23 de setembro de 2018, um dia marcado por alternatividades

Texto publicado originalmente na Revista Série Z #21, veja abaixo

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Era mais um domingo de futebol. Para quem acompanha um pouco de tudo do que acontece no esporte bretão, é dia para ficar vidrado na TV, com ouvido no rádio, de olho nas telas digitais ou recebendo inúmeras notificações dos aplicativos especializados em resultados esportivos. Durante um domingo, dia 23 de setembro de 2018, nas redes sociais postamos alguns resultados fantásticos que aconteceram no Velho Continente. Vamos passear por Alemanha, Chipre, Escócia, Espanha e Suíça para mostrar histórias desse dia, de uma maneira cronológica.

Aqui no Brasil, o relógio marcava 8h30. Hamburgo e Celtic entravam em campo para jogos com obrigação da vitória. O clube alemão, obviamente, por estar na segunda divisão e ter um, então, confronto inédito com o Jahn Regensburg, jogava em casa, e tinha toda expectativa por vitória. Os escoceses foram até a casa do Kilmarnock, na cidade de mesmo nome, para se recuperar no campeonato, pois para o Celtic das últimas temporadas, não ser líder na época desde a primeira rodada era “crise” na certa.

No Volksparkstadion, um armênio transformava a tarde dos alemães em pesadelo: Sargis Adamyan. Com mais de 30 partidas pelo Jahn Regensburg, ele tinha anotado cinco gols na temporada 2017/18 e eis que em meio tempo contra o Hamburgo, anotou três. O vexame estava feito, com um pênalti perdido por Aaron Hunt antes do intervalo, para piorar. Não houve reação para o Hamburgo, com o time todo indo para o ataque, deixando desprotegida a defesa e o Jahn fez mais dois gols (Correia e George). No primeiro encontro entre as duas equipes na história: 5 a 0 para o Jahn Regensburg, clube que, por enquanto, nunca disputou a Bundesliga. Foi a grande vitória nos 113 anos do clube, acostumado a disputar o terceiro e quarto nível nacional. Foi um triunfo e tanto.

Essa é a primeira comemoração das cinco feitas no dia da goleada (Foto: Assessoria/Jahn Regensburg)

Enquanto isso, na Escócia, o Celtic saía na frente, com Griffiths, com um gol aos 34 minutos da etapa inicial. Na volta do intervalo, o Kilmarnock teve menos posse de bola e o mesmo número de tentativas de gol. Aos 19’, Burke empatou a partida. Nos quinze minutos seguintes, Brendan Rodgers, técnico do Celtic na época (e atual Leicester City), fez as três alterações e nos dez minutos finais foi a vez de Steve Clarke, do Kilmarnock (atual treinador da Escócia), fazer as três substituições permitidas. As trocas seguidas foram melhores para os donos da casa. Nos acréscimos, Burke cobrou escanteio e Findlay desviou para fazer o gol da vitória. O Kilmarnock fez o Celtic de freguês em 2018, pois o clube da capital não venceu nenhuma partida contra o adversário, com duas vitórias do Kilmarnock e um empate. O feito foi grandioso pelo retrospecto. Desde 1998, o Kilmarnock tinha apenas três vitórias no confronto. O resultado no entanto não fez diferença ao Celtic, que se sagrou campeão nacional.

A pedra no sapato do Celtic em 2018. O Kilmarnock não soube o que é perder para o clube da capital (Foto: Assessoria/Kilmarnock FC)

A maior goleada do dia ocorreu na Suíça, um jogo histórico e que marcou uma mudança na hegemonia local. O Young Boys mudava de patamar e o Basel estava (e está) à deriva. No encontro: 7 a 1 para os “Jovens Garotos”. Em 2017/18, o Young Boys quebrou sequências e conquistou o título nacional. Foram 32 anos de espera, o clube acabou com a hegemonia de oito títulos do Basel e conseguiu vaga na fase de grupos da Liga dos Campeões. O Basel não conseguiu vaga em nenhuma competição europeia e o retrato da má fase da equipe veio na vexatória derrota. O aurinegro teve sete jogadores diferentes marcando os gols da partida. Neste século, foram poucas goleadas no confronto. A última vez que o time de Berna tinha goleado o rival foi em 2007, quando meteu 5 a 1. O Young Boys aparentava conquistar o bicampeonato suíço, o que acabou acontecendo.

Quando na Suíça, se iniciava o segundo tempo, era a hora de APOEL Nicosia e DOXA entrarem em campo pelo Campeonato Cipriota. No Chipre, há uma clara divisão das forças. O APOEL é multicampeão e o DOXA recorrentemente disputa o hexagonal do rebaixamento.  Desde 1998 até aquele dia, as equipes se encontraram por 40 vezes, com 33 vitórias do APOEL, cinco empates e apenas duas vitórias do DOXA, incluindo o triunfo de 2018. A outra vitória foi em 2016, também, fora de casa, por 2 a 1. No dia 23 de setembro, uma goleada histórica: 5 a 2. Foram seis brasileiros relacionados para a partida. O grande destaque foi o finlandês Berat Sadik, que anotou três gols. O feito pode parecer superestimado, mas para se ter ideia, em janeiro do mesmo ano, o APOEL havia aplicado sonoros 8 a 0.

No fim da tarde, aqui no Brasil, olhos atentos para Messi, Suárez e companhia. O Barcelona entrava em campo para um confronto catalão contra o Girona. Os culés jogavam em casa. Era o apenas o terceiro encontro oficial das equipes, pois o Girona estreou em La Liga na temporada anterior, onde foi derrotado duas vezes pelo Barça. Messi abriu o placar, dando demonstração que o jogo seria tranquilo, mas Lenglet deu uma cotovelada em Pons e foi expulso. Stuani, então, empatou no final do primeiro tempo e aos seis minutos da etapa final, virou a partida. O Barcelona partiu para o ataque e Piqué conseguiu empatar, mas parou por aí. O Girona conquistava o primeiro ponto em um jogo contra o Barcelona. A sensação da vitória não veio, mas não houve muitas lamentações.

O dia foi encerrado com cinco partidas que marcaram um dia, ao menos para nós! Foi um dia para demonstrar que mesmo escondido, pode se tornar algo importante. Para nós, 23 de setembro é uma data para sempre lembrar…

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