Uma região metropolitana sem futebol profissional

Sou natural de Maringá, noroeste paranaense. Fui criado em Floriano, um distrito da cidade. Minhas opções de futebol “profissional” ao longo do tempo se resumiram ao Willie Davids, estádio da cidade, para ver clubes, obviamente, maringaenses. Mas algo incomoda. Não ter a oportunidade de ver os municípios da região metropolitana com clubes profissionais. Não poder vê-los nos estádios “vizinhos”.

O Willie Davids, em seu nome traz: estádio regional. E há razão para isso. O Cianorte, por exemplo, que não faz parte da região metropolitana, mas está relativamente próximo à cidade, mandou o jogo contra o Corinthians em 2005, pela Copa do Brasil, no WD (como é conhecido). Muitos torcedores da região acompanham, atualmente o Maringá FC. Sem contar o apoio das décadas de 1960 e 1970, época de ouro do futebol maringaense.

Mesmo assim, ainda fica aquela questão. E os nossos vizinhos? O futebol mudou, se globalizou e ficou mais caro. A taxa de filiação cobrada pela Federação Paranaense de Futebol (FPF) para clubes profissionais é de 105 mil reais. Possivelmente, o clube que entrar nessa, já começa “em débito”. Por 100 mil reais a menos, você pode filiar um clube como amador. Uma disparidade! Não que os clubes amadores tenham que pagar mais. Além da taxa de filiação, os clubes devem arcar com uma taxa anual de alvará de licenciamento de dois mil a quatro mil reais, com taxas de registro para profissionais, juniores e juvenis de 200, 60 e 40 reais, respectivamente, entre outros.

Nesse cenário, as cidades da região mantêm o futebol apenas no nível amador. A Liga Desportiva de Maringá (LDM) realiza anualmente o Campeonato Amador Regional, conhecido como Super Amador ou Amadorzão. Em 2015, oito equipes disputam o título: Sarandi, São Jorge (São Jorge do Ivaí), Itambé, Castelo Branco (Presidente Castelo Branco), Munhoz de Melo, Atlético Marialva, Santa Fé e Iguatemi (distrito de Maringá). Os sete primeiros fazem parte da Região Metropolitana de Maringá.

Até maio de 2010, a RM Maringá era composta por 13 cidades: Astorga, Ângulo, Doutor Camargo, Floresta, Iguaraçu, Itambé, Ivatuba, Mandaguaçu, Mandaguari, Marialva, Maringá, Paiçandu e Sarandi. Posteriormente, 12 cidades foram incluídas: Atalaia, Bom Sucesso, Cambira, Floraí, Flórida, Jandaia do Sul, Lobato, Munhoz de Mello, Ourizona, Presidente Castelo Branco, Santa Fé e São Jorge do Ivaí. Em 2012, Nova Esperança também foi incluída. A RM ainda pode crescer, já que mais oito cidades podem ser inclusas: Marumbi, Santo Inácio, Colorado, Paranacity, Engenheiro Beltrão, Fênix, Barbosa Ferraz e Quinta do Sol. Um total de 36 cidades, caso seja aprovado. 2011-06-29 14 46 17[8] Tendo o PIB em reais de 2008 de cada cidade como comparativo. Das 25 (sem contar Maringá) atuais cidades da RM Maringá, 11 delas não tem PIB maior do que a taxa de filiação da FPF. Apenas Sarandi (cerca de 740 mil), Marialva (cerca de 630 mil) e Mandaguari (cerca de 510 mil) possuem um PIB maior que 500 mil reais. As outras 11 cidades têm PIB entre 102 mil e 375 mil reais. Com uma taxa incompatível com a renda é explicável a razão das cidades “vizinhas” não terem clubes profissionais. Lembrando, é apenas um exemplo, uma comparação. Dinheiro público tem outras prioridades.

A região de Maringá é apenas um caso, onde o futebol profissional não se desenvolve devido a taxas fora da realidade impostas pelas federações. E quantas dessas cidades já tiveram clubes ditos profissionais? Confira abaixo:

Associação Atlética Astorga

Disputou a primeira divisão paranaense entre 1958 e 1962, sem grande campanhas.

Jandaia Esporte Clube

Ao lado do Londrina e do Paranavaí, é o maior campeão da segunda divisão estadual com três títulos. Feito que alcançou em 1966, 1969 e 1994. Participou de sete divisões da primeira divisão: 1967, 1968, 1970, 1971, 1972, 1995 e 1996.

 

Mandaguari Esporte Clube

Sem dúvidas, o maior clube da região metropolitana de Maringá. Em 1960, com uma base de jogadores paraguaios, a equipe foi campeão do Norte e chegou ao vice-campeonato estadual, vencido pelo Coritiba.

 

Águia Futebol

Em 2001, o futebol mandaguariense retornou com título. O Águia foi campeão da terceira divisão, mas não disputou a segundona em 2002. Em 2004, se transferiu para Maringá.

Clube Atlético Independente

Único representante do futebol de Mandaguaçu, o Independente participou de duas edições da primeira divisão, em 1962 e 1963.

Atlético Clube Marialva

São poucos registros históricos do clube. Em um deles, há uma partida contra o Olaria, que realizava uma excursão pelo Brasil. Resultado: 9 a 1 para os cariocas.

 

Nova Esperança Esporte

Clube Participou de três edições da primeira divisão estadual: 1961 a 1963. Não teve grandes resultados.

Indecapa Futebol Clube

Segundo clube profissional de Nova Esperança, o Indecapa surgiu em 1976, para a disputa da segunda divisão e depois disso não há registros do clube.

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3 comentários em “Uma região metropolitana sem futebol profissional

  1. Gostei de conhecer mais sobre os clubes da Região de Maringá seria bom que mandaguari astorga Marialva e Sarandi pudessem ser profissionalizados.

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