Próxima parada: Malta

CONEXÃO FUTEBOL - MALTA

Mandinho com a camisa do Banga, seu último clube antes de chegar a Malta.
Mandinho com a camisa do Banga, seu último clube antes de chegar a Malta.

Jogador brasileiro jogando em um grande centro europeu é normal e principalmente atrai a mídia, mas são histórias como a de Mandinho, meio-campo que chamam atenção. Há oito anos em solo europeu, o jogador acumula passagem por quatro países: Dinamarca, Lituânia, Estônia e Malta.

Aos 21 anos, o meia foi convidado por um amigo para tentar a vida na Dinamarca. Seu tio é dinamarquês e o Brondby era a primeira escala europeia.

Após duas temporadas acertou com o futebol lituano que lhe rendeu felicidades dentro e fora de campo. Armando, seu nome de nascimento, chegou a enfrentar o volante Paulinho, quando este defendia o Vilnius

Faltava-lhe ainda uma participação em uma competição da Uefa. E isso aconteceu. A Estônia lhe deu esta oportunidade, após o vice-campeonato nacional em 2009, o clube se classificou para as fases preliminares da Liga Europa. Em dois jogos contra MyPa, da Finlândia duas derrotas, 2 a 0 em casa e 5 a 0 fora.

Escudo do Mosta FC.

A passagem foi boa, em um ano o jogador perdeu apenas 5 jogos pelo clube, mas a Lituânia voltava a sua rota. Acertou com o Klaipeda, mas durante uma temporada e meia, o meia ficou no Banga Gargzdai.

Inquieto na Lituânia, Dos Santos, como já foi chamado, decidiu por um novo país: Malta. Seu novo clube é o Mosta FC, clube da primeira divisão.

Toda essa experiência foi contada por Mandinho na entrevista que nos concedeu.

Boa parte da sua carreira foi (é) fora do Brasil. Conte um pouco sobre os clubes que defendeu por aqui.

Sim, sai do Brasil com 21 anos. Antes disso tive passagens por Palmeiras, Taboão da Serra, XV de Piracicaba, Juventus e Paraguaçuense.

Como surgiu a oportunidade de ir para a Dinamarca? E como foi sua passagem?

Meu tio é dinamarquês e uma vez o primo dele, que é ex-jogador do Brondby me viu jogando e me convidou para ir para lá. Acabou dando certo e joguei por dois anos no país. Foi uma experiência muito boa para mim, como ser humano e como jogador aprendi muito, mas acho que se tivesse aceito o convite mais cedo, teria tido mais sucesso.

Após a Dinamarca, você se transferiu para a Lituânia. Foi sua primeira passagem por lá. Como foi?

Eu tinha acertado com um clube da Dinamarca e meu agente daquela época me ligou dizendo que havia um pedido de um jogador nas minhas características para a primeira divisão da Lituânia. Apesar da oferta da Dinamarca ser muito boa também, optei por tentar algo novo e jogar a primeira divisão também me animou, então fui. Naquele ano o futebol lituano estava em um ano muito bom financeiramente e a qualidade era bem alta. O Paulinho inclusive estava lá e outro jogador brasileiro, que eu já havia jogado junto no Brasil e que depois jogou no Kaiserslautern e Hertha Berlin, chamado Rodnei também estava lá.

Você manteve contato com o Paulinho e o Rodnei?

Com o Paulinho, não. Porque só joguei contra ele. Com o Rodnei sim. É “irmãozão” meu. Foi para a Lituânia (me) visitar e tudo. Um cara muito do bem.

E como foi na Estônia?

Na Estônia foi bom profissionalmente. E financeiramente também não foi ruim. Mas pessoalmente foi muito difícil porque minha esposa (que é lituana) estava grávida e como decidimos que ela daria a luz na Lituânia e a gravidez dela teve muitas complicações, eu passei quase um ano longe. Não vi a minha filha nascer, nem acompanhei os primeiros meses de vida. Esse foi o principal motivo de eu ter voltado a Lituânia. Mas profissionalmente foi muito bom, ajudei a equipe a classificar pra Copa da Uefa e também pude participar dos dois jogos.

A Lituânia parece gostar do seu futebol, após a Estônia você voltou para lá. Como foi o retorno?

Quando eu voltei a Lituânia, o campeonato já não tinha mais a mesma condição econômica. Foi mais uma decisão familiar, como mencionei. Mas fui muito feliz nesse retorno, principalmente no período que joguei pelo FK Banga, onde fui muito bem tratado e onde deixei muitos amigos e tenho muito carinho.

No meio da temporada lituana surgiu a proposta para defender o Mosta, de Malta. Dê um contexto geral sobre esta ida, seja a contratação, cultura e primeiras impressões.

No meio do ano, meu agente Guilherme Ferreira da empresa Elite Squad me apresentou essa proposta e achamos que era melhor tentar algo novo e ir para um novo mercado. As primeiras impressões são as melhores possíveis. O clube tem me tratado muito bem, estou apaixonado pelo país e as pessoas são muito simpáticas e receptivas. O time começou bem o campeonato com seis pontos em três jogos. Infelizmente sofri uma entorse no tornozelo e não pude ajudar a equipe nesses jogos. Mas espero estar 100% logo para dar o meu melhor e poder retribuir esse carinho dentro de campo. Em Malta conheci o Louis Agius, Adrian Farrugia, Paulo Magri, Mr George Galea e Diego Balbinot e suas respectivas famílias e agradeço especialmente a eles por todo o apoio que tem me dado desde que vim a Malta.

Camisa de seu novo clube, o Mosta FC. Abaixo da logo do patrocinador, a esquerda está a assinatura de Mandinho.
Camisa de seu novo clube, o Mosta FC. Abaixo da logo do patrocinador, a direita a assinatura de Mandinho.

Quais são as diferenças futebolísticas entre os países que você já passou?

O futebol dinamarquês é muito dinâmico. Eles estudam muito a ciência do futebol. Trabalham intensivamente a parte tática, técnica e também a parte mecânica, como por exemplo, a forma de um jogador correr, ou a sua coordenação, alem da força. O futebol lituano e estoniano dá mais ênfase na parte física e na disciplina. É um futebol que não da margem ao improviso. É de muito contato e duro. O futebol maltês me parece mais parecido com o do Brasil, até pelo clima. Aqui é muito quente, então o ritmo é bem cadenciado. Aqui se da mais atenção a técnica e o jogo é bem atrativo para o publico.

Quais as grandes conquistas suas dentro do futebol?

Profissionalmente a maior delas deve ter sido jogar a fase eliminatória da Copa da Uefa. Mas para mim, por eu sempre ter buscado isso em minha vida e na minha carreira, considero minha maior conquista o respeito dos clubes que eu passei. Pelo meu profissionalismo e pela minha dedicação ao esporte.

Muito tempo longe do Brasil deve ter rendido muitas histórias engraçadas. Conte-nos alguma.

Ah, tenho algumas historias curiosas. A maioria delas relacionadas ao inverno, principalmente da Estônia. Lá cheguei a pegar – 30 graus. Uma vez joguei e percebi que todos estavam colocando sacos de plástico dentro da chuteira. Eu achei que para mim não ajudaria em nada e não coloquei. Depois do jogo meu dedão do pé estava roxo. Passei uma semana achando que ia perder o dedo.

Pensa em voltar ao Brasil?

Eu não descarto voltar ao Brasil no futuro. É meu país e um país que eu amo muito. Mas nesse minuto eu estou focado em dar meu melhor aqui e em ajudar meus companheiros em cada jogo. Deixo o meu futuro profissional na mão do meu agente. Ele me dá tranquilidade para pensar em futebol apenas e deixar o gerenciamento da minha carreira com ele.

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