WOs, cozinheiras sem salário e vice-campeão: as greves na história da Série D

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Dia 24 de outubro de 2020, o São Caetano protagoniza um triste capítulo da história do futebol brasileiro. Em meio a uma greve por atrasos salariais, boa parte do elenco se recusou a entrar em campo contra o Pelotas, fazendo com que jogadores da base fossem colocados em campo. Resultado: 9 a 0 para os gaúchos, a maior goleada da história da Série D.

No terceiro episódio do podcast Quarta Categoria, nós discutimos a situação grave que se encontra o Azulão, que você pode ouvir a seguir. Além disso, apresentamos outros casos de greve na história da quarta divisão, que você pode conferir abaixo.

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2012 – Mixto

Os jogadores do clube mato-grossense ameaçaram uma greve antes da última partida da fase de grupos, em agosto, com dois meses de salário atrasados. Na partida seguinte ao ato, o clube perdeu para o Sampaio Corrêa, por 1 a 0, mas estava classificado. Dois meses depois, o time finalmente entrou em greve, mas estava fora da Série D, onde quase conseguiu o acesso.

2012 – Marília

Fizeram greve, com um dia sem treinamento, antes da última rodada da primeira fase, onde já estava eliminado. Ameaçou WO, mas acabou entrando em campo, quando empatou em um gol com o Cianorte, que foi líder da chave.

2013 – Plácido de Castro

O clube acreano teve duas greves durante a campanha onde quase conquistou o acesso. Chegou a ficar cinco meses sem salários, com a diretoria trazendo reforços e os jogadores acusando a diretoria de pagar esses jogadores que estavam chegando. No final, na segunda paralisação de treinos, o time entrou em campo para eliminar o Gurupi nas oitavas de final da competição.

2014 – Grêmio Barueri

Provocou o primeiro WO da história da Série D. Jogadores não recebiam salários há dois meses e direitos de imagem há quatro. O Operário, do Mato Grosso, compareceu a Arena Barueri e fez um protesto com os jogadores se deitando em campo.

2014 – Itaporã

A equipe sul-mato-grossense tinha seis partidas realizadas na Série D, até que uma leva de jogadores decidiram deixar a cidade pelos salários atrasados. Provocou dois WOs, mas que foram definidos pela diretoria que resolveu abandonar a competição. Essa situação teve consequência na classificação do grupo, como pode conferir no podcast.

2015 – Imperatriz

Nas semanas dos dois últimos jogos da primeira fase, o Imperatriz teve uma paralisação, sem treinamentos, onde ouviram a promessa de pagamento que não foi feito. Perdeu as duas partidas seguintes às greves e não se classificou.

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2015 – Villa Nova

É a situação que mais se assemelha com o que ocorreu com o São Caetano, pois foi goleado na partida seguinte a greve e jogadores da base foram para a partida contra o Duque de Caxias, que terminou 5 a 0. A situação foi tão grave que cozinheiras e lavadeiras, também, paralisaram as atividades no clube que tinha salários de dois a nove meses em atraso.

(Foto: Divulgação/Estadão)

2015 – River

Foi vice da Série D em 2015, mas teve dois dias sem treinos durante a campanha. O presidente do clube na época, Júlio Arcoverde disse que era “um piti” dos jogadores e que eles sabiam das dificuldades financeiras. Júlio reassumiu a presidência esse ano, pois era vice de Genivaldo Campelo, que saiu para se candidatar nas eleições 2020.

Uma das paralisações realizadas pelo elenco do River em 2015 (Foto: Josiel Martins)

Caso extra: 2015 – Vilhena

Aqui, os jogadores não estavam recebendo salários, mas queriam continuar, até que um dia, o presidente do clube, José Carlos Dalanhol mandou fechar os portões de acesso ao campo, pois queria encerrar as atividades do clube pelas dificuldades financeiras. Dalanhol foi acusado na época pelas cozinheiras do clube de ameaçar jogar água quente nas funcionárias. Em 2018, o clube abandonou o futebol oficialmente.

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