Guia da A-League 2020-21

Redação e pesquisa: Eduardo Vieira, editor do perfil A-League Brasil no Twitter (@aleaguebr) e do Podcast Australianão no Spotify e YouTube

Design e organização: Felipe Augusto, editor da Revista Série Z

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Vai começar a A-League 20/21, a principal liga do futebol australiano. Em sua 15ª edição, a temporada 2020/2021 do Australianão terá apenas uma rodada no ano da pandemia. Após a parada por conta da COVID-19, o campeonato 19/20, que deveria ter terminado em maio, só foi encerrado em agosto, o que alterou os planos para o ano seguinte. Controlados os números da doença na Austrália, o campeonato pode enfim começar e, apesar da dificuldade financeira vivida pelos clubes australianos, a disputa promete ser uma das mais quentes de sua história.

Em 20/21 a A-League ganha mais uma equipe e agora conta com 12 clubes brigando pelo título: Adelaide United, Brisbane Roar, Central Coast Mariners, Melbourne City, Melbourne Victory, Newcastle Jets, Perth Glory, Sydney FC, Wellington Phoenix, Western Sydney Wanderers, Western United e o estreante Macarthur FC.

A fórmula do campeonato é bem diferente das maiores ligas do mundo. Sem rebaixamento, os times se enfrentam em três turnos e os seis primeiros colocados da Regular Season se classificam para a fase de Playoffs. O primeiro levanta o troféu simbólico conhecido como Premiers Plate e junto com o segundo colocado passam direto para as semifinais. Os outros quatro classificados se enfrentam em eliminatórias, 3º x 6º e 4º x 5º, em busca da vaga na semi. O grande campeão dos Playoffs fica com o cobiçado troféu em curioso formato de assento de vaso sanitário.

O grande favorito desta edição é o Sydney FC, atual bi-campeão e maior vencedor da história da A-League, com cinco títulos. Melbourne City e os caçulas Western United e Macarthur FC são as outras equipes que entram com maior investimento e por isso merecem atenção, mas em ano de crise financeira geral e num campeonato com apenas 12 clubes, tudo pode acontecer.

A crise fez com que a Football Federation of Australia (FFA), rebatizada recentemente para apenas Football Australia (FA), e os proprietários dos clubes da A-League reduzissem o teto salarial das equipes nesta temporada de AU$ 3,2 milhões para pouco mais de AU$ 2,1 milhões por ano. A decisão foi tomada após longa e problemática negociação com a Professional Footballers Australia (PFA), representante dos atletas na negociação do acordo coletivo da categoria, que define o salário mínimo e outros detalhes dos acordos financeiros entre clubes e jogadores.

Com a redução do teto salarial e a perda de poder financeiro dos clubes, muitos atletas deixaram ou preteriram a Austrália rumo a centros não tão badalados, porém mais lucrativos para os jogadores, como países de segundo ou terceiro escalão na Europa e outros na Ásia, como Japão, Coréia do Sul e principalmente Índia.

Na montagem dos elencos para esse ano é possível notar um maior investimento em jovens valores, atletas oriundos de equipes da National Premier League (NPL), liga secundária do futebol australiano, e jogadores sem tanto mercado em países de maior poderio financeiro e futebolístico.

Os nomes mais conhecidos deste ano vem da Espanha, são eles: Beñat Etxebarria e Mark Susaeta, ambos ídolos do Athletic Bilbao e recém-contratados pelo Macarthur FC; Víctor Sánchez, revelado pelo Barcelona e com passagem duradoura pelo Espanyol, trazido pelo Western United; Javi López, também ídolo do Espanyol, vem para o Adelaide United junto ao atacante australiano Tomi Juric, camisa 9 dos Socceroos na Copa de 2018. Além destes, o inglês Callum McManaman, sobrinho do famoso Steve McManaman e campeão da FA Cup pelo Wigan, em 2012, vai defender o Melbourne Victory, que trouxe ainda o atacante Rudy Gestede, ex-Middlesbrough e Seleção de Benin. O atacante Marcos Ureña, um dos principais nomes da Seleção da Costa Rica nas Copas de 2014 e 2018 também chega como destaque para a A-League, onde defenderá a camisa do Central Coast Mariners.

Venha conosco então a um passeio pelos detalhes, histórias, curiosidades, contratações e muito mais dos 12 clubes que fazem parte do Australianão para a temporada 20/21.

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Fundação: 2003

Cidade: Adelaide, South Australia

Estádio: Coopers Stadium – 17.000 pessoas

Títulos: 3x FFA Cup (2014, 18 e 19), 1x A-League (2015/2016)

Destaques: Javi López, Tomi Juric e Al-Hassan Touré.

O time que um dia teve o baixinho Romário com sua camisa 11, assim será sempre apresentado o Adelaide United, mesmo o gênio da grande área tendo jogado apenas quatro jogos e feito somente um gol com a camisa dos Reds. Mas mais que isso, o Adelaide é o clube que recentemente mais revela jovens talentos australianos para o futebol, como Awer Mabil (Midtjylland), Riley McGree (Birmingham) e os irmãos Al-Hassan e Mohamed Touré, joias do atual elenco. Para 20/21, mais do que nunca o clube terá que fazer valer suas pratas da casa.

Sempre brigando na parte de cima da tabela, os Reds não foram bem em 19/20, encerrando o campeonato na sétima posição. Perdeu alguns de seus principais jogadores, como o goleiro Paul Izzo, os meias Taras Gomulka e Riley McGree, o atacante Kristian Opseth e por último James Troisi, que de forma inesperada deixou o clube rumo ao Western Sydney Wanderers.

Para a nova temporada, a limitação financeira fez o clube apostar no investimento em atletas vindos da NPL, como a promessa Dominic Constanzo, autor de 14 gols em 18 jogos pelo Croydon Rangers na última temporada, e em mais uma fornada de jovens jogadores, como os irmãos Toure, citados anteriormente, o meia Louis D’Arrigo, e os atacantes Nathan Konstandopoulos, Kusini Yengi e Pacifique Niyongabire.

Javi Lopez e o treinador Carl Veart

Novidade também no comando técnico, com o ex-jogador Carl Veart em sua primeira experiência como treinador principal. Manteve o experiente Ben Halloran, trouxe o jovem Joe Caletti, vindo do futebol norueguês. Como grandes reforços chegam o lateral-direito Javi López, vindo de nove temporadas no Espanyol, e o atacante Tomi Juric, que estava no CSKA Sofia e foi o principal atacante dos Socceroos na última Copa do Mundo.

Time base: Delianov; López, Jakobsen, Elsey e Thimotheou; Strain, Mauk (D’Arrigo) e Halloran; Caletti, A. Toure e Juric.

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Fundação: 1957 – Hollandia FC, 1973 – Brisbane Lions, 2005 – Queensland Roar, 2009 – Brisbane Roar

Cidade: Brisbane, Queensland

Estádio: Dolphin Oval – 11.500 pessoas

Títulos: 1x NSL (1981), 3x A-League (2010/2011, 2011/2012 e 2013/2014)

Destaques: Joe Champness, Jay O’Shea e Scott McDonald..

Clube mais antigo da A-League, o Brisbane Roar foi fundado em 1953 como Hollandia FC por membros da colônia holandesa, como bem sugere o nome. Mudou seu nome outras três vezes, para Brisbane Lions, em 73, Queensland Roar, em 2005, no início da A-League, e Brisbane Roar, em 2009, em busca de uma identificação maior com sua cidade sede e os tempos de Lions. Chega a nova temporada buscando repetir a primeira parte da década que se passou, quando conquistou seus três títulos da competição em quatro anos.

Em 19/20, treinado até a parada da pandemia pelo inglês Robbie Fowler, chegou até aos Playoffs, mas caiu na primeira eliminatória diante do estreante Western United. Do último elenco perdeu peças importantes como Adam O’Neil, Brad Inman, Scott Neville, Max Crocombe e o zagueiro Daniel Bowles, que se aposentou aos 28 anos para cuidar da empresa de café da família.

Em compensação as perdas, o Roar foi o primeiro a montar todo seu elenco para 20/21. Terá o treinador mais novo dentre todos os clubes da A-League, o britânico Warren Moon, 38 anos, e conseguiu manter jovens talentos que apareceram bem na temporada passada, como Akbari, Powell, Muratovic e Wenzel-Halls, principal aposta no ataque.

O grande nome da equipe fica por conta do veterano Scott McDonald, 37 anos, com passagens marcantes por Middlesbrough e Millwall, no futebol inglês. É o líder do elenco ao lado do goleiro Jamie Young, 34 anos, e do volante irlandês Jay O’Shea, 32 anos.

Scott McDonald | Foto: Jono Searle/Getty Images

O clube investiu também no futebol japonês, onde foi buscar os atacantes Masato Kudo, 30 anos, com passagens por Kashiwa Reysol, Sanfrecce Hiroshima e Seleção Japonesa, e Riku Danzaki, 20 anos, que vem por empréstimo do Consadole Sapporo.

A principal contratação vem do rap, isso mesmo, do mundo da música. Trata-se do meia Joe Champness, 23 anos, revelado pelo próprio Roar e com passagem pelas seleções de base da Austrália. Champness havia largado o futebol na temporada passada para seguir o sonho de se tornar cantor de rap nos EUA. Chegou a lançar um single com o nome artístico de Jowic, mas decidiu voltar ao futebol e já na pré-temporada mostrou que pode ser bem útil, com boas atuações e até um hat-trick em um dos amistosos.

Time base: Young; Courtney-Perkyns, Gillesphey, Aldred e Brown; Mells, O’Shea e Kim; Champness, McDonald e Wenzel-Halls.

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Fundação: 2004

Cidade: Gosford, New South Wales

Estádio: Central Coast Stadium – 20.000 pessoas

Títulos: 1x A-League (2012/2013)

Destaques: Marcos Ureña, Daniel De Silva e Oliver Bozanic.

Dono de um estádio com uma das mais belas vistas do mundo, o Central Coast Mariners chega para a temporada 20/21 no pior momento de sua história. Cercado de dúvidas e instabilidade financeira, a participação do clube chegou a ser questionada e por pouco não viu seu proprietário, o empresário Mike Charlesworth, vender sua licença para participação na A-League.

O clube que um dia teve Usain Bolt vestindo sua camisa em amistosos e quase contratado em definitivo, não encontrou grandes interessados em sua compra. Com isso, Charlesworth e seu grupo fizeram o possível para remontar a equipe, que terminou a temporada 19/20 na última colocação. No comando técnico terá o australiano Alen Stajcic, ex-treinador das Matildas, Seleção Feminina da Austrália.

Com pouco dinheiro em caixa, investiu no que pôde, trazendo o defensor Stefan Nigro, ex-Melbourne Victory, o jovem neozelandês Gianni Stesness e o experiente meia Oliver Bozanic, que esteve no Central Coast campeão da A-League em 2013, disputou a Copa do Mundo de 2014 com os Socceroos e nos últimos anos estava no futebol escocês. Por último, conseguiu trazer o atacante costa-riquenho Marcos Ureña, de 30 anos, que esteve em duas Copas do Mundo com a Costa Rica, inclusive em 2014, quando Los Ticos foram a sensação do torneio.

Marcos Ureña

Além destes, apostará em nomes de sua região achados nos conhecidos “trials”, a popular peneira, e remanescentes da última temporada, como o meia Daniel de Silva, o veterano Matt Simon e o sudanês Alou Kuol, suas principais armas, além da segurança do goleiro Mark Birighitti e o talento dos garotos Kye Rowles, Adam Pearce e Daniel Bouman, jogadores cotados para disputa das Olimpíadas com a Austrália.

Time base: Birighitti; Nigro, Gordon, Rowles e Clisby; Bouman, De Silva e Bozanic; Ureña, Simon e Kuol.

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Fundação: 2019

Cidade: Sydney, New South Wales

Estádio: Campbeltown Stadium – 20.000

Títulos: Nenhum

Destaques: Beñat Etxebarria, Mark Susaeta e Matt Derbyshire.

O estreante da temporada, o Macarthur FC não quer ser apenas mais um na A-League. Com reforços internacionais e nomes de Seleção Australiana, os Bulls querem ser a primeira equipe a levantar o troféu em ano de estreia.

Como contamos aqui na Revista Série Z, os Touros Indomáveis contam com um projeto ambicioso, financiado por um grupo milionário e buscando o envolvimento de uma comunidade apaixonada pelo futebol no Sudeste de Sydney.

Desde seu lançamento oficial, o Macarthur vem montando aos poucos o elenco que dará o pontapé inicial na história do clube. O técnico australiano Ante Milicic foi anunciado junto a divulgação da marca do clube, ainda em março de 2019. Como atleta jogou a A-League por clubes como Newcastle Jets e Brisbane Roar, e como treinador comandou a Seleção Australiana Feminina na Copa do Mundo de 2019 e terá seu primeiro desafio no comando de uma equipe masculina.

Para o plantel foram trazidos jogadores de renome no futebol australiano, como o goleiro Adam Federici, com passagens por Reading, Stoke City e Bournemouth, o zagueiro Ivan Franjic e o volante Mark Milligan, ambos com muita experiência pelos Socceroos e campeões da A-League por três vezes, o também defensor Aleksander Susnjar, sérvio recém-convocado para a Seleção Australiana, o atacante Tommy Oar, também com experiência de Socceroos e passagem marcante pelo futebol holandês, e os promissores atacantes Moudi Najjar e Milislav Popovic, jogadores da Seleção Olímpica.

A dupla basca: Susaeta e Beñat

Os principais nomes da equipe vem do futebol europeu. Os espanhóis Beñat Etxebarria e Mark Susaeta, ídolos do Athletic Bilbao, chegam com o peso de maiores contratações da temporada na A-League. Juntam-se a eles o atacante inglês Matt Derbyshire, 34 anos, e o meia francês Loic Puyo, 32.

Time base: Federici; Susnjar, Franjic, Jovanovic e Meredith; Milligan, Genreau e Beñat; Susaeta, Oar e Derbyshire.

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Fundação: 2009 – Melbourne Heart, 2014 – Melbourne City

Cidade: Melbourne, Victoria

Estádio: AAMI Park – 30.000 pessoas

Títulos: 1x FFA Cup (2016)

Destaques: Jamie MacLaren, Andrew Nabbout e Craig Noone.

Time mais rico da A-League, o Melbourne City encara como obrigação entrar na competição para vencer, ainda mais após bater na trave na temporada 19/20 ao perder a final para o Sydney FC.

O clube nasceu em 2009 como Melbourne Heart, mas foi comprado em 2014 pelo City Football Group, mesmo dono do Manchester City, e mudou seu nome para Melbourne City. Com investimento milionário, chegou a ter David Villa e Tim Cahill em seu elenco, mas nunca chegou tão perto de conquistar a A-League como na última temporada.

A última novidade em termos de desenvolvimento foi a mudança para a região sudeste de Melbourne em busca de uma maior identificação com a comunidade. Um centro de treinamento moderno erguido no bairro de Casey será a nova sede da City Football Academy. Um espaço de 84 hectares, com quatro campos, academia, alojamentos, escola e um estádio com capacidade para 4 mil pessoas, ainda em construção.

Dentro de campo o comando técnico mudou com a saída do francês Erick Mombaerts, mas a filosofia se mantém, já que assume seu então auxiliar, o ex-zagueiro Patrick Kisnorbo, com passagens por Leicester e Leeds e ex-técnico do time feminino do City.

Para o elenco, a aposta foi manter a base do time vice-campeão e trazer reforços que pudessem fortalecer e rejuvenescer a equipe. A base do time está no talento do goleiro Tom Glover, com passagem nas categorias de base do Tottenham, a experiência do lateral Scott Jamieson, capitão da equipe, e o poderio ofensivo com o uruguaio Adrian Luna, o francês Florian Berenguer, o britânico Craig Noone e o atacante australiano Jamie MacLaren, autor de 23 gols em 25 jogos na última temporada.

Chegam os meias Aiden O’Neil, que pertence ao Burnley, e Taras Gomulka, vindo do Adelaide United, vistos como promessas da nova geração australiana, o atacante Marco Tilio, revelação do Sydney FC, o lateral-esquerdo Bem Garuccio e o meia japonês Naoki Tsubaki, vindo por empréstimo do Yokohama Marinos. Mas a principal contratação foi a do atacante Andrew Nabbout, que disputou a Copa do Mundo de 2018 com os Socceroos e esteve no rival Melbourne Victory na temporada passada.

Cássio e o filho Bernardo

O City conta ainda com dois toques brasileiros em seu elenco. Os jovens meias Raphael Rodrigues, 17, e Bernardo Oliveira, 16, foram promovidos e estão no grupo para a disputa da A-League. Raphael é filho do ex-atacante Cristiano, que jogou pelo Adelaide United e fixou morada na Austrália. Já o pai de Bernardo é mais conhecido, trata-se do lateral Cássio, revelado pelo Flamengo, que jogou por oito temporadas também no Adelaide United. Ambos os garotos possuem nacionalidade australiana e já defenderam as seleções de base do país.

Time base: Glover; Atkinson, Good, Griffiths e Jamieson; Metcalfe, Berenguer e Luna; Nabbout, Noone e MacLaren.

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Fundação: 2004

Cidade: Melbourne, Victoria

Títulos: 4x A-League (2006/2007, 2008/2009, 2014/2015, 2017/2018); FFA Cup (2015)

Estádio: AAMI Park – 30.000 pessoas

Destaques: Callum McManaman, Rudy Gestede e Jake Brimmer.

Um dos clubes mais tradicionais da A-League, o Melbourne Victory chega a nova temporada tentando se redimir do péssimo ano de 2019/2020, quando encerrou o torneio nas últimas colocações.

O clube se orgulha de ter uma das maiores bases de sócios-torcedores do país e as finanças bem equilibradas, por isso não mediu esforços para abrir os cofres e investir numa reformulação para 20/21. Antes mesmo da redução do teto salarial da competição, a direção anunciou que pretendia gastar todos os recursos possíveis para montar uma equipe competitiva. A missão da montagem e comando do time foi dada ao escocês Grant Brebner, ex-jogador da equipe e até então auxiliar técnico dos dois treinadores que passaram na temporada anterior.

Dentre os reforços, o principal foi o meia inglês Callum McManaman, de 29 anos, sobrinho do famoso Steve McManaman. Meia habilidoso, Callum tem como maior conquista o título da FA Cup de 2012 pelo Wigan e chega com a responsabilidade de ser o dono do time. Junto a ele chegam também com peso o volante Jacob Butterfield, ex-Derby County, o meia Jake Brimmer, com passagem pela base do Liverpool e que estava nos últimos três anos no Perth Glory, o atacante Rudy Gestede, ex-Middlesbrough e seleção de Benim, e por último o zagueiro Ryan Shotton, 32 anos, que também estava no Middlesbrough.

Callum McManaman

As novas caras se juntam a importantes remanescentes da última temporada, dentre eles o atacante Robbie Kruse, ex-Bayer Leverkusen, o meia Marco Rojas, apelidado carinhosamente de Messi neozelandês, o volante Leigh Broxham, no clube desde 2006, e o lateral-esquerdo marfinense Adama Traoré, um dos homônimos do famoso espanhol.

Na Champions League Asiática, encerrada neste mês de dezembro, a equipe não fez feio e conseguiu se classificar para as oitavas de final, mas caiu para o Ulsan Hyundai, que veio a ser o grande campeão. Os destaques na competição foram Jake Brimmer e o atacante Ben Folami, também reforço vindo por empréstimo do Ipswich Town.

Time base: Acton; Roux, Ansell, Shotton e Traoré; Broxham, Butterfield, Brimmer e McManaman; Rojas e Gestede.

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Fundação: 2000

Cidade: Newcastle; New South Wales

Estádio: McDonald Jones Stadium – 30.000

Títulos: 1x A-League (20072008)

Destaques: Nicolas Topor-Stanley, Steven Ugarkovic e Valentino Yuel.

O Newcastle Jets é mais um dos clubes em grave crise financeira e assim como o Central Coast correu risco de não participar da A-League e ver sua licença ser negociada, mas aos trancos e barrancos vai a campo com um time montado sem muito planejamento. A equipe que um dia teve Emile Heskey e Jardel, agoniza para a disputa da nova temporada.

A maior baixa foi a saída do técnico galês Carl Robinson, o grande responsável pela digna campanha de 19/20, quando a equipe, já em crise, encerrou o torneio na oitava colocação. Prevendo problemas ainda maiores, Robinson, ex-técnico do Vancouver Whitecaps na MLS, deixou o clube e acertou com o Western Sydney Wanderers.

Em seu lugar assume ainda interinamente o auxiliar Craig Deans, enquanto o dono do clube, o empresário Martin Lee, que não injeta dinheiro há mais de um ano, define seu futuro. Além de Robinson, os Jets perderam também o atacante Bernie Ibini-Isei, também para os Wanderers, o meia Dimi Petratos, para o futebol árabe, e o lateral Matt Millar, para o futebol inglês.

Steven Ugarkovic

O único reforço trata-se do jovem Ramy Najjarine, emprestado pelo Melbourne City para ganhar rodagem, além de atletas oriundos da NPL e trials. A esperança fica sob os remanescentes, como o goleiro Lewis Italiano, os experientes zagueiro Nicolas Topor-Stanley e Nigel Boogaard, o meia irlandês Roy O’Donovan, o atacante sudanês Valentino Yuel e os outros dois irmãos Petratos, Kostas e Makis. O time conta ainda com o talentoso meia Steven Ugarkovic, australiano de origem croata, e o volante Joe Ledley, com passagem pela Seleção do País de Gales e clubes como Crystal Palace e Celtic.

Time base: Italiano; Hoffman, Boogaard, Topor-Stanley e Jackson; Thurgate, Ledley e Ugarkovic; Najjarine, Yuel e Petratos.

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Fundação: 1995

Cidade: Perth, Western Australia

Estádio: HBF Park – 20.000

Títulos: 2x NSL (2003 e 2004)

Destaques: Diego Castro, Bruno Fornaroli e Andy Keogh.

O Perth Glory foi um dos clubes que mais se movimentou na offseason, muito pelas polêmicas em que se envolveu seu dono Tony Sage, um dos principais opositores dos atletas na briga pela não redução salarial, mas também pelas saídas e contratações, que chegaram mais cedo, já que o clube disputou a Champions League Asiática neste fim de ano.

Embora um dos mais antigos na competição, o Glory é um dos clubes que ainda não conquistaram a A-League e por isso a cada ano entra mais pressionado pelo título. Foi o último a levantar o troféu da extinta National Soccer League, em 2004, mas na nova era bateu na trave em 13/12 e 18/19.

Com a saída de Tony Popovic para o Xanthi FC, da Grécia, a aposta foi feita no ex-jogador Richard Garcia, natural de Perth, e com passagens pela Seleção Australiana e clubes como Hull City e West Ham.

O clube foi um dos que mais perdeu peças importantes, muito por conta da posição de seu dono em torno das discussões financeiras. Saíram nomes como Juande, Franjic, Mrcela, Tratt, Chianese, Djulbic e Lia, todos titulares ou muito utilizados na temporada passada.

Em compensação, Sage conseguiu se reconciliar com seu capitão Diego Castro, após o espanhol se recusar a jogar a segunda parte da temporada 19/20 ao não aceitar a redução salarial, e fechou a permanência do atacante uruguaio Bruno Fornaroli, principal esperança de gols. Outros remanescentes importantes são o goleiro Liam Reddy, 39 anos, o volante Neil Kilkenny, 35, o zagueiro Osama Malik, 30, e o atacante Nick D’Agostino, 22, e potencial para defender a seleção australiana.

Diego Castro e Bruno Fornaroli, a dupla que é esperança do Perth Glory

Como reforço chegaram o meia Andy Keogh, irlandês de 34 anos com passagens por Wolves, Millwall e pelo próprio Glory, os jovens meias Brandon Wilson, ex-Wellington Phoenix, e Nick Sullivan, vindo do Wanderers, ambos selecionáveis dos Olyroos, o zagueiro Darryl Lachman, da seleção de Curaçao e vindo do futebol holandês, e por último o experiente lateral-esquerdo Kosuke Ota, 33 anos, com passagem pela seleção japonesa e clubes como Yokohama FC, FC Tokyo e Nagoya Grampus. 

A disputa da Champions Asiática não foi nada boa, nenhuma vitória e apenas um ponto conquistado. Porém, sabendo das limitações da equipe, Garcia utilizou a competição de fato como uma preparação para a A-League, dando rodagem a seus atletas, dentre eles oito jovens recém promovidos da base, incluindo o mais jovem da história a atuar pela competição, o lateral Josh Rawlins, de 16 anos. Destaque para as boas atuações do meia Chris Ikonomidis.

Time base: Reddy; Ingham, Malik, Lachman e Ota; Kilkenny, Ikonomidis e Castro; D’Agostino, Keogh e Fornaroli.

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Fundação: 2004

Cidade: Sydney, New South Wales

Estádio: Leichhardt Oval – 22.000, Jubilee Oval – 20.500

Títulos: 5x A-League (2005/2006, 2009/2010, 2016/2017, 2018/2019, 2019/2020), OFC Champions League (2005), FFA Cup (2017)

Destaques: Rhyan Grant, Milos Ninkovic e Trent Buhagiar.

O maior clube australiano da atualidade, esse é o Sydney FC. O mais vitorioso, com cinco títulos da A-League, e com estrutura mais sólida dentre todos, administrativa e financeiramente.

O atual campeão da A-League chega mais uma vez como franco favorito ao título com base em seu forte elenco e toda solidez capitaneada pelo seu CEO, Danny Townsend, e o treinador Steve Corica, presente em todos os cinco títulos do clube na A-League, dois como jogador, um como auxiliar e dois como técnico.

Com as finanças focadas na construção de um novo estádio, já em andamento, o clube não contratou ninguém durante a offseason, mas perdeu poucas peças. O jovem Marco Tilio deixou o clube rumo ao Melbourne City e o atacante Adam le Fondre, autor de 22 gols na temporada passada, foi para o futebol indiano. Para seu lugar a aposta é em alguém que já estava no elenco, o jovem Trent Buhagiar, 22 anos, que até aqui vem dando conta do recado, com boas atuações em amistosos e na Champions Asiática, onde marcou quatro gols.

O clube ainda deve ir ao mercado e trazer uma peça ou outra. Um dos nomes especulados é o atacante brasileiro Bobô, que esteve no clube entre 2016 e 2018, marcando 43 gols em duas temporadas.

Rhyan Grant, Steve Corica e Alex Wilkinson | Foto: Mark Kolbe/Getty Images

A grande aposta dos Sky Blues é no entrosamento e na força do atual elenco, com peças como o lateral Rhyan Grant, titular dos Socceroos e desde 2008 no clube, o experiente zagueiro Alex Wilkinson, que além de toda qualidade ainda preside a Professional Footballers of Australia (PFA), o volante Luke Brattan, com passagem pelo elenco do Manchester City, o meia sérvio Milos Ninkovic e o atacante neozelandês Kostas Barbarouses. O elenco tem ainda o alemão Alexander Baumjohann, com passagens por Bayern de Munique, Schalke 04 e também pelo futebol brasileiro, onde vestiu a camisa de Vitória e Coritiba.

Time base: Redmayne; Grant, McGowan, Wilkinson e Zullo; Brattan, Retre, Baumjohann e Ninkovic; Barbarouses e Buhagiar.

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Fundação: 2007

Cidade: Wellington, Nova Zelândia

Estádio: Sky Stadium – 34.500

Títulos: Nenhum

Destaques: Uli Dávila, David Ball e Tomer Hemed.

O Wellington Phoenix é o único não-australiano a disputar a A-League. Baseado na cidade de Wellington, na Nova Zelândia, o clube está na A-League desde 2007, quando substituiu o New Zealand Knights, antigo representante neozelandês, e é um dos poucos no mundo a disputar uma liga em uma confederação diferente da sua, já que faz parte da Oceania Football Confederation (OFC), enquanto a A-League é filiada a Asian Football Confederation (AFC).

Sempre azarão, em 19/20 o Phoenix viveu sua melhor campanha da história, quando chegou aos playoffs se classificando na terceira colocação, atrás apenas dos poderosos Sydney FC e Melbourne City. A grande temporada se deve muito ao trabalho do técnico Ufuk Talay, australiano de origem turca que vai para sua segunda temporada no comando da equipe, em sua primeira experiência como técnico principal, após passagens como auxiliar no Sydney FC e Seleção Australiana Sub-17.

Da campanha histórica a equipe perdeu peças importantes, muito pelas dificuldades financeiras que também vive. A principal saída foi a do lateral Liberato Cacace, grande revelação dos últimos anos, que deixou o clube rumo ao futebol belga. Também saíram o capitão Steven Taylor e o atacante Gary Hooper, ambos para o futebol indiano, e outras grandes revelações como Callan Elliot e Callum McCowat, além do meia Brandon Wilson, para o Perth Glory, todos titulares no ano especial.

Uli Dávila

O grande trunfo do clube será a permanência de figuras como mexicano Uli Dávlia, agora promovido a capitão do time, autor de 12 gols na temporada passada, que chegou a ter contrato com o Chelsea entre 2012 e 2016, mas nunca foi aproveitado por lá, emprestado a clubes da Espanha, Holanda e Portugal. Aos 29 anos, vive seu melhor momento na carreira. Além dele, o meia Reno Piscopo, formado na base da Internazionale, e o atacante inglês David Ball, revelado pelo Manchester City, formam a tríade do clube. O goleiro Stefano Marinovic, titular da Seleção Neozelandesa, também é um dos destaques da equipe e merece ser citado.

A principal contratação foi o atacante israelense Tomer Hemed, 33 anos, com passagens por clubes como Mallorca, Almeria, Brighton e QPR.

Time base: Marinovic; Fenton, DeVere, Hudson-Wihongi e McGarry; Devlin, Ruffer e Dávilla; Piscopo, Ball e Hemed.

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Fundação: 2012

Cidade: Sydney, New South Wales

Estádio: Bankwest Stadium – 30.000

Títulos: 1x Champions League Asiática (2014)

Destaques: James Troisi, Keanu Baccus e Ibini-Isei.

Embora um dos mais novos na liga, o Western Sydney Wanderers ostenta a alcunha de ser o único clube australiano a ter conquistado a Champions League Asiática, feito alcançado em 2014, apenas em seu segundo ano de atividades. Um início avassalador, mas que parou por ali, já que o clube não conquistou mais nada desde então e segue em busca de sua primeira A-League.

Comandado pelo bilionário Paul Lederer, dinheiro não é problema para o Wanderers, mas o clube foi contido na offseason e pouco se movimentou em termos de contratações. A principal delas, por sinal, ficará à beira do campo. Trata-se do técnico Carl Robinson, vindo do Newcastle Jets, que chega com a missão de buscar um ano mais tranquilo que 19/20, quando a equipe não conseguiu a classificação para os Playoffs.

No meio, o treinador Carl Robinson

Além de Robinson, o Wanderers também foi buscar seus reforços em clubes australianos. O zagueiro escocês Ziggy Gordon, vindo do Central Coast Mariners, o meia James Troisi, que estava no Adelaide United, e o atacante Bernie Ibini-Isei, ex-Newcastle Jets, foram todas contratações que geraram certa polêmica na imprensa australiana, pois já haviam acertado a renovação com seus antigos clubes, mas desfizeram seus contratos para acertar com o Wanderers. Chega também o experiente volante Graham Dorrans, escocês de 33 anos, com passagens pelo futebol inglês, onde atuou por West Brom e Norwich City.

Para além de Robinson e os poucos reforços, a grande aposta é na manutenção do elenco. Nomes como os experientes defensores Daniel Georgievski, Patrick Ziegler e Dylan McGowan, jogadores valorizados no futebol australiano, a revelação Keanu Baccus, meia da Seleção Olímpica, e jovens como Tate Russel, Tass Mourdoukoutas, Jordan O’Doherty e Noah Padgen, que demonstram a confiança do clube em sua academia, uma das mais bem estruturadas do país.

Time base: Margus; Russel, Ziegler, McGowan e Georgievski; Dorrans, Troisi e Baccus; Ibini-Isei; Muller e Cox.

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Fundação: 2018

Cidade: Melbourne, Victoria

Estádio: AAMI Park – 30.000 , GMBHA – 36.000, Mars Stadium – 11.000 

Títulos: Nenhum

Destaques: Alessandro Diamanti, Besart Berisha e Victor Sánchez..

O Western United vai para sua segunda temporada na A-League cheio de gás após um início melhor do que o planejado, tendo alcançado as semifinais em 19/20, seu ano de estreia.

O clube é comandado pelo controverso técnico Mark Rudan, envolvido em um esquema de corrupção no início dos anos 2000, ainda como atleta, e outras polêmicas, como a acusação de exploração por parte de um ex-funcionário do Western United. Problemas à parte, Rudan montou um bom time, o único da competição baseado num esquema com três zagueiros, e foi um dos grandes responsáveis pelo bom início de história do United.

Dentro de campo o principal nome da equipe é o veterano Alessandro Diamanti, meia de 37 anos com passagens pela Seleção Italiana e clubes como Livorno, Bologna, Fiorentina, West Ham, dentre outros. Dono de um carisma único e muito talento para o nível do futebol australiano, Diamanti foi eleito o craque da A-League 19/20 e ainda tem lenha para queimar na competição.

Diamanti e Berisha

Além dele, o outro veterano que dá as cartas no clube é o atacante Besart Berisha, 35 anos, maior artilheiro da história da A-League, com 131 gols e campeão da competição por três vezes, uma com o Brisbane Roar e duas com o Melbourne Victory. Kosovar de origem iugoslava e albanesa, Berisha é o tradicional atacante dos Balcãs, raçudo e brigador, mas com muito faro de gol.

Junto a dupla experiente, o clube aposta em atletas como Max Burgess, meia de 25 anos com potencial para Seleção Australiana, o recém-contratado Lachlan Wales, atacante da Seleção Olímpica, o ligeirinho Connor Pain, motorzinho do time, o zagueiro Andrew Durante, 38 anos, em atividade desde a primeira temporada da A-League, o também defensor Tomoki Imai, japonês de 30 anos com vigor físico invejável, e o jovem ítalo-australiano Sebastian Pasquali, volante formado nas categorias de base do Ajax.

O United conta ainda com uma das grandes contratações da temporada no futebol australiano, o volante espanhol Victor Sánchez, 33 anos, revelado nas canteras do Barcelona, que chega ao clube após nove temporadas defendendo o Espanyol.

Time base: Kurto; Calver, Durante e Imai; Risdon; Pasquali, Sánchez, Pain e Burgess; Diamanti e Berisha.

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