkina Faso

Gabriel Sawaf | Outro ponto que é comum na África são gerações que acabam não sendo consagradas dentro do futebol. Burkina Faso fez uma final da CAN, chegou em terceiro em outra e bateu na trave duas vezes nas Eliminatórias. Talvez 2022 seja a última chance de vermos essa geração que encantou a África nos últimos anos, uma vez que o continente sempre costuma coroar os grandes times no fim dos seus ciclos (vide a Costa do Marfim campeã da CAN só depois da saída de Drogba).

Leonardo Bertozzi | Vice-campeã africana em 2013, a seleção tem ótimas peças, como Lassina Traoré (Ajax), Bertrand Traoré (Aston Villa) e Edmond Tapsoba (Bayer Leverkusen). O problema foi o sorteio – medirá forças com a poderosa Argélia.

Tiago Bontempo | (Citado no texto sobre o Mali)

🇬🇦 Gabão

Luís Francisco Prates | Vindo de campanhas decepcionantes a nível continental, com as eliminações na primeira fase das Copas Africanas de Nações de 2015 e 2017 e com a ausência na edição de 2019, o Gabão tentará dar a volta por cima na corrida por uma vaga na Copa do Mundo 2022. O país da África Central está presente nesta lista por ter à disposição uma das maiores estrelas do futebol europeu, o atacante Pierre-Emerick Aubameyang (Arsenal/ING), que também é capitão da seleção. A delegação conta com outros nomes de grandes centros do futebol europeu: os defensores Bruno Ecuele Manga (Dijon/FRA), Lloyd Palun (Guingamp/FRA) e Johann Obiang (Rodez Aveyron/FRA), os meias Mario Lemina (Fulham/ING), Guélor Kanga (Estrela Vermelha/SER) e Didier Ibrahim Ndong (Dijon/FRA) e o atacante Denis Bouanga (Saint-Étienne/FRA). O atual técnico é o francês Patrice Neveu, que chegou em março de 2019. O sorteio das Eliminatórias colocou as Panteras no Grupo F, com Egito, Líbia e Angola. Caso confirmem o favoritismo contra líbios e angolanos e consigam armar uma defesa eficiente contra os egípcios, os gaboneses poderão passar de fase e decidir a classificação no mata-mata.

Taynã Melo | Na última (ou penúltima) tentativa de fazer história com a seleção gabonesa, Aubameyang foi referência para a equipe se classificar à Copa Africana das Nações. A seleção vai brigar diretamente com o Egito liderado por Salah para brigar pela liderança do grupo, a fim de avançar à próxima fase.

Tiago Bontempo | (Citado no texto sobre o Mali)

🇬🇳 Guiné

Felipe Augusto | Se não perder pontos para Guiné-Bissau e Sudão, a Guiné terá dois confrontos importantíssimos contra o Marrocos, o favorito do grupo. Marrocos tem mais jogadores de qualidade, mas a Guiné pode surpreender, principalmente, se Naby Keita, do Liverpool, estiver em campo. O retrospecto de 12 jogos tem apenas duas vitórias malienses, sendo que aconteceram nas últimas quatro partidas. Se passar por Marrocos, a seleção terá a fase mata-mata para garantir a inédita vaga. Na lista, talvez seja a minha décima aposta entre os que escolhi.

Gabriel Sawaf | Como todo espaço de Copa, alguma seleção africana que nunca disputou a Copa e tem jogadores em uma grande fase. Guiné chega com uma lista de peso para tentar ir ao Qatar. Entre os principais nomes estão Keita, do Liverpool, e o irmão do craque Pogba, Florentin, que joga pelo Sochaux. Nas Eliminatórias, o grande desafio será passar por Marrocos antes de chegar no duelo decisivo.

Leonardo Bertozzi | Tem bons jogadores espalhados pela Europa e já fez campanhas de destaque neste século – quatro vezes entre as oito melhores da Copa Africana de Nações. Não é favorita no grupo, mas se Marrocos vacilar…

🇿🇲 Zâmbia

Bruno Formiga | Tem colhido bons resultados e é vista como uma das mais promissoras seleções do continente

Felipe Augusto | Campeã africana em 2012, a Zâmbia vive um trauma desde 27 de abril de 1993, quando o assunto são as Eliminatórias. Nesse dia, um avião que levava 18 jogadores para Senegal caiu e matou 18 jogadores, a geração mais promissora do país, mesmo que Kalusha Bwalya e Charly Musonda, os dois principais não estivessem no voo. A equipe, mesmo assim, chegou perto da inédita vaga para 1994. A confiança agora passa pelos pés da dupla do Red Bull Salzburg, o meia central Enock Mwepu e o atacante Patson Daka, que tem mais de 60 gols em três temporadas de clube.

Luís Francisco Prates | Mesmo sendo uma das seleções mais respeitadas da África, a Zâmbia nunca jogou uma Copa do Mundo. Brigou por vaga na edição de 1994, mas o trágico acidente aéreo no litoral do Gabão, em 27 de abril de 1993, vitimou uma das gerações mais promissoras do futebol do país e adiou o sonho mundialista. Na ocasião, 30 pessoas (25 passageiros + 5 tripulantes) morreram. Pouco tempo depois da tragédia, os Chipolopolo conseguiram chegar à decisão da CAN em 1994, quando foram derrotados pela Nigéria por 2 a 1, de virada. Dezoito anos depois, conquistaram o título africano em uma emocionante vitória de 8 a 7 contra a Costa do Marfim nos pênaltis, após empate sem gols no tempo normal e na prorrogação. Hoje, tendo pela frente a Tunísia, a Mauritânia e a Guiné Equatorial no Grupo B, a Zâmbia chega à segunda fase como adversária direta dos tunisianos pela vaga no mata-mata de onde sairão as cinco seleções classificadas para o Mundial. Para carimbar o passaporte com destino ao Qatar, os zambianos confiam nas táticas do técnico sérvio Milutin Sredojević, nas defesas do goleiro Sebastian Mwange (Green Eagles/ZAM), na força do zagueiro Tandi Mwape (TP Mazembe/RDC), na habilidade dos meias Lubambo Musonda (Śląsk Wrocław/POL) e Enock Mwepu (Red Bull Salzburg/AUT) e nos gols dos atacantes Augustine Mulenga, que também é capitão, e Justin Shonga, ambos do Tshakhuma Tsha Madzivhandila/AFS. Também é válido observar o atacante Fashion Sakala, do Oostende/BEL.

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Duas citações

🇦🇱 Albânia

Bruno Formiga | Outra seleção com base montada em grandes ligas europeias, principalmente na Itália.

Tiago Bontempo | A Albânia, apesar de não ter se classificado para a Euro 2020, disputou o torneio continental pela primeira vez em 2016 e conseguiu seu melhor resultado em Eliminatórias para a Copa com o terceiro lugar de 2018. Vai ter que superar, no mínimo, Polônia e Hungria para chegar ao Catar, mas vem de um 2020 positivo em que perdeu apenas uma partida e venceu seu grupo na Nations League.

🇽🇰 Kosovo

Bruno Formiga | Jogadores espalhados em ligas fortes da Europa. Tem uma estrutura de time bem competitiva e pode aprontar

Gabriel Sawaf | Uma das histórias mais interessantes no sentido político desperta a curiosidade e afeição de muita gente por conta de toda a batalha que é a independência do Kosovo. Um grande passo foi a filiação na FIFA e na UEF e pela segunda divisão a disputa das Eliminatórias. Fica a torcida, apesar da dificuldade, que esse belo recital termine numa Copa do Mundo.

🇲🇬 Madagascar

Felipe Augusto | Uma seleção na ascendente, um cabeça de chave em declínio (República Democrática do Congo) e duas seleções acessíveis (Benin e Tanzânia) fazem de Madagascar, uma potencial surpresa no qualificatório africano. Historicamente conhecida como a seleção dos nomes complicados, como Arohasina Andrianarimanana (!?!?!?), meia do Black Leopards (África do Sul), o time estreou na Copa das Nações Africanas em 2019 e chegou nas quartas de final. O time ganhou o reforço do zagueiro Jérémy Morel, que é francês com pai malgaxe, que tem passagens por Lyon e Marseille.

Leandro Stein | Madagascar era uma seleção praticamente inexistente no cenário africano e deu um estirão enorme desde a participação na Copa Africana de 2019, quando alcançou as quartas de final. Os Zebus estão na briga pela vaga na CAN 2021 e também chegam bem às Eliminatórias. O Grupo J é aberto, diante da queda recente de RD Congo, mas com a concorrência de Benin e Tanzânia. Os malgaxes recorreram bastante nos últimos anos a descendentes nascidos na França. O grande nome é o capitão Anicet Abel.

🇲🇪 Montenegro

Bruno Venâncio | O país onde pontificam Savic (central do Atlético de Madrid) ou Jovetic (avançado do Mónaco) ainda não se conseguiu qualificar para qualquer grande competição e enfrenta uma concorrência de muito peso no grupo G (Holanda, Turquia e Noruega), mas tem uma vantagem em relação a muitos dos participantes no apuramento: venceu o seu grupo na Liga das Nações e tem por isso uma possibilidade muito forte de chegar ao play-off final mesmo que não consiga terminar nos dois primeiros lugares do seu grupo nesta fase de qualificação. E aí chegado, já se sabe, não há favoritismos em mata-mata.

Luís Francisco Prates | O formato das Eliminatórias Europeias é generoso com as seleções de peso, que ficam nos primeiros potes e costumam pegar grupos acessíveis na trajetória rumo à Copa do Mundo. Por outro lado, podem acontecer surpresas como as classificações de Eslovênia, Eslováquia, Bósnia-Herzegovina e Islândia para os respectivos Mundiais de 2002, 2010, 2014 e 2018. A fase de classificação para a Eurocopa 2020, por sua vez, rendeu inéditas vagas para Finlândia e Macedônia do Norte. Contudo, o sorteio das Eliminatórias para a Copa do Mundo 2022 não foi generoso com elas. Dentre as seleções da Uefa que nunca jogaram a Copa do Mundo, a mais cotada para estrear no certame, na minha avaliação, é Montenegro, que acompanha Holanda, Turquia, Noruega, Letônia e Gibraltar no Grupo G. Os Bravos Falcões chegaram perto da repescagem nas Eliminatórias para 2014 e 2018 e prometem dar trabalho a turcos e noruegueses na briga pela segunda posição do grupo, que dá vaga à própria repescagem – considera-se que os holandeses são franco favoritos à liderança e à vaga direta. Treinados pelo compatriota Miodrag Radulović, os montenegrinos têm como principais jogadores o goleiro Milan Mijatović (MTK Budapeste/HUN), os zagueiros Stefan Savić (Atlético de Madrid/ESP) e Adam Marušić (Lazio/ITA), o volante Nikola Vukčević (Levante/ESP), o meia Aleksandar Šćekić (Partizán/SER) e os atacantes Stevan Jovetić (Monaco/FRA) e Fatos Bećiraj (Bnei Yehuda Tel Aviv/ISR).

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Uma citação

🇧🇭 Bahrein

Luís Francisco Prates | Figura carimbada na Copa da Ásia, o Bahrein bateu na trave no caminho rumo à Copa do Mundo em duas ocasiões. Chegou à Repescagem Intercontinental nas Eliminatórias para 2006 e 2010, mas acabou derrotado por Trinidad e Tobago e Nova Zelândia, respectivamente. O sonho de disputar o Mundial pela primeira vez, portanto, ainda não se realizou. Depois de duas Eliminatórias onde sequer chegou à última fase, a seleção bareinita deposita suas esperanças na geração que, em 2019, chegou ao mata-mata da Copa da Ásia pela primeira vez desde 2004 e vendeu caro a eliminação nas oitavas para a Coreia do Sul, que só veio vencer na prorrogação. Treinada pelo português Hélio Sousa e repleta de jogadores experientes, a equipe soma nove pontos em cinco rodadas e briga ponto a ponto com o Iraque (11) pela primeira posição do Grupo C. Mesmo que não seja líder, pode avançar de fase como um dos quatro melhores vice-líderes. As maiores estrelas são o goleiro Sayed Jaffer (Al-Muharraq/BAH), os defensores Waleed Al Hayam (Al-Muharraq/BAH) e Abdulla Al-Haza’a (East Riffa/BAH), o meia Sayed Dhiya Saeed (Al-Nasr/KUW) e os atacantes Ismail Abdullatif (Al-Muharraq/BAH), Mohamed Al Romaihi (Manama Club/BAH) e Abdulla Yusuf Helal (Slovan Liberec/TCH).

🇨🇻 Cabo Verde

Gabriel Sawaf | Aqui fica uma torcida muito especial por encantamento e, também, pelo fim da geração. Cabo Verde foi uma grande surpresa da CAN de 2012 e ficou a expectativa para 2014. Nas Eliminatórias a seleção foi eliminada no tapetão pela Tunísia e ficou a bronca. Em 2018 o grupo era muito complicado (Senegal, Burkina Faso e África do Sul) e tudo foi mais delicado. Agora, com ainda alguns jogadores dos anos áureos, como Vozinha, Helder Tavares, Julio Taveres e Platini, a missão é passar pela Nigéria e chegar na prova de fogo.

🇸🇧 Ilhas Salomão

Leonardo Bertozzi | Só para ter alguma seleção da Oceania na lista. Provavelmente não vão nem superar a Nova Zelândia, e ainda precisariam vencer a repescagem intercontinental. Acredita em milagres?

🇮🇳 Índia

Bruno Formiga | Muita gente aponta como o país do futuro. Sendo ou não, é fato que fez investimentos para tentar ter uma liga profissional boa. O crescimento estacionou, mas os frutos talvez sejam colhidos agora. Lembrando: a seleção já vem de uma sequência com técnicos estrangeiros.

🇲🇾 Malásia

Taynã Melo | País vizinho, principal rival e no mesmo grupo da Tailândia, a Malásia tem um modelo semelhante de gestão e projeto. Uma posição acima da Tailândia e abaixo apenas do líder Vietnã, a equipe pode sonhar com um desempenho por confiar no potencial dos clubes que disputam os torneios nacionais em fornecer bons jogadores

🇳🇨 Nova Caledônia

Leandro Stein | Se for para escolher uma seleção da Oceania, a melhor opção é a Nova Caledônia. O território ultramarino francês não é necessariamente o mais forte entre os nanicos da OFC, mas é quem mais consegue peitar a Nova Zelândia, inclusive entre os clubes. A base do time é dividida entre Magenta e Hienghène Sport – este, presente no Mundial de 2019. O veteraníssimo Bertrand Kaï tende a disputar sua última edição das Eliminatórias. Se os Cagous cometerem o crime contra os neozelandeses, como foi na Copa das Nações de 2012 (quando perderam a final para o Taiti), só fica difícil de acreditar no milagre durante a possível repescagem.

🇴🇲 Omã

Taynã Melo | A seleção de Omã terminou as Eliminatórias Asiáticas ao Mundial de 2018 com campanha positiva, mas não conseguiu estar posicionada o suficiente para avançar de fase e ficou pelo caminho. Para a Copa do Qatar, já conseguiu pontuação superior. Como está no mesmo grupo que os anfitriões, pode fazer história ao figurar entre os representantes da Ásia.

🇰🇬 Quirguistão

Gabriel Sawaf | Aqui fica a lembrança para os acompanhantes da saudosa Asia Challenge Cup. O torneio que nos deixou em 2014 fez os órfãos ficarem de olhos nas grandiosas seleções que elas disputavam. A torcida natural seria para a Palestina, última campeã, mas a situação não está tão fácil. Então fica aqui a torcida pelo Quirguistão, que no momento é a segunda colocada no seu grupo, conta com alguns jogadores que atuam fora do país e podem surpreender.

🇸🇷 Suriname

Gabriel Sawaf | O país da América do Sul, que joga pela CONCACAF, é uma das gratas novidades da Copa Ouro em 2021. Além disso, o país atravessa bons momentos no futebol, com a profissionalização do esporte e a possibilidade de jogadores holandeses, com descendência surinamesa serem convocados. O escrete tem o grande desafio de passar pelo Canadá na primeira fase das Eliminatórias, mas é um caminho que pode ser traçado para o Catar.

🇹🇭 Tailândia

Taynã Melo | Com alguns brasileiros em destaque na liga nacional, a Tailândia tem um projeto de crescimento para estar na disputa das principais competições continentais e mundiais. A Copa do Mundo é o grande sonho tailandês e aproveita um pouco da experiência internacional para poder fazer as coisas do jeito certo e disputar a Copa.

🇹🇲 Turcomenistão

Bruno Venâncio | A antiga república da União Soviética vai na frente do grupo H do apuramento asiático mas será uma questão de tempo até perder a liderança para a Coreia do Sul. Tem, ainda assim, a possibilidade de terminar como um dos melhores segundos classificados em caso de vitória na recepção ao Líbano e a partir daí poderá sempre sonhar com o apuramento na terceira ronda ou, em última hipótese, a chegada ao play-off intercontinental final que lhe permita marcar pela primeira vez presença numa Copa do Mundo.

🇺🇬 Uganda

Luís Francisco Prates | O grupo do Mali tem outra potencial estreante para a Copa do Mundo 2022: a seleção da Uganda. A atual geração levou o país da África Oriental à Copa Africana de Nações depois de 39 anos de ausência, em 2017, e ao mata-mata da mesma competição depois de 41 anos de jejum, na edição de 2019. O astro do time nacional ugandense é o atacante Emmanuel Okwi, jogador do Al-Ittihad Alexandria/EGI e maior artilheiro da história da seleção com 26 gols. Também vale ficar de olho em jogadores como o goleiro e capitão Denis Onyango (Mamelodi Sundowns/AFS), os defensores Nicholas Wadada (Azam/TAM), Hassan Wasswa (Jeddah/ARA) e Joseph Ochaya (Mazembe/RDC), os meias Farouk Miya (Konyaspor/TUR) e Khalid Aucho (Misr Lel Makkasa/EGI) e o atacante Patrick Kaddu (Ismaily/EGI). O atual técnico é o norte-irlandês Johnny McKinstry, de apenas 35 anos, que está substituindo o francês Sébastien Desabre, mentor da histórica campanha na CAN em 2019. Nas Eliminatórias para o Mundial 2018, Uganda ficou a apenas quatro pontos do Egito, uma das seleções classificadas.

🇿🇼 Zimbábue

Leandro Stein | Uma escolha ousada aqui, considerando que Zimbábue está no mesmo grupo de Gana e África do Sul nas Eliminatórias. Apesar disso, os Guerreiros ganham talento e experiência nos últimos anos, tanto que disputaram as duas últimas edições da Copa Africana de Nações. O elenco vê alguns jogadores pintarem em ligas de ponta na Europa. Marvelous Nakamba foi o primeiro representante zimbabuano na Premier League, hoje reserva no Aston Villa, mas o ataque também conta com a explosão de Tino Kadewere no Lyon. Não tem o cartaz de alguns jogadores de Guiné ou Burkina Faso, mas pode crescer.


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