Mavi Lopes: o ineditismo na Tailândia

Brasil, Laos e Tailândia! Até 2017, Mavi Lopes era meio-campista com passagens por inúmeros clubes. Com passagem por Náutico e Santa Cruz nas categorias de base, foi um nômade da bola em solo tupiniquim: Araçatuba, União Rondonópolis, Rondonópolis EC, Ivinhema e Ferroviário (PE) foram os clubes que passou. Depois disso, se aventurou pela Tailândia e chegou a jogar em Laos, pelo Nuol FC e Vientiane FC. Seguir no futebol, mas em comissão técnica, é a ideia desde que começou a pensar na aposentadoria. A primeira chance veio com o Police Tero, da Tailândia, que conquistou o acesso à primeira divisão nacional, onde ele é analista técnico. Formado como treinador nas Filipinas, o objetivo é claro: ser treinador no Brasil. Nós conversamos com ele sobre a carreira de jogador e o início como treinador.

Dizem que jogador de futebol morre duas vezes, sendo uma dessas quando se aposenta dos gramados. Como esse planejamento para se tornar técnico te ajudou nesse processo?

Eu sempre me planejei pra fazer tudo em minha vida. Acho que quando você planeja os seus objetivos, eles se tornam mais fáceis de serem alcançados. Não vou mentir que sofri, mas a intensidade deste sentimento não foi prejudicial, acho que até foi natural. O desejo de me tornar técnico me deu a serenidade do fator “aposentadoria” do momento atleta.

O futebol tailandês pode ser desconhecido pelo grande público, mas muitos brasileiros atuam no país! Qual a visão dos tailandeses sobre o jogador brasileiro e o que faz ele ir para a Tailândia?

Inicialmente eram os africanos que tinham mercado aqui. Por volta de uns 10 anos pra cá, houve mais investimento na liga tailandesa, tanto nos direitos de televisão como de outras empresas, começaram a ir atrás de brasileiros, pagando bons salários e isso que foi o atrativo. A mudança se percebe, pois há vários brasileiros atuando na primeira divisão e alguns na segunda. O nível técnico melhorou muito com a chegada de brasileiros aqui. Os tailandeses gostam muito do jogador brasileiro. Eles veem como o jogador que resolve uma partida, que faz a diferença. Aqui é um mercado bem aberto, pois acreditam que o brasileiro resolve uma partida.

Você teve uma carreira bem diversa no Brasil. Como você resume a sua passagem?

Resumo como um batalhador que pelo amor seguiu seus sonhos. A peregrinação e as dificuldades encontradas me deram forças para continuar e vencer. Me defino como um obstinado pelo que quero e almejo.

Como surgiu a proposta para jogar na Tailândia?

Estava jogando pelo Ivinhema-MS e fui destaque em uma equipe que me marcou bastante pela qualidade do nosso grupo. Como consequência surgiram algumas propostas, daí foi quando um empresário me fez a proposta de sair do Brasil. A oportunidade chegou em tempo perfeito, pois eu estava a procura de uma chance no exterior e vim à Tailândia.

Vivemos um momento onde a comissão técnica tem uma influência enorme quanto ao desempenho de um time. Em que nível a Tailândia se encontra taticamente? O que pretende agregar?

Taticamente posso confessar que estamos avançados, mas tecnicamente ainda falta muitos degraus a serem alcançados. Nessa parte que pretendo agregar mais.

Sobre a sua função de analista técnico. É algo diferente do comum no país?

Posso dizer que sim, pelo fato do tato técnico em focos básicos de erros cognitivos. 

Qual foi a sensação de conquistar o acesso com o Police Tero?

“Estou muito feliz de começar com o pé direito. Ajudar na promoção à primeira divisão de um clube tradicional da Tailândia. É muito bom se sentir útil nesse trabalho e ter obtido os resultados dentro de campo.”

Você teve uma passagem por Laos. Como é o futebol, estrutura e cultura futebolística do país?

Laos é bem menor em todos os aspectos. Aspecto técnico, estrutural, liga, poder financeiro etc. Mas posso dizer que foi muito bom para a minha carreira pelo fato de começar a fazer parte da comissão mesmo ainda jogando, uma vez que o treinador era muito aberto comigo.

Mavi com a camisa do Nuol FC (Foto: Arquivo pessoal/Mavi Lopes)

Como foi sua passagem por Laos?

Foi Legal. Gostei bastante. Cheguei e o nosso time estava em 8° e terminamos em 3°. No segundo ano, troquei de clube e fizemos uma campanha muito ruim, mas fiquei muito feliz por estar fazendo parte da comissão mesmo ainda atuando.

Você pretende continuar na Tailândia ou quer se colocar no mercado brasileiro?

Planejo estar no Brasil em 3 anos e irei me preparar para isso acontecer.

Aliás, você fez curso de treinador nas Filipinas. Como foi esse processo?

Um treinador amigo meu daqui da Tailândia me convidou e aceitei. É um país fascinante de conhecer e um povo muito acolhedor. Eles sorriem para tudo. Gostei muito da experiência e o curso apesar de muito difícil e de muito conteúdo foi engrandecedor e bastante relevante em nível de conhecimento.

Sobre a seleção tailandesa. Qual foi o nível de evolução da equipe? Você acredita que brasileiros podem se naturalizar para ajudar no processo?

Eles vêm evoluindo bastante, tecnicamente e em níveis de força também. Em relação a naturalizarem eu acho meio difícil, pois não tem esta cultura de abrir para os estrangeiros. Eles são extremamente patriotas e brigam por isso a todo custo.

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