Doze jogos marcantes dos mato-grossenses na Série A

Anúncios

A espera acabou. O torcedor do futebol do Mato Grosso pode se orgulhar e dizer que tem um clube na Série A. O acesso do Cuiabá à primeira divisão é um marco para o desporto local e para a jovem equipe fundada neste século, a primeira a chegar nesse nível. São muitos feitos na trajetória, como um estreante (algo que não ocorria desde 2009 com o Grêmio Barueri), a recolocação do Mato Grosso no escalão após 35 anos, o quarto clube do estado na história e a quinta equipe a sair da Série D para a Série A.

Até a estreia e durante toda a disputa da competição, a Série Z acompanhará de perto toda trajetória, com muito conteúdo especial. Para começar, vamos relembrar doze jogos marcantes da trajetória mato-grossense na elite nacional. Até o momento, Mixto, Dom Bosco e Operário de Várzea Grande eram os clubes que passaram pelo primeiro escalão. O alvinegro esteve em campo nos anos de 1976, entre 1978 e 1983 e 1985, sendo o que mais teve aparições. Na sequência, o Dom Bosco e Operário conta com três participações: estiveram juntos em 1979; em 1977 e 1978 foi a vez do Dom Bosco e em 1984 e 1986, o CEOV representou o estado. Aqui, consideramos o Brasileirão a partir de 1971, pois antes disso, o clube tricolor disputou a Taça Brasil de 1968.

1973 – Comercial (MS) 0 x 1 Flamengo: a primeira partida foi do “futuro vizinho”

A primeira partida da história do Mato Grosso foi de um clube do Mato Grosso do Sul? Pois então, em 1973, o Mato Grosso era apenas um estado, mesmo que a parte Sul há décadas proclamasse a intenção de se separar. O Comercial, de Campo Grande, chegou ao Brasileirão como campeão do estado e estreou logo contra o Flamengo. Entre 1973 e 1978, os clubes, hoje, sul-mato-grossenses chegaram na divisão como representantes do Mato Grosso. O Comercial esteve em 1973, 1974, 1975, 1976 e 1978, enquanto o Operário disputou em 1977 e 1978. A partir daqui, separamos a história e focamos apenas nos mato-grossenses.

Anúncios

1976 – Mixto 1 x 0 Vasco: a primeira grande vitória

Foi ano da primeira participação de um mato-grossense de fato na competição. Sendo assim, foi uma temporada com várias estreias. O primeiro jogo foi contra o Goiás, em casa, com um empate por um gol em 29 de agosto. Em 12 de setembro, o alvinegro recebeu o América Mineiro e conquistou a primeira vitória com um inapelável 3 a 0. Contudo, a grande vitória do time veio na rodada seguinte, quando venceu o Vasco de Roberto Dinamite, por 1 a 0, com gol olímpico de Pelezinho.

Detalhe da bola entrando após cobrança de escanteio de Pelezinho

1977 – Dom Bosco 1 x 0 Avaí: as primeiras vezes do Leão da Colina

Em 16 de outubro de 1977, o Dom Bosco recebeu o Avaí, em casa, para a primeira partida da história do clube na primeira divisão nacional. Porém, com derrota: 3 a 1. O Dom Bosco terminou essa fase com nenhuma vitória, mas todos os clubes “eliminados” disputariam uma repescagem. Quase dois meses depois, em 8 de dezembro, foi a vez da agremiação dombosquina ir até Santa Catarina e fazer 1 a 0, a primeira vitória na Série A.

1978 – Dom Bosco 1 x 1 Mixto: o maior clássico Vovô?

Dom Bosco e Mixto são as equipes mais antigas de Cuiabá em atividade. Foram nove encontros em final estadual, mas o mais emblemático confronto foi na Série A de 1978. Pela sexta rodada, o antigo estádio Verdão recebeu mais de 20 mil torcedores para o empate no clássico. Os dois gols foram “marcados pelo” Dom Bosco, pois Adilson fez a favor e Zé Luis fez contra. O Mixto avançou para a fase principal, enquanto o Dom Bosco tentou a sorte na repescagem.

Time do Dom Bosco em 1978, ano da melhor participação do clube na Série A

1978 – Dom Bosco 2 x 1 Fluminense: o time das três fases

Se o Mixto é o que tem mais partidas em uma edição (veja adiante), o Dom Bosco é o único que alcançou uma terceira fase de Brasileirão. Chegou até essa fase após passar por uma repescagem. Na etapa derradeira, a maior vitória da equipe veio contra o Fluminense, em casa, por 2 a 1, com gols de Gonçalves e Nogueira. O Tricolor tinha como destaques no time, o zagueiro Edinho, o lateral Marinho Chagas, o meia Arturzinho e o atacante argentino Doval.

1979 – Operário 3 x 0 Brasília: o único a estrear com vitória

Se o Mixto empatou e o Dom Bosco perdeu nas estreias de divisão, o Operário de Várzea Grande é o único mato-grossense que venceu a primeira partida em Série A. Em 23 de setembro, o time recebeu o Brasília, em casa, e não teve dificuldades para colocar 3 a 0 no placar, com gols de Mosca, Ernâni e Ramón.

1979 – Mixto 4 x 3 Operário: a vez do Clássico dos Milhões

Maiores campeões do estado, em 1979, o Mato Grosso viu pela última vez um confronto regional e foi um jogão. Na temporada que marcou a maior primeira divisão da história, os dois caíram em uma chave com presença de baianos, goianos, sul-mato-grossenses e brasilienses. As duas equipes se encararam na sexta rodada para protagonizar um jogo para a história: 4 a 3. Bife marcou um hattrick para os alvinegros, enquanto Gérson Lopes fez dois para o Chicote. Marcinho (Mixto) e Ernâni (CEOV) completaram o placar que marcou a grande vitória do Mixto.

1982 – Mixto 4 x 2 Cruzeiro: o show do Tostão alvinegro

Anúncios

Talvez essa seja a história mais legal da trajetória mato-grossense na Série A. Como sabemos, um dos grandes nomes da história do Cruzeiro foi Tostão, tricampeão do mundo em 1970 e que teve carreira abreviada por lesões em 1973. Dois anos depois do original se aposentar, Luís Antônio Fernandes, no Santos, começava a carreira no futebol usando o apelido do ídolo, Tostão. Os anos passaram e ele chegou ao Mixto em 1980. Duas temporadas passaram e Tostão fez três gols no… Cruzeiro, quando o Tigre fez 4 a 2 na Raposa. A história melhora, pois o Tostão “II” depois disso acertou com o Cruzeiro e se tornou um dos grandes nomes do clube na década de 1980.

Página do Guia da Taça de Ouro de 1982 na Revista Placar, que destacava Tostão

1984 – Operário 6 x 1 Anapolina: a maior goleada

Os clubes do Pantanal não têm tantas goleadas aplicadas na primeira divisão. Para se ter ideia, a segunda maior é um 4 a 1 do Mixto contra o Americano em 1976. Abaixo disso, 3 a 0 é o maior placar e não é goleada (polêmica?). Em 1984, o Operário disputava a Série A pela segunda vez. Na nona rodada, ainda lutando pela vaga à fase seguinte, o clube várzea-grandense recebeu a Anapolina para ver um show de Mosca, autor de quatro gols na partida. Zé Dias e Bife completaram a goleada.

1984 – Operário 1 x 0 Botafogo: o triunfo de São Januário

“Num jogo horrível o Operário, pelo menos, soube marcar o pênalti que o favoreceu”. Foi assim que a Revista Placar analisou a última partida da segunda fase entre o Chicote e o Glorioso, em São Januário, no Rio de Janeiro, a grande vitória do estado fora de seus domínios. O Botafogo tinha chances de classificação, mas Mosca, de pênalti, aos 8 minutos do segundo tempo fez o gol da vitória tricolor.

Em 1984, a Revista Placar reservava pelo menos uma página para cada participante da primeira divisão. Foi assim que o Tricolor foi apresentado

1985 – Mixto 2 x 1 Sport: o destaque em meio a maior participação

Quando o Cuiabá disputar a 29ª rodada do Brasileirão 2021, o Dourado ultrapassará a marca do Mixto em 1985, como mato-grossense com mais partidas em uma edição de Série A. Na Taça de Ouro que teve a alternativa final entre Coritiba e Bangu, o Mixto teve a participação com mais partidas: 28. Na segunda fase, o time encarou Internacional e Vasco, mas não venceu nenhuma. O grande triunfo na campanha foi a vitória para cima do Sport, em casa, no primeiro turno, única derrota pernambucana nesta fase, com gols de Gílson Bonfim e Clóvis.

1986 – Operário 0 x 6 Vasco: a traumática última partida

A última participação do estado do Centro-Oeste foi bem ruim, com uma vitória, um empate e oito derrotas. A única vitória foi contra a Tuna Luso, na primeira rodada, com vitória, por 2 a 1, com os dois tentos marcados por Jota Maria. Depois foram nove jogos de amargura, “coroada” com uma goleada homérica do Vasco para cima do Tricolor, com três gols de Roberto Dinamite e um do jovem Romário. Terminava assim, a primeira parte da história do futebol do Mato Grosso na primeira divisão.

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: