Giovana Maia: “Haverá uma evolução rápida e de grande qualidade” no futebol feminino português

Um dos trabalhos que realizo quando publico nas redes sociais da Revista Série Z é a checagem de onde cada postagem chegou. No dia do aniversário de Marta, publicamos uma foto dela, que foi compartilhada por Giovana Maia, uma seguidora da página, mas com um diferencial: é jogadora de futebol profissional. A defensora nasceu em Portugal, mas bem nova veio morar no Brasil. O seu pai é português e sua mãe brasileira. A carreira no futebol feminino começou em São Paulo, mas atualmente ela defende o Marítimo, da terra natal. Nessa entrevista, ela fala sobre a carreira, as passagens pelas seleções do Brasil e Portugal, a representatividade de Marta, o status da modalidade e as referências no futebol.

Você iniciou no futebol aqui no Brasil e está na primeira experiência em Portugal. É possível comparar em que status o futebol feminino está em cada país? Brasil ou Portugal está mais avançado?

Então, creio que o Brasil está mais avançado, ainda que por pouca coisa. Creio que isso está diretamente ligado ao fato do futebol feminino no Brasil ter começado antes, digo, o alto rendimento. A Liga BPI, no caso é a liga portuguesa, e se não me engano está somente no seu quarto ano. No Brasil, ao menos em São Paulo, o Campeonato Paulista já ocorre ao menos há sete anos. Então, ainda creio que o futebol no Brasil está um pouco à frente, porém penso que agora, com o início de equipes maiores aqui em Portugal estarem começando a apostar no Futebol Feminino, creio que haverá uma evolução rápida e de grande qualidade.

Você iniciou no futebol no Centro Olímpico, correto? Como foi a sua entrada no esporte? Teve dificuldades para encontrar um local para treinar?

Sim, no futebol de campo, iniciei minha carreira e minha formação no Centro Olímpico. Antes já atuava por Jogos Escolares, porém jogava apenas futsal. E foi através de uma amiga que jogou futsal comigo nos anos de escola, e que depois seguiu a formação dela no basquete no Centro Olímpico, que me indicou ao clube. Antes de conhecer o Centro Olímpico, era difícil achar um local para iniciar. O futebol feminino não era uma “febre” como é agora nos tempos atuais.

Como é a estrutura do Centro Olímpico, que mesmo em crise atualmente, tem uma importância no futebol feminino nacional nos anos recentes?

Apesar de ser uma estrutura do governo, do estado, é uma estrutura ótima, principalmente na parte médica, de fisioterapia. Lá, não só na parte de formação do atleta, mas sempre tivemos também um amparo muito bom da parte médica, de fisiologia, de recuperação de lesões, tudo muito bom. Coisa que realmente é muito importante, tendo em conta que grande parte dos atletas de lá, são pessoas com condições de vida e rendimentos muito baixos e que chegam lá com um suporte muito grande, que muitas vezes não tiveram na nossa saúde pública. Já em relação a parte técnica, não foge do contexto: comissões técnicas muito qualificadas e sempre com ótimos profissionais.

Você chegou ao profissional no Guarani? Se sim, como foi a saída do Centro e partir para essa experiência?

Sim, cheguei ao profissional no Guarani/Valinhos. A saída do Centro depois de quatro anos foi, na verdade, uma busca por novos desafios, por novas conquistas. Porém foi uma saída boa, e foi fácil adaptação a uma nova equipe, já que tive uma formação muito sólida e completa.

O Guarani no futebol masculino tem uma história enorme e torcida participante. Essa característica ajudou o time feminino na época ou não havia um apoio geral satisfatório?

Não, vindo do Guarani não tínhamos apoio algum. Tínhamos nossa torcida, da equipe de Valinhos, que sempre comparecia.

Você teve um hiato entre a passagem no Guarani (2016) e o Marítimo (2018). O que ocorreu nessas temporadas que ficou fora do futebol?

No caso, tive uma lesão no final de 2016 e parei de jogar, pois passei por cirurgia e tudo mais. E então, só resolvi voltar a jogar no final de 2017. Fui pra Espanha, jogar na segunda divisão (Joventut Almassora) no começo de 2018, porém me lesionei novamente, só atuando 15 minutos pela equipe. É então, só agora na temporada 2018/19, voltei realmente a jogar.

Você nasceu em Portugal, veio nova para o Brasil e voltou a terra onde nasceu. Como surgiu a proposta para jogar no Marítimo? Qual é a estrutura oferecida pelo clube?

Sim, nasci aqui, fui pro Brasil, voltei pra cá, voltei pro Brasil, fui pra Espanha e agora vim para a Madeira! A proposta veio através de contatos e do meu representante. O clube oferece a estrutura básica: moradia e alimentação!

Como tem sido a temporada sua e do clube?

A temporada para o clube tem sido proveitosa. Subiram agora para a primeira divisão. Então, garantimos a manutenção já na primeira volta. E pra mim também tem sido boa, ainda mais por estar voltando depois de duas lesões e cirurgias. Estou alcançando os meus objetivos pra já.

Você chegou a ter dúvidas por qual seleção jogaria? E como foi o processo para ingressar na seleção portuguesa?

Eu joguei em ambas, porém, escolhi seguir mesmo na seleção portuguesa. E o processo foi tranquilo, foi uma questão de recuperar a forma e ritmo após as lesões e de resto aconteceu naturalmente.

Como foram as suas passagens pela seleção brasileira?

Fui a Sub-17 durante 2013, participando do Sul-Americano, porém não joguei. E fui a Sub-20 em 2016, porém me machuquei antes do Mundial.

As lesões parecem te seguir nessa jornada. Como você lidou mentalmente com esses casos? Teve algum trabalho psicológico para persistir na carreira?

Foi bem difícil. A primeira, principalmente, no último treino antes do Mundial. Foram dois anos difíceis e voltei, principalmente, pelo meu representante que me incentivou a voltar

Qual a sua expectativa em relação a seleção portuguesa para esse e os próximos anos?

Me firmar na seleção principal, no grupo competitivo, ajudar a seleção a conquistar títulos e participar das principais competições.

E quanto ao futebol feminino, qual sua perspectiva para a modalidade no Brasil, Portugal e no mundo?

Eu creio que vá se desenvolver bem nos próximos anos. Que a modalidade vai crescer, vai crescer e vai ganhar mais respeito de clubes e das pessoas em todos os lugares

Essa entrevista surgiu de um jeito inusitado, com você compartilhando uma publicação que fizemos sobre a Marta (risos). O que ela representa para você como jogadora de futebol?

Uma inspiração, creio que não só pra mim. Uma pessoa que sempre correu atrás dos objetivos particulares dela, mas também alguém que sempre lutou muito pela modalidade. E a humildade dela, é um exemplo. Mesmo depois de conquistar o mundo tantas vezes, não pensa somente nela.

Quem são suas inspirações no futebol? Com quem gostaria de jogar? Ou até mesmo que referência chegou a enfrentar?

Já treinei contra a Cristiane, mas minha referência no feminino é a Formiga.

Você é zagueira. Qual seria a linha defensiva que sonharia em jogar ao seu lado, incluindo a goleira?

A goleira da minha equipe atual, Bárbara Santos, que, se estiver bem fisicamente, é excepcional. Fabiana na direita, Érika comigo na dupla de zaga, e Megan Rapinoe (Seattle Reign) na outra lateral.

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Um comentário em “Giovana Maia: “Haverá uma evolução rápida e de grande qualidade” no futebol feminino português

  1. Muita competência e dedicação… Puro mérito! Parabéns, orgulho define.

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