Na Estônia tem futebol

Texto incluso na reportagem “Meu mundo é o futebol!” que fez parte da primeira edição da Revista Série Z, que pode ser vista abaixo.

Seja na Estônia ou Brasil, o clube de Antonio é alvinegro (Foto: Acervo Pessoal)
Seja na Estônia ou Brasil, o clube de Antonio é alvinegro (Foto: Acervo Pessoal)

Certo dia navegando pelo CouchSurfing (rede de serviço de hospitalidade), uma moça pedia informações sobre o Rio de Janeiro. Foi então que um carioca viu que ninguém havia respondido-a e resolveu ajudá-la, com os dados que queria. A viagem ia demorar seis meses, então eles passaram a conversar para continuar trocando ideias sobre a viagem, algo despretensioso. Até que um dia, ela chegou e eles acabaram se gostando. Ela mudou sua rota de viagens pelo Brasil para ficar com ele. O tempo passou e eles resolveram morar juntos na casa dela. Era um teste de dois meses que já dura quatro anos. O carioca era Antonio Bordallo, 35 anos e a moça, uma estoniana, que hoje vivem em Tallinn.

Por ser do Rio, logo se pensa que Antonio tem como time, um dos quatro grandes do estado, mas não. Ele é corinthiano. “Sempre acompanhei futebol e por mais estranho que pareça, torço pelo Corinthians desde a adolescência, mas por identificação mesmo”. A camisa alvinegra que carrega assistiu a vários jogos na Estônia, desde o Nacional, competições europeias e até jogos da seleção local.

Bordallo tem “uma relação cordial com todos os times” do país, mas tem no Nõmme Kalju, o seu preferido. “Além de ser o time com maior número de estrangeiros, o time já contou no passado com quase meio time de brasileiros. Ainda não morava nessa época aqui, mas até hoje o técnico é o brasileiro Getulio Fredo, uma das figuras mais carismáticas do futebol estoniano”. Essa busca começou ainda quando o time era da segunda divisão e chegou ao auge, com o título da Meistriliiga, a primeira divisão.

O carioca continuou a acompanhar o clube e presenciou um momento marcante para ele e histórico para o futebol local. “Foi a primeira vez na vida que assisti pessoalmente um jogo válido pela Champions League: Kalju x HJK Helsinki. O Kalju já havia vencido o jogo fora e na Estônia conseguiu empatar e levar a vaga pra fase seguinte. Foi a primeira vez que um time estoniano ganhava de um finlandês numa competição internacional”. Festa no Hiiu Stadium.

Os estádios das Estônia são característicos e possuem um lanche famoso. “A comida típica de estádio aqui é um tipo de tiras de pão preto frito com cobertura de alho moído. Em todo lugar se vende isso”. No Hiiu, um buffet tem parceria com o clube, com direito a hambúrguer de carne de porco com molho teriyaki. “Foi a melhor comida que já consumi num estádio de futebol em toda minha vida. E olha que já fui em muito estádio por aqui”.

Apesar da paixão pelo futebol, segundo Antonio, é comum ter estonianos que não fazem ideia do que acontece no campeonato nacional, mas acompanham a Premier League. A seleção local possui adeptos e o carioca já viu uma “facilitada” para a Holanda, em pleno estádio. “A Estônia conseguiu estar na frente, mas sabia que todo o país não estava acreditando no que estava acontecendo. Os laranjas conseguiram virar o jogo, mas aquele momento que Davi estava vencendo Golias está na memória de todo torcedor estoniano!”. E com certeza, na mente de Antonio também. Mais um de muitos que ele ainda irá acompanhar em terras estonianas.

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