Copa Afro-Asiática: a diplomacia que a criou e a extinguiu

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Historicamente, América do Sul e Europa dominam o futebol de clubes no mundo. Esse domínio foi tão grande a ponto de apenas neste século considerarem e implementarem um Mundial de Clubes com representantes de todas as confederações continentais. Antes disso, o título mundial ficava com o campeão da Copa Intercontinental, que colocava as duas regiões supracitadas para se encararem.

No final dos anos 1980, as confederações da África e Ásia resolveram criar uma versão alternativa da Intercontinental, a Copa Afro-Asiática (ou Campeonato Afro-Asiático de Clubes), que colocava os campeões continentais do ano anterior para se enfrentarem e definirem um título de importância a partir de 1986.

A boa diplomacia entre as entidades fez com que o torneio saísse do papel e ficasse em voga até 1998, mas com problemas: durante quatro anos não foi realizada.

As duas primeiras edições foram disputadas em jogo único, com vitórias de Daewoo Royals (atual Busan IPark), da Coreia do Sul, e Zamalek, do Egito. Em 1987, a disputa foi na Arábia Saudita, com os sul-coreanos fazendo 2 a 0 no FAR Rabat, do Marrocos. A seguinte foi na casa do campeão, no Cairo, com outro 2 a 0, para cima do Furukawa Electric (atual JEF United Chiba), do Japão.

Time do Furukawa, vice em 1987

A partir de 1988, o formato mudou, com jogos de ida e volta na casa dos campeões continentais, havendo um rodízio por temporada: em uma, a primeira partida era na Ásia e na outra na África.

As quatro edições seguintes foram vencidas pelos africanos. O Al-Ahly derrotou o Yomiuri (atual Verdy Tokyo), por 4 a 1, no agregado. Em 1989, o ES Sétif, da Argélia, aplicou 5 a 1 no todo contra o Al-Sadd, do Qatar. Em 1990 e 1991, a competição não foi realizada. Quando voltou, foi a vez do Club Africain (Tunísia) fazer 4 a 3 no Al-Hilal (Arábia Saudita) e em 1993, o Marrocos teve a primeira conquista, com o Wydad derrotando o Pas Tehran (Irã).

Al-Ahly e Yomiuri poderiam ter se enfrentado em um fantasioso Mundial de Clubes em 1987 que imaginamos em 2019

A conquista mais alternativa da competição veio em 1994, quando os tailandeses do Thai Farmers Bank derrotaram o Zamalek. Na primeira partida, no Egito, vitória dos donos da casa por 2 a 1. O gol fora fez com que uma vitória simples na volta, garantisse a taça intercontinental ao clube.

A curta história do Thai Farmers Bank teve um título internacional

Em 1995, o Thai voltou ao campeonato, pois conquistou o bicampeonato asiático. Dessa vez, o rival foi o Espérance Tunis, treinado pelo desconhecido brasileiro Roberto di Baldos Amilton e que tinha o brasileiro Daniel Edgar, meia formado no Coritiba. Na primeira partida, empate em um gol na Ásia. Na partida definitiva, o Espérance não teve dificuldades para fazer 3 a 0 e garantir a taça. Cinco anos depois, o clube do Sudeste da Ásia foi extinto, vítima da Crise Financeira Asiática de 1997, onde perdeu o principal patrocinador, o banco que dava nome ao clube.

Na temporada seguinte, um clube sul-africano estreou no torneio: o Orlando Pirates. Porém, a lembrança não foi nada boa. O empate sem gols na África não foi capaz de segurar o ímpeto do Cheonan Ilhwa Chunma (atual Seongnam FC), da Coreia do Sul, que aplicou 5 a 0 na volta.

Time do Zamalek que conquistou o único bicampeonato da Afro-Asiática

O único clube com duas taças na competição é o Zamalek. O bicampeonato veio em 1997 para cima dos sul-coreanos do Pohang Steelers. Os egípcios são os únicos com três aparições, enquanto o Pohang se tornou o único com dois vices, pois perdeu a edição 1998 (que foi disputada em 1999) para o Raja Casablanca.

Em 1999 (ou 2000), o confronto seria entre ASEC Mimosas (Costa do Marfim) e Jubilo Iwata (Japão), mas foi cancelado. Essa seria a última disputa, pois a diplomacia boa se transformou em uma péssima relação. Em julho de 2000, a Confederação Africana de Futebol comunicou a decisão de interromper a Afro-Asiática. O motivo: a Confederação Asiática de Futebol resolveu apoiar a eleição da Alemanha como sede da Copa do Mundo de 2006 em detrimento a África do Sul, que competia, também. A represália fez com que parasse ali, a história da Copa Afro-Asiática. Não demorou muito para representantes das duas entidades se encontrarem em um torneio intercontinental, pois em 2000, o Mundial de Clubes usado como teste, mas chancelado pela FIFA teve um jogo emocionante: Al-Nassr 4×3 Raja Casablanca. A Copa Afro-Asiática ficou pelo caminho na história, mas marcou um torneio de relevância para os dois continentes.

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Os brasileiros na disputa

Além do treinador Roberto Amilton, que não tem quase nenhuma informação sobre disponível na rede, além do fato de ter sido treinador do Espérance Tunis na conquista de 1995 e Daniel Edgar, outros brasileiros participaram da disputa.

Os primeiros foram Edson e Milton Cruz, que estavam no elenco do Yomiuri em 1989. Milton é mais conhecido, fez carreira no São Paulo, Internacional, Sport e estava na primeira passagem Japão e durante anos foi auxiliar técnico do São Paulo, enquanto Edson tem currículo quase todo no Japão. Além deles, o brasileiro naturalizado japonês, Ruy Ramos, também, estava presente no elenco.

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Outro treinador brasileiro que disputou a competição foi Cabralzinho, que é idolatrado pela torcida do Zamalek, onde foi campeão africano em 2002. Ele disputou a Afro-Asiática comandando o Al-Sadd, em 1989, mas ficou com o vice-campeonato.

Na temporada 1992/93, mais brasileiros foram vice-campeões da competição: Sérgio Soares (atualmente treinador e ídolo do Santo André) e Edson Pezinho (com passagens por Corinthians e Guarani) eram jogadores do Al-Hilal e foram treinados por Sebastião Lazaroni (em 1993, ano que foi disputada a partida de volta, Oscar Bernardi, também, comandou o time).

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